C om muito amor envolvido, a semana do Girls Rock Camp Sorocaba voou. Do primeiro ao último momento, foram dias intensos e de muito trabalho. Mas, quando se faz o que gosta, o tempo passa e nem percebemos.

O time de voluntárias contava com meninas de São Paulo, Sorocaba, Belo Horizonte, Londrina, Buenos Aires, Montreal, Londres e Berlim, entre outras cidades do Brasil envolvidas no projeto.

O primeiro dia serviu para tanto as campistas quanto voluntárias entrarem no ritmo do cronograma de nove atividades ao longo do dia, das 9:00 às 16:30. No segundo dia, todos já estavam afinados em relação a horários e atividades.

O cronograma das aulas se dividia da seguinte forma: todos os dias as campistas tinham uma hora de aula de instrução musical, uma de ensaio e mais uma de reunião com a empresária. Fora isso, eram três workshops por dia, cada um também de uma hora.

Na hora do almoço, durante 30 minutos, uma banda de meninas era convidada a tocar. Esse ano, o camp contou com as bandas Mieta (BH), Weedra (relembrando Hidra com Wee), Las Fantasticas Pupes (AR), The Biggs (Sorocaba – SP) e Baque Mulher (grupo de mulheres espalhado pelo Brasil).

The Biggs agitando as campistas no horário de almoço.

Uma das aulas de terça feira foi o workshop de fanzine. A explicação para as crianças foi desde o que significa a palavra fanzine até o que pode ser colocado nele. O resultado trouxe explicações sobre música, nome da banda, desenhos, slogan, colagens e toda a imaginação fértil das campistas. Após dois dias, elas ganharam 10 edições impressas.

No mesmo dia, as crianças tiveram aula sobre afrobrasilidades, conheceram um pouco sobre a cultura afro e também aprenderam como colocar um turbante.

Outro workshop de terça foi “História das Mulheres no Rock”: a aula foi dada por Mari Crestanni, Bloody Mary Una Chica Band, Patricia Saltara “Vinho” e Carol Fernandes.

Nele, as professoras instigaram as campistas a procurarem mais sobre a história das mulheres na música. Afinal, elas estão no ramo desde os anos 1915, começando pela Sister Rosetta Tharpe, considerada a mãe do rock, mas não divulgada e reconhecida.

Na quarta feira, as campistas tiveram aula de comunicação não violenta e também foi o dia de produzirem o stencil e a camiseta da banda. Com muitas ideias na cabeça, esse foi o dia em que boa parte das alunas teve que aprender a chegar a um acordo.

Com seis crianças, com a imaginação pra lá de fértil e gostos diferentes, haja jogo de cintura das produtoras e empresárias para ajudar a fazer a camiseta do jeito que todas gostassem.

Já na quinta, as atividades contaram com aula de yoga, workshop de palco e performance, e oficina de cartaz e flyer dada pela artista Silvana Mello, da extinta banda Lava.

Diferentemente dos outros anos, desta vez, a sexta-feira, último dia de camp contou com uma hora de ensaio baixo e duas de ensaio alto. Durante 30 minutos dessa aula, as outras bandas faziam tour pelas salas para que todas se acostumassem com o público. E, para completar, ainda tiveram aulas de skate e workshop de imagem e identidade com Flavia Biggs.

A semana teve ainda shows pelos bares, casas e estúdios da cidade – essas noites são conhecidas como “Role das Voluntárias”. As bandas se apresentam no camp de dia e fazem um show mais longo à noite. Outras bandas de meninas que estivessem pela cidade também se apresentaram.

“Las Fantasticas Pupes” no Complexo Mofo no Rolê das Voluntárias

O GRANDE DIA: SHOWCASE!

No sábado, dia 21/01, o Asteroid Bar recebeu todas as campistas, familiares e voluntárias para cada uma das 15 bandas apresentarem a música que foi criada nessa uma semana de camp.

Em cada música cantada, uma lágrima no canto do olho. Foi impressionante ver o quanto as meninas estão preocupadas em falar o que sentem, mostrar que querem ser o que têm vontade e que precisam acabar com o machismo.

Alguns exemplos estão nas letras da banda “Gatas Borralheiras”, que diz: “Eu troco a sapatilha por uma chuteira. Troco o lacinho por um belo boné. Troco um romance por uma aventura. Não quero pilotar um fogão. Quero pilotar um avião.”

A banda “Mulheres maravilhas” também marcou com seu refrão de atitude “Posso até ser Frida, mas eu não me Kahlo. Eu tenho direito de ter meu próprio trabalho. Mas quero saber por que me impedem.”

“Rainbow Juice” a banda que eu empresariei, fez uma música que fez meu coração palpitar. Elas me falaram que estavam orgulhosas de fazer uma música que tivesse uma mensagem:

“Gosto de ser eu mesma. Não importa o que vão falar. Apenas ser o que sou. E meu sonho realizar. Coragem , atitude, é tudo que eu preciso. Eu, você, juntas nisso”.

Assista no Facebook: Rainbow Juice – Não ligo

VOLTANDO PARA SÃO PAULO

Após uma semana intensa, me sinto como aquelas pessoas que foram para um retiro espiritual. É como se eu tivesse tido contatos imediatos com a música, feminismo, sonoridade e todos os sentimentos mais incríveis. Vimos como trabalhar em grupo pode transformar a sociedade.

Acompanho o Girls Rock Camp desde o inicio pelas mídias sociais, mas estar dentro dele me fez acreditar que posso fazer algo pra deixar esse mundo um pouquinho melhor.

Logo mais sai o documentário feito esse ano com o tema especial de cinco anos de Girls Rock Camp. Para ver a cobertura oficial do evento, siga Facebook.com/girlsrockcampbrasil

E 2017 não para! Dia 23/01 começou a primeira edição do Girls Rock Camp em Porto Alegre!
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