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6 de fevereiro de 2019

O esporte também é espaço de luta para transexuais

Você conhece Tifanny Abreu, Jéssica Bezerra e Renée Richards? Amanda Célio conta a história delas e de outras atletas
transexuais
A atleta do vôlei Tifanny Abreu. Crédito: Divulgação/Facebook

No mês da Visibilidade Trans, a coluna Mana à Mana não poderia deixar de homenagear atletas transexuais e destacar projetos esportivos que abriram as portas para a inclusão da diversidade no esporte.

Ainda são muitos os obstáculos a superar, casos de transfobia para combater, preconceitos e desinformações que precisam ser tolhidas para que essas pessoas sejam de fato acolhidas em ambientes esportivos, e que assim conquistem os mesmos direitos e condições de trabalhos dos demais atletas.

Por conta de preconceitos naturalizados e enraizados, muitos atletas trans são invisibilizados, chegando muitas vezes a desistir da carreira esportiva. “Pode até faltar informação sobre a fisiologia humana ou a formação de um atleta à maioria da sociedade, mas o que vem primeiro é mesmo a dificuldade em lidar com a diversidade”, disse a a professora Berenice Bilharinho Mendonça, titular do Setor de Endocrinologia da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e consultora do Comitê Olímpico Internacional (COI) para a inclusão de atletas latino-americanos com distúrbios sexuais, durante a Jornada USP de Psicologia e Esporte, realizada no ano passado com o tema “Gênero no Esporte”.

Por isso, a coluna desse mês destaca atletas trans e projetos esportivos inclusivos que estão fazendo história, vencendo a transfobia e nos enchendo de orgulho e esperança.

Quem abre a lista é a ex-tenista Renée Richards. Diversos registros apontam Renée como a primeira atleta trans a disputar um torneio profissional no mundo. A tenista largou as quadras de tênis na década de 1960 após disputar a chave masculina do US Open. Somente 15 anos depois de sua cirurgia a atleta conseguiu o direito de disputar o US Open pela chave feminina e voltou ao esporte. Mas essa decisão só foi acatada após Renée conquistar o direito em uma conturbada e polêmica ação na Suprema Corte de Nova York.

Tifanny Abreu

Tiffany foi a primeira atleta transexual brasileira a conseguir autorização da Federação Internacional de Vôlei (FIVB) e disputar a Superliga Feminina de Vôlei. Em meio a polêmicas e protestos, a ponteira estreou nas quadras em dezembro de 2017. Mas por orientação da Federação Internacional de Vôlei, a atleta não disputou, desde então, nenhuma competição internacional, ainda que seu teste de testosterona esteja bastante abaixo do teto permitido pela Federação

Jéssica Bezerra

Ainda no vôlei, a levantadora cearense Jéssica Bezerra só terá a oportunidade de disputar partidas pela equipe feminina de vôlei aos 37 anos. A atleta, que começou no vôlei profissionalmente há 13 anos e fez a transição aos 30, conseguiu a aprovação do Comitê Olímpico Internacional para atuar em equipes femininas só no ano passado. Jéssica mora desde 2016 em Valência, na Espanha, onde busca treinar em equipes femininas.

Fallon Fox

Fallon Fox foi a primeira atleta trans no MMA. A americana estreou após sua transição em 2012 e venceu cinco de seis lutas disputadas. Devido ao bom desempenho nos octógonos desde 2014, a lutadora enfrenta resistência de outras lutadoras, dentre elas Ronda Roussey e a brasileira Beth Correia, que se manifestaram contra a atuação da lutadora. Por isso, desde então, Fallon permanece sem rivais e sem lutar em campeonatos.

Transviver

O Transviver é o primeiro time de futebol de homens trans do nordeste e o segundo do Brasil. Nasceu em Recife e é formado por 18 homens transexuais que se reúnem uma vez por semana em uma quadra pública da capital pernambucana. O time faz parte do projeto “Transviver”, que atende o público trans uma vez por semana para acolhimento, fortalecimento e encaminhamento psicoterapêutico. A maioria dos atletas foi rejeitado pela família, violentado por colegas de escola e expulso de casa. Na bandeira o time carrega os dizeres “Transformando vidas, espalhando amor”.

Que as lutas dos atletas trans e suas iniciativas continuem transformando o esporte e o elevando cada vez mais os patamares de inclusão, respeito e solidariedade.

Amanda Célio é jornalista pelo Centro Universitário do Triângulo. Atleta de sofá, feminista por ter ouvido tantos nãos e não se conformar. É de Minas e d’AzMina, péssima em trocadilhos, e, hoje, vive no Rio de Janeiro. Rainha dos dramas, não perde samba, blocos de carnaval e tem a certeza de que esporte é coisa de mulher.

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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