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Meu primeiro vibrador foi uma (grande) decepção

por Helena Bertho
19 de março de 2019
É tanta cor, tamanho, formato e modelo, que eu não sabia por onde começar. Um pouco de autoconhecimento e informação podiam ter facilitado…
Meus vibradores atuais. O da esquerda foi o primeiro, guardado muito mais para fins de recordação do que uso.

Nunca vou esquecer do meu primeiro vibrador. Parece o começo de uma história de amor, mas é na verdade a narrativa de uma decepção…

Comprei pela internet quando eu tinha uns 21 ou 22 anos. Ele chegou em casa numa embalagem de papelão bem neutra e quando eu abri arregalei os olhos: gente, isso é enorme!

Era um pirocão cor de rosa de mais de 20 centímetros de comprimento e uma largura que não parecia agradável. Ele era cheio de bolinhas e girava, além de vibrar, e vinha com um coelhinho acoplada, para estimular o clitóris.

Escolhi esse modelo porque na época to famoso rabbit estava na moda e só se falava nele. E meio sem saber por onde começar, resolvi ir por aí. Já que ia gastar dinheiro, melhor mirar alto.

Fui logo atrás de pilha para estrear o brinquedo novo. Mas o negócio era tão enorme, que mais machucava do que qualquer outra coisa. Acho que ainda tentei usar mais uma ou duas vezes.

Depois aceitei que aquilo era um exagero para mim e, com o tempo, percebi que preferia estimular mesmo só o clitóris. No fim, por anos usei só a borboleta, ignorando o dildo giratório.

Mas nunca superei a mágoa de saber que podia ter economizado uns 200 reais se tivesse comprado só a borboletinha – que sim, é vendida separada.  

Tem vibrador para todo tipo de gosto

Quase dez anos se passaram desde então e eu aprendi muito sobre minha sexualidade, meu desejos e minha pepeca. Comprei e ganhei vários vibradores também depois disso. E hoje, com a sabedoria que vem da prática, consigo saber os modelos e formatos que têm chance de me agradar ou não na hora de comprar. Mas precisei errar muito pra chegar nisso.

Comprar o primeiro vibrador não é fácil.

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É tanta opção de modelo, cor, tamanho e preço, que a gente fica besta. Muita gente acaba seguindo avaliações online ou dicas de revistas. Mas sabe qual é o problema: a maioria dos vibradores é ótima, mas não para todo mundo. A escolha é algo muito pessoal. O que funciona para mim, pode ser uma merda para você e vice-versa.

Então como decidir?

Antes de comprar, vale saber do que gosta

Acho que a primeira coisa é se conhecer. Não é a melhor ideia comprar um vibrador se você não tem o hábito de se masturbar (com a mão, almofada, o que for). Porque você não vai saber que tipo de estímulo curte.

Um começo já é saber se você gosta mais de penetração ou estimulação do clitóris – ou dos dois juntos. Nessa você já corta quase pela metade as opções de vibradores.

Depois, os detalhes vão ficar mais sutis. Para dildos (pintos sintéticos), você gosta de textura? Largo ou fino? Grande, médio ou pequeno? Que estilo de penetração – vai e vem, bate estaca, rebolado? No caso da estimulação do clitóris, gosta de pressão ou toque leve? Ritmo constante ou variável? Lento ou acelerado?

Ok, boa parte dessas respostas só vão surgir testando um vibrador. Até porque o ritmo dos aparelhos é bem diferente do da mão ou de outras pessoas.

Mas entender um pouco sobre seu prazer, pode ser uma boa forma de direcionar os primeiros testes e não tomar o preju que tomei logo de cara.

Os tipos de vibradores

Depois, é legal entender sobre os estilos de vibradores. Tem muitos tipos diferentes. Mas, ao meu humilde ver, dá para resumir a alguns tipos principais:

Dildos: não necessariamente são vibradores. São pênis sintéticos (de borracha ou silicone ou outro material). O principal uso deles é para penetração, mas podem também ser usados para estimular o clitóris. Hoje em dia, eles são feitos nos mais diferentes formatos e texturas, muitos inclusive com curvatura para estimular o ponto G. Muitos deles podem ser usados em strap-ons, que são suportes na cintura.

Rabbit: o rabbit e suas variantes são, na verdade, dildos com estimulador clitoriano acoplado. Então enquanto penetra o dildo, um vibrador externo estimula o clitóris.

Bullets: são os vibradores mais básicos, porém certeiros. Meus favoritos. O nome vem do fato de a maioria ter o formato de uma bala. São pequenos e servem para estimular o clitóris. Na hora de comprar um bullet, o segredo é ver qual é a potência de vibração dele. Alguns vibram tão pouco que só faz cócegas. Outros vibram tanto, que é perigoso ficar viciada (tem até de ligar na tomada, para não faltar energia). Sou adepta do meio termo.

Butterfly: estimuladores de clitóris também. Mas além do massageador que vibra, como o bullet, ele tem uma capa texturizada. As mais famosas são a de borboleta ou a de coelho. Quando o brinquedo vibra, as antenas ou orelhinhas tremem e a sensação delas no clitóris é bem gostosa.

Sucção: mais recentes, são massageadores que “sugam” o clitóris. Sinceramente, não sei bem como a tecnologia funciona, mas o vibrador fica posicionado em volta do clitóris. O mais famoso deles, o womanizer, ganhou fama com a promessa de orgasmos em 30 segundos. Já existem outras marcas e, de fato, eles dão orgasmos muito rápidos (na minha humilde opinião, às vezes até rápido demais).

Duplos: existem alguns vibradores para penetração duplos. Tanto com duas pontas para permitir penetração em duas pessoas ao mesmo tempo, quanto com formato que permite penetrar o ânus e a vagina simultaneamente.

Anal: plugs-anais são acessórios feitos para estimular o ânus e têm um formato específico para penetrar ali. Existem numa enorme variedade de tamanhos e materiais. E alguns contam com vibração também.

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Errar pode ser bom

O passo seguinte é prestar bem atenção na potência do bichinho, na textura do material e nas medidas. E pronto, são bem maiores as chances de acerto.

Mas assim, são só chances… Porque errar também é parte do processo, inclusive de conhecer melhor seu corpo e seu prazer. Arriscar e testar algo novo, inclusive, pode ser ótimo para descobrir mais sobre você. Tem muita coisa que a gente não gosta só porque nunca testou, né?

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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