Lembra daquela época do “quebrando o tabu” que parecia tomar conta de todas as timelines? Pois é, o tempo passou e a gente começou a perceber que, por trás da estética Temer core de 2015, muita gente ainda ficava pelo caminho — especialmente se fossem mulheres pretas, indígenas e travestis. O problema é que essa superficialidade abriu brecha para algo mais perigoso: o uso do selo “feminista” para validar discursos de ódio e violência de gênero disfarçada de teoria.

Hoje, enfrentamos a ascensão das chamadas “radfems” ou de movimentos antigênero que, ironicamente, se aliam a setores conservadores para promover a transexclusão. Na AzMina, a gente bate o pé: não existe feminismo possível que ignore a existência e a dignidade das mulheres trans. Acreditamos em um movimento plural e barulhento, mas que jamais use suas ferramentas para silenciar ou violentar outras de nós. Seguimos juntas (e com todas!) para desmascarar esses “lacres” que, no fundo, só servem para manter exclusões antigas.
