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20 de março de 2025

Organizações divulgam carta contra apologia ao estupro feita por estudantes de Medicina em SP

Documento assinado por organizações do movimento Chega de Estupro cobra responsabilização dos envolvidos e medidas efetivas da Universidade Santa Marcelina

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Organizações da sociedade civil divulgaram nesta quarta-feira (19 de março), uma carta pública de repúdio ao episódio protagonizado por alunos de Medicina da Universidade Santa Marcelina, em São Paulo, que exibiram uma faixa com apologia ao estupro durante um torneio universitário.

Na carta, o movimento intitulado Chega de Estupro destaca a gravidade do ocorrido e exige providências imediatas da universidade para responsabilizar os envolvidos e adotar medidas efetivas de enfrentamento à violência sexual no ambiente acadêmico. Assinam a carta: Associação Gênero e Número, Nem Presa Nem Morta, Instituto AzMina, Instituto Lamparina, Instituto Patrícia Galvão, CEPIA (Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação), CRIAR Brasil e Anis (Instituto de Bioética) e Grupo Curumim. 

“É essencial que toda a sociedade volte a atenção para a violência sexual. Só assim meninas e mulheres brasileiras poderão construir suas vidas, estudarem, trabalharem e empreenderem sem serem interrompidas”, afirma Joana Suarez, 

O caso ganhou repercussão nacional após a publicação de fotos dos alunos segurando uma faixa com os dizeres “Entra p**, escorre sangue”**, durante um evento esportivo em São Paulo. A frase faz parte de um antigo “hino” da atlética de Medicina da Santa Marcelina, já banido em 2017 por alusão explícita ao estupro. A denúncia foi feita pelo Coletivo Francisca, de alunas e ex-alunas da instituição.

O episódio já é investigado pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), e a própria universidade anunciou a abertura de uma sindicância interna, com possibilidade de punição aos envolvidos.

Na carta, as organizações reforçam o contexto de violência sexual no Brasil, destacando dados alarmantes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) de 2023.

A ação também inclui projeções com frases e dados sobre o tema que foram feitas em diversos pontos do Centro de São Paulo pela Projetemos, na noite do dia 19 de março.

A carta do movimento Chega de Estupro pode ser lida na íntegra abaixo:

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CARTA DO MOVIMENTO CHEGA DE ESTUPRO

19 de março de 2025

À Reitoria da Universidade Santa Marcelina

Os recentes acontecimentos envolvendo alunos dessa instituição que fizeram diretas apologias ao estupro são, incontestavelmente, repugnantes e representam uma gravíssima violação dos direitos humanos e da dignidade da pessoa humana constitucionalmente garantidos em nosso país. Tal comportamento é absolutamente inaceitável para toda sociedade e para toda a comunidade acadêmica.

Links das matérias

CNN – https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sudeste/sp/sp-alunos-de-medicina-fazem-foto-segurando-bandeira-com-alusao-a-estupro/

G1 – https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2025/03/18/alunos-de-medicina-usam-hino-banido-com-alusao-ao-estupro-em-jogo-universitario-em-sp-entra-p-escorre-sangue.ghtml

ISTO É – https://istoe.com.br/alunos-de-medicina-da-santa-marcelina-exibem-faixa-com-alusao-ao-estupro/

FOLHA DE SP – https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2025/03/policia-investiga-faixa-com-alusao-a-estupro-exibida-por-alunos-de-medicina-em-sp.shtml

Qualquer ato que glorifique, trivialize ou justifique qualquer forma e espécie de violência sexual é crime penalmente tipificado no Brasil que reforça e contribui, diretamente, para a perpetuação de um ambiente social hostil, violento e discriminatório, especialmente com mulheres, crianças, jovens e demais grupos vulneráveis. 

Os dados de estupro no Brasil são alarmantes. Com base nos estudos e pesquisas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) de 2023, separamos 5 pontos de suma relevância. 

• Uma pessoa é estuprada a cada 6 minutos no Brasil;

• 62% das vítimas têm até 13 anos de idade;

• 84,7% das vezes os agressores são familiares ou conhecidos;

• O Brasil registrou aproximadamente 84 mil ocorrências por estupro em 2023; e,

• 76% dos casos correspondem ao crime de estupro de vulnerável (menos de 14 anos de idade ou incapazes de consentir por qualquer motivo)

As universidades, enquanto espaço de formação de cidadãos responsáveis e críticos, não devem se eximir de sua responsabilidade em educar, conscientizar e ensinar seus alunos sobre princípios basilares de comportamento social, acadêmico, profissional, isonômico e digno. 

É fundamental que todas as universidades, aqui em específico a Universidade Santa Marcelina, tome medidas imediatas e rigorosas contra todo e qualquer ato de apologia a crime, incluindo, mas não se limitando, a uma intensa investigação sobre todos os envolvidos nos acontecimentos; aplicação de sanções em conformidade com o regulamento interno da instituição e em conformidade com a legislação brasileira vigente; incessantes campanhas de conscientização que reforcem os valores de respeito à integridade física, psicológica e moral de todos os indivíduos; oferta de suporte às vítimas de quaisquer formas de violência, assédio ou importunação sexual, procurando sempre zelar por um ambiente seguro e acolhedor. 

Precisamos ampliar a capacidade da sociedade de combater o estupro. Ressaltamos aqui que é inadmissível a permanência de pessoas que fazem apologia ao estupro dentro de um sistema de ensino e rechaçamos profundamente a postura conivente da universidade que permitiu que seu ambiente institucional tenha se tornado palco para tais manifestações criminosas. 

Requeremos que a administração e todos os responsáveis tomem todas as medidas necessárias e cabíveis para sancionarem de maneira severa, com a toda a responsabilização necessária, os envolvidos nos recentes acontecimentos a fim de coibir situações similares. É dever de toda e qualquer instituição de ensino preservar e preparar seus estudantes e futuros profissionais com a máxima observância, obediência e compromisso com os direitos humanos e sociais constitucionalmente garantidos em nosso país. 

Assinam essa carta,

  1. Instituto Lamparina
  2. Instituto AzMina
  3. Instituto Patrícia Galvão
  4. Associação Gênero e Número
  5. Nem Presa Nem Morta
  6. CEPIA- CIDADANIA, ESTUDO, PESQUISA, INFORMAÇÃO E AÇÃO 
  7. CRIAR Brasil
  8. Anis – Instituto de Bioética
  9. Grupo Curumim
  10. Instituto GENi- Gênero e Interseccionalidades 
  11. Católicas pelo Direito de Decidir
  12. Nós, mulheres da periferia
  13. Instituto Incube
  14. Casa Marielle Franco
* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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