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Bolsonaro: Sete motivos para não votar

por Equipe AzMina
27 de setembro de 2018
A Revista AzMina preparou uma lista de argumentos pra não votar em Jair Bolsonaro nessas eleições. Use-as como um tutorial para conversar com indecisos, convencer outras mulheres e dialogar com quem pensa diferente

Se você, como todas nós aqui na Revista AzMina, tem medo dos riscos que Bolsonaro representa para mulheres, negros, indígenas, LGBTs e para a democracia, mas está com dificuldade no diálogo com seus amigos, parentes ou conhecidos que correm o risco de votar nele, listamos respostas para cada um dos argumentos de seus apoiadores.

Certamente você já deve ter recebido mensagens e conselhos de amigos e familiares dizendo que Jair Bolsonaro “é o único com pulso firme para governar o país” e acabar com toda a roubalheira. Antes de partir pro ataque, antes de chamar os parentes de fascistas (e em troca ser chamada de comunista, petralha ou feminazi), ouça os motivos deles e argumente.

É hora de dialogar, de mostrar aos eleitores que ainda podem mudar de opinião que faltam propostas e sobra radicalismo ao candidato.

Bolsonaro é honesto?

Bolsonaro admitiu que em 2014 o PP, seu então partido, recebeu dinheiro ilegal da JBS. “O partido recebeu propina sim, mas qual partido não recebe propina?”, disse em programa na rádio Jovem Pan. Além disso, ele e seus filhos enriqueceram na política. Em 1988, Bolsonaro tinha apenas um Fiat, uma moto e dois pequenos lotes de terra. Hoje, eles, que vivem apenas de seus mandatos, têm um império de R$ 15 milhões em imóveis. A transação de compra da casa em que o candidato vive no Rio têm indícios de uma operação suspeita de lavagem de dinheiro. “Eu sonego tudo o que for possível”, disse em entrevista a TV Bandeirantes em 1999. Bolsonaro também usou dinheiro público para pagar por serviços pessoais. Mantinha uma “funcionária fantasma”, que estava na folha de pagamento de seu gabinete, mas que na verdade vendia açaí em Angra dos Reis e realizava serviços na casa de veraneio de Bolsonaro. Você acha correto um político usar o nosso dinheiro para benefícios pessoais?

Bolsonaro representa o novo?

Ele já está na política há 30 anos. Nesse período, já passou por 8 partidos, como o PP, de Paulo Maluf. Levantamento do SigaLei, plataforma que usa inteligência artificial para monitorar a atividade do Legislativo, mostra que entre 1991 a 2018, Bolsonaro apresentou 147 projetos de lei. O tema mais recorrentes foram pautas ligadas às Forças Armadas (32 projetos), seguido de Direito Penal (16 propostas) e trânsito (14 proposições). Apenas um se tornou lei.

Bolsonaro é contra corrupção?

Ele recebia R$ 3 mil de auxílio-moradia por mês desde 1995 e continuou recebendo mesmo depois de comprar apartamento em Brasília em 2000. Perguntado sobre o assunto, primeiro ele disse que usava o apartamento “para comer gente”. E só depois de dois meses da denúncia, pediu para parar de receber o auxílio. Ao todo, ele e o filho Eduardo Bolsonaro embolsaram até 730 mil reais até dezembro passado, já descontado Imposto de Renda.

Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que Jair Bolsonaro recebeu R$ 200 mil do grupo JBS durante sua campanha de 2014. O deputado teria encaminhado o dinheiro como doação ao seu partido, que na época era o PP. “O partido recebeu propina sim, mas qual partido não recebe propina?”, disse ele para a Jovem Pan.

Bolsonaro vai ser diferente do governo Temer?

Bolsonaro foi um dos deputados mais fiéis ao governo. Ele votou, por exemplo, a favor da lei do teto dos gastos, que congelou os gastos sociais do governo por 20 anos, da intervenção federal no Rio de Janeiro e da reforma trabalhista. Além disso, o coordenador do seu programa econômico, o economista Paulo Guedes indicou que pode manter alguns integrantes da atual equipe econômica do governo Michel Temer. Seu partido, o PSL, foi o que mais votou com o governo neste ano.

Bolsonaro é liberal? Vai acabar com os privilégios?

O candidato votou a favor da reforma trabalhista de Temer, que retirou direitos e permitiu que os empregadores possam recusar a garantia de benefícios previstos em lei. Quando deputado, também votou contra a PEC que deu direitos trabalhistas às empregadas domésticas. Sua campanha diz que vai reduzir a pesada carga tributária brasileira, mas o coordenador do seu programa econômico, o economista Paulo Guedes, quer recriar um imposto similar à antiga CPMF e estabelecer uma alíquota única de Imposto de Renda de 20% para pessoas físicas. Isso seria dar privilégios para os mais ricos, já que reduziria a alíquota paga para quem tem renda maior, e aumentaria para quem tem renda menor.

Bolsonaro vai acabar com a violência?

Suas principais propostas para segurança pública são liberar o porte de armas e reduzir a maioridade penal. Estudos mostram que mais armas em circulação resultam em mais mortes e maior facilidade para que elas caiam nas mãos dos criminosos. Com 726 mil presos, o Brasil já tem terceira maior população carcerária do mundo, o que não nos impede de ser o 9o país mais violento.

Dá para ser contra a violência e achar que alguém merece ser estuprada? Ou ainda dizer os próprios negros são culpados pela escravidão? No Brasil, uma mulher é assassinada a cada duas horas só pelo fato de ser mulher; mais de um LBGT foi assassinado por dia neste ano, até metade de maio, só por causa de sua orientação sexual; e a taxa de homicídios contra negros subiu 23% em dez anos. A violência no Brasil só cairá quando for combatida a violência machista, racista e homofóbica. Uma forma de combater a violência no Brasil é combatendo o discurso de Bolsonaro.

Seus preconceitos são só brincadeira?

O desrespeito de Bolsonaro contra minorias não é “só” brincadeira. Bolsonaro vai além da retórica no que se refere, por exemplo, a ataques a LGBTs. Em 2015, ele participou da proposição de 4 projetos para barrar iniciativas do governo federal que avançavam no reconhecimento da identidade de gênero e orientação sexual em instâncias oficiais, como em boletins de ocorrência. Ele também é um dos autores de um projeto de lei para revogar a obrigação que os hospitais públicos prestem atendimento às vítimas de violência sexual.

 

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* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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