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Guia cultural para um julho feminista

por Luisa Toller
11 de julho de 2019
Filmes, exposições, teatro e mais para se informar, refletir e se distrair

Chegamos na metade de um ano que não tem sido fácil para ninguém.  Então aqui vão algumas dicas de arte e entretenimento para quem, assim como eu, busca se informar, refletir e até se distrair um pouco nestas próximas semanas.

(Já peço desculpas pela grande quantidade de programas em São Paulo, minha cidade atual. Mas coloquei na lista outras opções caso você esteja em outro canto do mundo).

Cinema Indígena

Documentário Quentura mostra a percepção de mulheres indígenas das mudanças no clima
Documentário Quentura mostra a percepção de mulheres indígenas das mudanças no clima

Entre os dias 10 e 23 de julho, a Unibes Cultural recebe a Mostra Isa 25 anos de Cinema Socioambiental. A maior parte dos filmes é feita por ou sobre povos indígenas no Brasil e alguns são focados especialmente na temática das mulheres, como esses:

“Quentura”:Documentário que mostra as percepções e experiências que mulheres indígenas do Alto Rio Negro e de Roraima estão vivendo em função das mudanças no clima, que afeta suas roças, alimentação e seu modo de vida na floresta. Direção: Mari Corrêa. 2018

Quando: 13/07, sábado, às 20h

“Yarang Mamin: Movimento das Mulheres Yarang”: O movimento das Mulheres Yarang, composto por mulheres do povo Ikpeng, no Território Indígena do Xingu (MT), completa em 2019 dez anos. Elas trabalham como formigas, sempre juntas, coletando e beneficiando sementes para reflorestar as nascentes da bacia do rio Xingu. Direção: Kamatxi Ikpeng. 2019. Inédito.

Quando: 19/07, sexta feira, às 20h

Onde: Oscar Freire, 2500

Entrada gratuita

Tarsila e Lina Bo Bardi

Até o dia 28 de julho ainda dá tempo de visitar as exposições de Tarsila do Amaral e Lina Bo Bardi no Masp

“Tarsila Popular”: O enfoque da exposição é o “popular”, noção tão complexa quanto contestada. Em Tarsila, o popular se manifesta através das paisagens do interior ou do subúrbio, da fazenda ou da favela, povoadas por indígenas ou negros, personagens de lendas e mitos, repletas de animais e plantas, mais ou fantásticos. Boa parte da crítica em torno de Tarsila feita até hoje no Brasil enfatizou suas filiações e genealogias francesas, possivelmente em busca de alguma legitimação internacional da artista, mas assim marginalizando os temas, as personagens e as narrativas populares que ela construiu. A exposição não busca esgotar essas discussões, que levam em conta também questões de raça, classe e colonialismo, mas apontar para a necessidade de estudar essa artista tão fundamental em nossa história da arte a partir de novas abordagens.

“Lina Bo Bardi: Habitat”: Esta mostra aborda a vida, a obra e o legado da arquiteta, designer, curadora, editora, cenógrafa e pensadora ítalo-brasileira Lina Bo Bardi (1914-1992). A exposição interpreta a produção de Lina como um processo de “desaprendizagem” de conhecimentos e de perspectivas ocidentais desenvolvido por ela desde sua chegada ao Brasil e aprofundado em suas viagens pelo Nordeste brasileiro e no período em que morou em Salvador, nos anos 1950 e 1960. Essa abordagem possibilidade ler a obra de Lina como uma forma de ultrapassar as fronteiras das narrativas canônicas da arquitetura moderna e do museu, incorporando outros vocabulários e saberes, como o popular, o indígena e o afro-brasileiro. 

Onde: Av. Paulista, 1578

Entrada: R$40, meia entrada para estudantes, professores e maiores de 60 anos, entrada gratuita às terças feiras.

Lançamento de Jarid Arraes

No dia 18 de julho, às 19h a escritora Jarid Arraes lançará no CCSP o livro Redemoinho em dia quente

Focando nas mulheres da região do Cariri, no Ceará, os contos de Jarid desafiam classificações e misturam realismo, fantasia, crítica social e sua potente capacidade de identificar e narrar o cotidiano público e privado das mulheres. Jarid Arraes narra a vida de mulheres com exatidão, potência e uma voz única na literatura brasileira contemporânea.

Onde: Rua Vergueiro, 1000

Entrada gratuita.

Elza, o musical

guia feminista
Musical retrata fases da carreira de Elza Soares. Foto: Divulgação

Segue em cartaz no Teatro Sergio Cardoso o musical Elza, em homenagem à vida de Elza Soares, até o dia 11 de agosto.

O elenco sobe ao palco em nova temporada na capital paulista para celebrar o trabalho e os recém conquistados Prêmios Shell (Melhor Música), CESGRANRIO (Melhor Direção e Categoria Especial pelo Elenco), Reverência (Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Autor e Categoria Especial) e APCA (Melhor Dramaturgia). Em cena, as atrizes se dividem ao viver Elza Soares em suas mais diversas fases e interpretam outros personagens, como os familiares e amigos da cantora, além de personalidades marcantes, como Ary Barroso e Garrincha. Canções como “Lama”, “O Meu Guri”, “A Carne”, “Se Acaso Você Chegasse”, entre outras, fazem parte do repertório.

Onde: Rua Rui Barbosa, 153.

Apresentações de Quinta a Sábado às 20h e Domingo às 17h. Duração: 140 minutos. Classificação etária: 14 anos.

Ingressos a partir de R$30 (inteira) e R$15 (meia entrada).

Ocupação Lydia Hortélio

No dia 20 de Julho será inaugurada a 45 ª Ocupação do Itaú Cultural, desta vez sobre a educadora Lydia Hortélio

Nascida em 1932, em Salvador (BA), e criada em Serrinha, cidade do sertão baiano, ela defende a cultura da criança e a liberdade conquistada pelo ser humano, pequeno ou grande, que brinca e entoa cantigas. Na mostra, o público é convidado a entrar em um universo repleto de singelezas, desde as referências às paisagens naturais até o brincar com cinco pedrinhas. Fotografias, manuscritos e vários depoimentos recriam a trajetória das pesquisas da sábia que, aos 86 anos, permanece também menina. Além do espaço expositivo, há uma publicação impressa, distribuída gratuitamente na recepção do instituto a partir do dia de abertura, e uma série de conteúdos on-line, como entrevistas em vídeo com Lydia e profissionais ligados a ela. 

Onde: Av. Paulista 149

Entrada gratuita.

Sangria

Já está disponível para assistir online o filme Sangria de Luiza Romão e Sérgio Silva.

São 28 poemas, 28 performances, 28 dias (tal qual um ciclo menstrual) nos quais a história brasileira é revisitada pela perspectiva de um útero. Desenvolvido de forma independente, o filme contou com a participação de mais de 50 mulheres.  Durante o processo, cada um dos poemas foi entregue a uma artista diferente; e como resposta, cada convidada criou uma performance/intervenção, utilizando-se de sua linguagem artística (fotografia, dança, grafite, teatro, figurino, iluminação, etc). Mais do que tudo, Sangria é um grito coletivo contra a violência de gênero, a cultura do estupro e o patriarcado latino-americano. Lançado em Outubro de 2017, o filme foi eleito Melhor Longa-metragem Experimental no Ciudad de Mexico International Film Festival (2018) e no FICMARC – Caribbean Sea International Film Festival (2019); recebeu Menção Especial no Festival Internacional de Cine Político – Argentina (2018) e participou da Seleção Oficial do Festival Internacional de Cine de Bayamón – Porto Rico (2018).

Série de Ava DuVernay

Para as frequentadoras de Netflix ou Popcorn Time, recomendo a minissérie “When they see us” (Olhos que condenam) da diretora premiada Ava DuVernay

***Se não gosta de spoiler, não leia as próximas linhas. 

Baseada em uma história real, Olhos que Condenam retrata o famoso caso dos Cinco do Central Park – cinco adolescentes negros do Harlem condenados por um estupro que não cometeram. A minissérie em quatro partes reconstitui a trajetória de Antron McCray, Kevin Richardson, Yusef Salaam, Raymond Santana e Korey Wise, dos primeiros interrogatórios em 1989 à absolvição em 2002 e o posterior acordo de indenização com a prefeitura de Nova Iorque em 2014.

Os lançamentos musicais delas em 2019

Para quem está em busca de novas trilhas sonoras para os próximos dias, aí vai uma playlist feita com lançamentos do primeiro semestre de artistas brasileiras. Aperte o play e embale seus trajetos até a atividade cultural mais próxima ou até o seu sofá.


* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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