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Quem foi Almerinda Gama, mulher negra que lutou pelo voto feminino no Brasil

Sufragista, jornalista e sindicalista, ela enfrentou o racismo e o machismo para ampliar a participação política das mulheres no Brasil

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Você sabe quem realmente lutou pelo voto feminino no Brasil? A resposta não é fácil, já que os livros de história costumam ignorar mulheres que se destacaram na  construção da nossa democracia. Uma dessas lideranças é Almerinda Farias Gama: mulher negra, nordestina e sindicalista, que enfrentou o machismo e o racismo estrutural para ocupar espaço na política.

Vídeo d’AzMina conta a história de Almerinda Gama

Nascida em Maceió (AL), Almerinda mudou-se ainda criança para Belém (PA). Desde cedo, ela percebeu que a educação era sua maior ferramenta de emancipação. Porém, ao entrar no mercado de trabalho formal, a dura realidade bateu à porta: a jovem descobriu que os homens ganhavam salários muito maiores para exercer a mesma função. 

Indignada com a disparidade salarial, a trabalhadora começou a usar a imprensa da região para publicar crônicas denunciando a desigualdade de gênero.

Anos depois, a alagoana se mudou para o Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades profissionais e políticas. Na então capital federal, ela se uniu à Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, uma organização sufragista.

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A atuação no movimento sufragista brasileiro

O movimento feminista precisava ocupar os espaços oficiais de decisão e Almerinda encontrou desenvolveu uma estratégia para abrir uma brecha no sistema eleitoral de 1933. Com a criação de uma cota para deputados eleitos por sindicatos, a feminista articulou a fundação do Sindicato dos Datilógrafos e Taquígrafos e se tornou a única mulher a votar naquela eleição.

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Pouco tempo depois, ela fundou um partido operário e se candidatou a deputada federal. Na campanha eleitoral, Almerinda defendia ensino gratuito, licença-maternidade e direitos trabalhistas — pautas que muitas vezes ficavam em segundo plano no feminismo de elite.

Essa exclusão estrutural permanece até hoje, com a ausência de mulheres negras em cargos de poder e decisão. O racismo tenta, sistematicamente, silenciar essas lideranças. Quando Almerinda faleceu, em 1999, o Estado cometeu uma violência burocrática contra sua memória: o atestado de óbito registrou sua cor como “branca” e negou que ela fosse eleitora.

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O legado para as mulheres negras na política

Essa tentativa de apagamento deixa uma lição: os direitos das mulheres e das trabalhadoras negras exigem luta e vigilância contínuas. 

A biografia “Almerinda Gama: A sufragista negra”, da jornalista Cibele Tenório, é a obra selecionada para a próxima edição do Clube do Livro d’AzMina, em parceria com o projeto História Guardada. O encontro acontece no dia 20 de julho, com acesso gratuito para todo o público. Inscreva-se pelo link disponível no nosso perfil no Instagram @revistaazmina.

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