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“O constante e revolucionário ato de amar (outra mulher)”

por Equipe AzMina
28 de agosto de 2019
Quem senta no Divã hoje é a Mariana Scola para falar do Dia da Visibilidade Lésbica

“Esse texto nasceu com o convite de uma amiga para escrever sobre essa data tão importante, o Dia da Visibilidade Lésbica. Confesso que no começo não sabia muito bem por onde começar e talvez, mesmo agora depois de pensar e refletir, ainda não tenha tanta certeza.

Há pouco mais de um mês completei meus 21 anos, não muito menos do que os 23 anos de luta comemorada no dia de amanhã, 29 de agosto, luta essa que vem sendo construída por muitos outros anos e que ainda será.

Trata-se de uma luta diária e constante que tem dado frutos positivos ao longo do caminho, como a criminalização da homofobia e transfobia, mas que também significa a continuidade da (r)existência pela ocupação de espaços.

Esse mês simboliza a luta de um dia para se comemorar a (r)existência.

No dia 29 de agosto de 1996, no Rio de Janeiro, acontecia o 1° Seminário Nacional de Lésbicas (Senale) – organizado pelo coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro (Colerj) – que tinha como pauta o combate à lesbofobia, ao machismo, à misoginia; temas que, ainda hoje, continuam sendo o motivo do grito, da luta, da força.

Há, também, a busca pela visibilidade de nossas demandas – como a formulação de políticas públicas efetivas – e o constante combate à objetificação e fetichização de nossos corpos e do nosso amor.

Mesmo com o medo de andar de mãos dadas com a pessoa amada, nós o
fazemos como símbolo de (r)existência e luta perante tantos retrocessos que vêm permeando o país.

Embora as conquistas que germinaram desses últimos anos, no dia 21 de agosto de 2019 – há uma semana e um dia – o edital de apoio a filmes e séries sobre diversidade de gênero e sexualidade foi suspenso após crítica do atual presidente do Brasil em relação à escolha da Ancine para com os filmes que seriam financiados pelo Fundo Setorial do Audiovisual.

Sabemos que a luta é uma (des)construção constante de (r)existências que se fazem necessárias e, que cada vez mais, percebo a importância existente nas sutilezas corriqueiras de militâncias particulares e coletivas configuradas, atualmente, como primordiais.

O dia da Visibilidade Lésbica, para mim, tem se tornado cada vez mais importante. Pois além de significar um dia de (r)existência é, também, um dia para se falar de amor. Não um amor personificado e idealizado, mas o amor que encontrei em mim ao amar outra mulher.

Revolucionário é amar, amar outra mulher. E nessa luta cotidiana encontrei a minha identidade, a qual vive em uma constante reconstrução perante o ato de amar.”

O Divã de hoje é da Mariana Scola.

Mariana é lésbica e estudante de musicoterapia. É mar, amar, amor. Amor pela música, dança, artes e livros.

Você tem uma história para contar? Pode vir para o Divã d’AzMina. Envie para [email protected]

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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