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19 de março de 2026

Conexões NUDEMs: fortalecendo o acesso à justiça para mulheres em situação de violência

Projeto desenvolvido pelo Instituto AzMina, busca fomentar o diálogo entre o PenhaS e os Núcleos de Defesa da Mulher das Defensorias Públicas de todo o Brasil.

Nós fazemos parte do Trust Project

Diariamente, o PenhaS recebe relatos e pedidos de orientação de mulheres sobreviventes de violência. Somente em 2025, foram realizados mais de 300 atendimentos individuais por meio do aplicativo. Na maior parte dos relatos, identificamos a necessidade de apoio jurídico em casos que envolvem denúncias de violência doméstica, solicitação de medidas protetivas de urgência, questões de guarda, divórcio e divisão de bens, entre outros. 

Nesse sentido, nossa equipe entende os serviços oferecidos pelas Defensorias Públicas essenciais para que muitas dessas mulheres possam ter seus direitos garantidos. Por isso, as orientações e encaminhamentos que oferecemos dialogam diretamente com este órgão que é uma das principais portas de acesso à justiça para essas mulheres.

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Feminismo bem informado

Foi a partir dessa experiência cotidiana de atendimento que surgiu o Conexões NUDEMs, um projeto de incidência política que busca fortalecer a parceria entre o Instituto AzMina e as Defensorias Públicas estaduais por meio de seus Núcleos de Defesa da Mulher (NUDEMs). A proposta foi incentivar que as defensorias conheçam e recomendem o aplicativo PenhaS às mulheres assistidas, ampliando o acesso à informação, aos direitos e à rede de proteção. Para viabilizar essa articulação em nível nacional, o projeto também estabeleceu diálogo com o Conselho Nacional das Defensoras e Defensores Públicos Gerais (CONDEGE).

Duas mulheres estão lado a lado, em primeiro plano, sorrindo para a câmera sob uma tenda branca em um evento ao ar livre. À esquerda, uma mulher negra, de pele média-escura, com cabelo crespo volumoso em formato arredondado. Ela usa óculos de armação clara, brincos dourados e um colar, além de uma blusa azul com um casaco rosa por cima. Sua expressão é acolhedora e confiante. À direita, uma mulher de pele clara a média, com cabelo escuro, cacheado e na altura dos ombros. Ela veste uma blusa vermelha com estampa floral e um casaco preto. Também sorri diretamente para a câmera. As duas seguram juntas um cartaz em tons de roxo e azul. O texto principal diz: “Está em situação de violência ou quer ajudar alguma mulher? Baixe o PenhaS”. O cartaz apresenta funcionalidades do aplicativo, como manual de fuga, botão de pânico, gravação de áudio, rede de apoio e pontos de apoio, além da imagem de um celular com a interface do app. Ao fundo, há um espaço movimentado com outras pessoas, algumas vestindo coletes verdes, e uma faixa com o texto “Defensoria Pública do Distrito Federal”. Também aparecem elementos urbanos, como prédios, árvores e uma área com plantas, indicando um evento institucional voltado ao atendimento e orientação da população.
Mari Leal (Gerente do PenhaS) e Débora Vasconcellos (Assistente do PenhaS) na participação do 27ª Dia da Mulher da Defensoria Pública do Distrito Federal.
Foto: Defensoria Pública do Distrito Federal

Construindo parcerias em diferentes estados

Ao longo de 2025, o Instituto AzMina iniciou uma série de conversas com Defensorias Públicas de diferentes estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Distrito Federal. Um dos momentos importantes desse processo foi a reunião com a defensora Larissa Machado, coordenadora da Comissão de Mulheres do CONDEGE. A recepção positiva ao projeto abriu caminhos para ampliar o diálogo com a defensoria também do estado do Pará, com a qual Larissa possui seu vínculo institucional.

Como resultado dessas primeiras articulações, Mari Leal (gerente de projetos d’AzMina) e Débora Vasconcellos (assistente de projetos) estiveram em Brasília, onde foi firmado um termo de cooperação com a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF). A parceria já gerou uma série de atividades conjuntas, entre elas a participação em eventos organizados pelo NUDEM da DPDF e a gravação de um episódio do podcast Vozes Entrelaçadas

Nessa iniciativa voltada à divulgação das ações do NUDEM-DF, a equipe apresentou o aplicativo PenhaS e a parceria com a Defensoria como estratégia para ampliar o acesso das mulheres aos serviços jurídicos.

Cinco mulheres estão lado a lado, em pé, sorrindo para a câmera, diante de um grande painel branco com detalhes em verde. O painel traz os textos: “Bem-vinda ao”, “MULHER”, “DIA DA”, e, à direita, “Aqui você é acolhida e protegida”, com algumas palavras destacadas em verde. Na parte inferior, há uma ilustração com várias mulheres em preto e branco, formando uma faixa decorativa. Da esquerda para a direita: • A primeira mulher tem pele clara a média, cabelo escuro cacheado na altura dos ombros, e veste uma blusa vermelha com estampa floral e um casaco preto. • A segunda mulher tem pele clara, cabelo liso preso, e usa camiseta branca com estampa do evento e calça verde. • A terceira mulher é negra, com cabelo crespo curto e volumoso, usa óculos de armação clara, blusa azul sem mangas e calça azul, além de colar e brincos. • A quarta mulher tem pele clara, cabelo escuro longo e liso, usa óculos, camiseta branca do evento, colete verde e calça bege. • A quinta mulher tem pele clara, cabelo loiro longo e ondulado, usa óculos, camiseta branca do evento e calça verde. Todas estão em um espaço externo, sobre piso de pedra, com iluminação natural. A imagem transmite um ambiente institucional e acolhedor, relacionado a ações de apoio e proteção às mulheres.
Mari Leal (Gerente do PenhaS) e Débora Vasconcellos (Assistente do PenhaS) com Defensoras Públicas do NUDEM do Distrito Federal. Foto: arquivo pessoal

As representantes do Instituto AzMina também estiveram no Rio de Janeiro, em uma conversa com defensoras da CoMulher e do NUDEM do Estado, aprofundando o diálogo sobre o funcionamento dos atendimentos realizados pelos núcleos especializados e dando seguimento às trocas que já vinham acontecendo de forma online.

Entendemos que essas articulações e ações representaram passos importantes para o fortalecimento das relações institucionais. Os resultados já alcançados indicam impactos relevantes, como o crescimento constante no número de novas usuárias do aplicativo nas regiões com as quais já estabelecemos contato. 

Ao mesmo tempo, compreendemos que este é um projeto de caráter contínuo, que seguirá em desenvolvimento, com parcerias que tendem a se consolidar e expandir para além do período inicialmente previsto.

Mais informação para quem precisa de ajuda

Outro resultado importante do projeto foi a atualização do Mapa de Pontos de Apoio do PenhaS, ferramenta que ajuda mulheres a localizar serviços de atendimento próximos de onde estão.

A partir do diálogo com as Defensorias Públicas, foi possível incluir mais de 800 novos pontos de apoio no mapa, com informações sobre locais de atendimento nos estados da Bahia, Distrito Federal, Pará, Rio de Janeiro e São Paulo. Com essa atualização, contamos agora com mais 2.000 pontos disponíveis no aplicativo.

Arte com fundo em degradê roxo e azul, com textura de respingos e pontos luminosos. No topo, aparece o logotipo “instituto azmina”.

À esquerda, há a imagem de um celular exibindo a tela do aplicativo PenhaS. Na tela, aparece um mapa do Brasil com foco na região Nordeste, especialmente Bahia e arredores, com diversos marcadores coloridos indicando pontos de apoio. Na parte inferior do aplicativo, há um menu com ícones e textos como “Início”, “Manual de Fuga”, “Socorro”, “Chat” e “Pontos de Apoio”.

À direita, em destaque, está o texto em laranja: “Mapa de Pontos de Apoio atualizado”. Abaixo, em branco, lê-se: “Confira os novos pontos de apoio nos estados da Bahia, Rio de Janeiro, Pará, São Paulo e Distrito Federal”.

Na parte inferior, aparece o nome do aplicativo em destaque: “PenhaS”.
O mapa de pontos de apoio ajuda a localizar os serviços de atendimentos mais próximos. Imagem: divulgação

O mapa também reúne agora dados do Mapa do Aborto Legal, atualizado no último ano pela ONG Artigo 19, ampliando o acesso a informações essenciais sobre serviços de saúde e direitos reprodutivos.

Leia Mais: Aborto e Democracia

Próximos passos

O fortalecimento das parcerias com as Defensorias Públicas segue em andamento. Recentemente, Mari Leal e Ana Carolina Araújo (gestora de programas e projetos d’AzMina) estiveram na Casa da Mulher Brasileira de Salvador, onde também foi firmado um termo de cooperação e elaborado um plano de trabalho para consolidar a parceria com a Defensoria Pública da Bahia. A partir deste momento, o PenhaS já passou a ser recomendado para as mulheres atendidas pelo NUDEM do estado.

Cinco mulheres estão lado a lado, em pé, sorrindo para a câmera, em um ambiente interno com parede clara. Ao fundo, há um painel circular com o texto “Dia das Mulheres” em letras rosa. Da esquerda para a direita: • A primeira mulher tem pele clara, cabelo castanho claro na altura dos ombros e usa óculos. Veste uma camisa branca e calça roxa, e segura um folheto do aplicativo PenhaS. • A segunda mulher tem pele média, cabelo escuro cacheado e usa óculos. Veste um vestido cinza sem mangas. • A terceira mulher tem pele clara, cabelo curto e liso, usa óculos e veste um vestido laranja com estampa de bolinhas brancas. Ela também segura um folheto do PenhaS. • A quarta mulher é negra, com cabelo crespo curto e volumoso, usa óculos e veste uma blusa azul escura com detalhes claros. Ela segura um cartaz maior do PenhaS com informações sobre o aplicativo. • A quinta mulher tem pele média, cabelo longo e cacheado, e veste uma blusa preta transparente com estampa e uma calça em tom rosado. Os materiais exibidos destacam o aplicativo PenhaS, voltado ao apoio de mulheres em situação de violência, com textos e imagens em tons de roxo e rosa. A cena transmite um ambiente institucional e de mobilização em torno do Dia das Mulheres.
Mari Leal (Gerente do PenhaS) e Ana Carolina Araújo (Gestora de Programas e Projetos) com Defensoras Públicas do NUDEM do estado da Bahia. Foto: arquivo pessoal

No final de janeiro, o CONDEGE, por meio das defensoras Larissa Machado e Rafaela Mitre, compartilhou com todas as coordenadorias dos NUDEMs do Brasil a nossa proposta de parceria e as ferramentas disponibilizadas pela PenhaS

A partir disso, faremos uma participação presencial na reunião semestral do CONDEGE, espaço que reúne defensoras públicas gerais de todo o país, para compartilharmos ainda mais sobre o projeto e com a possibilidade de expandirmos a proposta para mais estados.

Nos próximos meses, o Instituto AzMina também pretende lançar materiais de comunicação para divulgar as parcerias estabelecidas e ampliar o alcance do PenhaS. Nesse contexto, o Conexões NUDEMs se consolida como uma iniciativa de impacto social, alinhada ao compromisso do Instituto de utilizar a tecnologia como aliada na promoção e garantia de direitos, aproximando mulheres da informação, da rede de proteção e do acesso à justiça.

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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