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Promessa de Ano Novo: resistir e sair da bolha

por Equipe AzMina
10 de dezembro de 2018
2018 serviu para nos mostrar que quando falamos em direitos das “minorias”, ainda há muito a se fazer e falar.
Arte: Larissa Ribeiro

Que ano esse 2018, hein? Como mulheres, como imprensa independente e como defensoras dos direitos humanos, a Revista AzMina sai dele sentindo o desgaste por todos os esforços, tudo que assistimos acontecer e também pelo medo do que está por vir.

Se você acompanha nosso trabalho, sabe como ralamos durante o período eleitoral para trazer uma cobertura relevante sobre as consequências destas eleições para as mulheres brasileiras. Com tanta fake news bombando no zap, redobramos o cuidado com os fatos para fazer jornalismo com responsabilidade. Mas sem esconder que temos sim um posicionamento: zelar sempre pelos direitos das mulheres e por todos os direitos humanos. E também tentamos furar as bolhas e chegar ao máximo de gente possível.

Mas 2018 serviu para nos mostrar que quando falamos em direitos das “minorias” (que fique claro que falamos de minoria política, não numérica, uma vez que somos maioria), ainda há muito a se fazer e falar.

Assim, terminamos o ano com alguns medos e duas certezas.

Medo das violências e ataques que mulheres e tantos outros grupos vulneráveis podem sofrer, além dos ataques que podemos vivenciar como imprensa e como resistência. O ano de 2019 vai exigir de nós mais cuidado e mais ação do que nunca para seguir existindo.

As certezas são, primeiro, de que a imprensa se torna mais do que nunca necessária diante da posse de um governo que já fez ameaças explícitas de reduzir os direitos da população e de usar violência para isso. É preciso acompanhar, fiscalizar e denunciar tudo que possa vir a acontecer. E isso nós vamos fazer.

A outra certeza é de que é preciso falar para além da bolha. Se nossos líderes estão apregoando absurdos sobre uma “ideologia de gênero”, ou que mulher nasce apenas para ser mãe, precisamos chegar à população que acredita nessas ideias para ter um diálogo mais aberto e apresentar novos argumentos e perspectivas.

E esse diálogo só vai acontecer se trabalhamos mais perto das pessoas, com cada vez mais diversidade na equipe e mais disposição para ouvir.

Mas sabe o que é preciso para tudo isso? Dinheiro. A gente não pode querer que mulheres trabalhem de graça para AzMina. É sempre bom lembrar que trabalho voluntário é lindo, mas é também um privilégio que nem todas podem ter. Como podemos fiscalizar o governo, se não conseguimos remunerar o trabalho de uma equipe diversa e qualificada?

Nós da Revista AzMina sabemos o que queremos fazer em 2019. E sabemos que não podemos fazer isso sozinhas: nós precisamos de você, leitora, leitor e leitxr. Sua assinatura é essencial para que a gente continue fazendo nosso trabalho no ano que vem.

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* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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