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31 de janeiro de 2017

“Cadê as meninas? O dormitório tá uma bagunça”

O relato de uma feminista que participou de uma ocupação estudantil no Distrito Federal

Por motivos de segurança, os textos da coluna Vozes das Ocupações serão anônimos.

Sou mulher, negra,feminista, na luta!

A ocupação em que estive teve duração de duas semanas. Durante esse tempo, ficamos [email protected] no mesmo ambiente sem contato com atividades exteriores, a não ser as que eram propostas e apresentadas para toda a comunidade.

Outro fator que nos deixava com medo de sair eram as ameaças psicológicas e físicas. Afinal, a mídia diariamente propagava conteúdo deturpando as ocupações no modo geral.

Havia ainda o impasse do sono.

O estado de alerta, por temermos por nossa segurança, refletia nas poucas horas de descanso. Uma média de 4 ou 5 horas por dia.

Bom, apesar dos problemas advindos da resistência pela derrubada da PEC 241/55, o que mais afetou a nós, mulheres, foi o machismo velado que se fazia presente em todas as situações.

As funções distribuídas em assembleias, prezando pela horizontalidade, eram a forma que utilizávamos para divulgar a causa e manter a higiene, e essas funções  passaram a ser pontos de discussões sobre gênero. Os silenciamentos eram constantes. Por parte dos alunos, por aqueles que faziam parte do corpo de ensino da escola e até por apoiadores ouvíamos falas do tipo:

“Cadê as meninas? O dormitório tá uma bagunça”

A verdade é que aquele local estava repleto de mulheres empoderadas e unidas.

Mesmo diante de  todo o machismo, não iriam nos calar. Afinal o lugar de mulher é onde ela quiser!

Portanto, especialmente os homens, devem ter em mente que antes de tentarmos lutar por uma educação igualitária ou um mundo melhor, a desconstrução interior deve ser revista.

 

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