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3 de novembro de 2025

COP30: AzMina vai à conferência cobrar justiça climática com foco em gênero

Somos o único veículo com recorte de gênero na Casa do Jornalismo Socioambiental, iniciativa que reunirá profissionais e mídias de todo o país

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Na conferência, a equipe d’AzMina se junta a jornalistas de todo o Brasil na Casa do Jornalismo Socioambiental — uma iniciativa para fortalecer vozes e ampliar narrativas sobre a Amazônia, o clima e o meio ambiente.

Colagem digital com o título “AZMina na COP30”, com fundo verde e laranja, e mostra três mulheres — uma com notebook azul, outra de cabelo curto e franja, e uma mulher mais velha, todas com roupas em tons de laranja.

Em menos de duas semanas, as atenções do mundo estarão voltadas para Belém (PA), cidade sede da COP30. E, para garantir que a cobertura da Conferência do Clima seja feita com diversidade de olhares e abordagens, 21 veículos brasileiros se uniram em uma iniciativa inédita: a Casa do Jornalismo Socioambiental. A Revista AzMina estará lá, garantindo um recorte específico: seremos o único veículo com cobertura focada em gênero dentro da Casa.

Desde a primeira Conferência das Partes (COP), as negociações climáticas avançaram sem incluir, de forma consistente, a perspectiva de gênero. De acordo com uma análise de dados da ONU Mulheres, a integração começou a aparecer somente em 2001 e, mesmo assim, de forma tímida. Nas edições 24 a 26 da COP, por exemplo, o relatório mostra que apenas 16% dos países mencionaram gênero em seus discursos, e, em geral, de modo superficial.

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Feminismo bem informado

O impacto das mudanças climáticas não é neutro: ele tem gênero, cor e território. São as mulheres, especialmente as negras, indígenas, periféricas e do Sul Global, que mais enfrentam os efeitos diretos das secas, enchentes e deslocamentos. Elas sustentam comunidades, cultivam alimentos e protegem florestas e rios. Ainda assim, continuam sub-representadas nas negociações internacionais: em 2023, apenas 36% das delegadas da COP eram mulheres, e poucas ocupavam cargos de decisão, conforme relatório da ONU.

Mulheres protagonistas na pauta

O convite para integrar a Casa do Jornalismo Socioambiental chegou em um momento de interesse crescente d’AzMina nas pautas ambientais. Nos últimos anos, a revista tem se dedicado a mostrar como a crise climática impacta de forma desproporcional meninas, mulheres e pessoas com útero, e como elas têm sido protagonistas nas respostas locais à emergência climática.

Este ano, o papel das mulheres indígenas na preservação do meio ambiente e do respeito à natureza esteve em destaque na reportagem especial de 8 de Março — Dia Internacional da Mulher. Além disso, estamos produzindo um documentário com “guardiãs do futuro”, mulheres que lutam para deter a devastação que ameaça as próximas gerações. 

Ao longo deste ano, AzMina também denunciou impactos diretos da degradação ambiental sobre diferentes comunidades, a exemplo da reportagem sobre as marisqueiras e pescadores que estão adoecendo devido à contaminação em alguns estados do Nordeste. E a reportagem sobre a migração forçada de mulheres indígenas por conta de crimes ambientais na Amazônia ganhou o prêmio internacional CCNow Journalism Awards de 2025, na categoria Deslocamentos e Migrações para matérias em texto.

É por isso que, durante a COP30, AzMina vai pautar ainda mais a interseção entre gênero, clima e justiça social, com reportagens, entrevistas, bastidores e análises sobre como as políticas ambientais (ou ausência delas) impactam corpos e vidas. 

Leia Mais: Mulheres na linha de frente e às margens da COP30

Quando começamos? 

AzMina estará na Casa do Jornalismo Socioambiental antes mesmo do início da COP30, que será realizada de 10 a 21 de novembro. O espaço será uma base central e operacional para hospedar jornalistas de diferentes estados do Brasil e contará com uma extensa programação voltada aos profissionais da comunicação e à sociedade civil. 

As atividades começam em 3 de novembro e são resultado de um esforço colaborativo para incluir novas abordagens — locais e globais — e ampliar a audiência durante o evento. A partir dessa data, você poderá acompanhar no nosso site e redes sociais, os conteúdos produzidos pela AzMina e os demais veículos presentes na Casa, uma cobertura diversa e completa. 

Ao longo do mês, a Casa também contará com oficinas, painéis, debates e outras atividades sobre jornalismo e temas socioambientais, além de lançamentos de relatórios, ferramentas e outros produtos para a imprensa e a sociedade civil. A programação completa será divulgada em breve.

Leia Mais: Pescadoras e marisqueiras adoecem devido à contaminação das águas em estados do Nordeste

Fortalecendo o jornalismo socioambiental

Antes, durante e depois da COP30, os 21 veículos de comunicação compartilharão e republicarão entre si os conteúdos produzidos para informar melhor seus públicos sobre a conferência e a Cúpula de Líderes.

“Estou feliz em cobrir um evento tão grande sobre negociações climáticas colocando gênero no meio, porque esse é um tópico esquecido nesses espaços e na mídia comercial. Estar lá e fazer essa cutucada é muito importante para o mundo, como um todo, mas principalmente para quem é mais afetada: mulheres e crianças racializadas do Sul Global”, afirma Flávia Santos, repórter enviada para a cobertura d’AzMina.

Os veículos parceiros também contarão com infraestrutura de trabalho durante todo o mês. A Casa será um hub para dezenas de jornalistas de todo o país, que terão acesso a um ambiente para trocar informações e fazer novos contatos e parcerias em coberturas colaborativas.

Leia Mais: Elas cultivam o futuro: produtoras de alimentos aliam escala e sustentabilidade

O conteúdo inédito e colaborativo

Os veículos que integram a Casa do Jornalismo Socioambiental terão diferentes produtos para ampliar o alcance e garantir a cobertura em tempo real, mas com profundidade e contexto.

Entre as novidades da cobertura colaborativa está o feed em tempo real, uma plataforma que reunirá atualizações minuto a minuto sobre os eventos oficiais e paralelos da COP30 em Belém. Com conteúdo multimídia — incluindo texto, fotos, áudios e vídeos curtos —, será constantemente atualizado por mais de 30 repórteres de veículos nacionais e locais especializados em cobertura socioambiental.

O feed em tempo real será incorporado nos sites de todos os parceiros que participarão da cobertura, além de possibilitar que os leitores tenham um aprofundamento dos temas de interesse ao direcioná-los para as reportagens completas de cada veículo.

Ao reunir dezenas de jornalistas em um mesmo esforço, a iniciativa aposta em uma cobertura plural que deve marcar a COP30 como um dos principais exercícios colaborativos do jornalismo socioambiental no Brasil.

Quem são os parceiros e apoiadores?

A iniciativa da casa foi idealizada e organizada ao longo do último ano pelas equipes de InfoAmazonia, #Colabora, Envolverde, Eco Nordeste, ((o))eco, Amazônia Vox, Associação de Jornalismo Digital (Ajor) e Open Knowledge Brasil.

Também fazem parte do esforço de cobertura: Agência Pública, Alma Preta, Ambiental Media, AzMina, Carta Amazônia, Ciência Suja, Intercept Brasil, Nexo, O Joio e O Trigo, Repórter Brasil, Revista Cenarium, Site Independente A LENTE, Agência Urutau, O Varadouro e Voz da Terra.

Para tornar a cobertura mais diversa e representativa, os veículos irão dividir entre si, todos os dias, os temas de maior interesse. Assim, evitarão repetir as mesmas histórias e ampliarão o alcance da produção jornalística, dando centralidade às vozes das periferias e dos povos tradicionais e aos desafios das negociações climáticas.

Audiências internacionais também terão acesso à cobertura, com mais de 70 reportagens traduzidas e disponibilizadas para meios de comunicação que publicam em inglês e espanhol. O que ocorre por meio da difusão das agências LatAm Intersect PR, Burness Approach, Impronta Comunicación Estratégica e Mullenlowe, além de parceiros dos veículos que compõem a iniciativa. Toda a produção será disponibilizada gratuitamente para a Rede Cidadã InfoAmazonia, uma coalizão de 25 organizações de jornalismo dos nove estados amazônicos.

A Casa de Jornalismo Socioambiental é financiada pela Climate and Land Use Alliance (CLUA), cujo apoio estruturante viabiliza a iniciativa. Conta com o apoio da Fundação Itaú, com participação ampliada nas ações, e do Instituto Clima e Sociedade (iCS), que contribui de forma relevante para a consolidação do projeto.

Completam a rede de apoio Amazon Conservation Association, Pulitzer Center, Greenpeace, Covering Climate Now, Fundação Heinrich Böll, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), Oxfam Brasil, Ciência Hoje, Fundação Rosa Luxemburgo, ITS Rio e a Iniciativa AdaptaCidades, implementada pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) GmbH e pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com recursos da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) e do Fundo Verde para o Clima (GCF).

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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