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11 coisas que você precisa saber antes da primeira vez

Para não esquecer: tudo bem escolher esperar, tudo bem escolher transar. Só você sabe o que é melhor para você!

Esta reportagem foi produzida em parceria com a campanha Ela Decide

Aposto que se você já teve a sua primeira vez vai ficar com o pensamento: porque eu não li essa lista antes?! Mas tudo bem, ela vale para muitas garotas e arriscaria até dizer que para as relações de quem não é mais virgem. Afinal, todas nós sentimos desejos e, infelizmente, esse assunto ainda é tabu, o que dificulta a conversa. Mas aqui não, vamos falar de sexo como o que ele é: algo natural!

A primeira transa envolve muitas questões além do desejo em si. Maturidade, autoconhecimento, entender o próprio corpo, a sensualidade e o seu erotismo. Além disso, é importante saber quais os cuidados devemos ter com nosso corpo. E sabe o que faz diferença em tudo isso? Ter informação confiável para poder fazer suas escolhas. 

Então, vamos lá! Se liga nessas dicas básicas e necessárias que preparamos pra você com a ajuda da psicóloga e sexóloga, Cristiane Yokoyam.

1. Conheça seu corpo

Você conhece o seu corpo? Conversa com ele? Muitas garotas não têm o costume de se tocar, de conhecer cada partezinha do corpo de que é dona. É observando-o e sentindo-o que você percebe que ele não é mais infantil e passa a entender quais os seus desejos e as suas zonas de prazer.

Sim, estamos falando de masturbação! Não tenha vergonha. É o momento de você conhecer o seu erotismo e tirar prazer do próprio corpo. É algo super saudável, pois sabendo ter prazer consigo mesma é mais tranquilo ter prazer com o outro. Daí você vai entender o quanto seu corpo está amadurecido e pronto para uma relação sexual.

Leia mais: Por que tantas mulheres odeiam suas vaginas?

2. Menstruar NÃO determina quando transar

É um grande mito dizer que ao entrar na fase da menstruação, automaticamente a garota está pronta para a primeira relação sexual. Não é assim! Tem muitas meninas que menstruam muito jovens, com 10 anos, por exemplo.

O início da vida sexual, tanto para a menina, quanto para o menino, não é algo somente hormonal. Os fatores emocionais também são muito importantes! O momento certo é quando você já está bem com seu corpo e se sente pronta para ter intimidade com outra pessoa.

3. Tenha consciência dos riscos

Ninguém precisa ter medo, não! Mas é importante saber que há alguns riscos envolvidos no sexo. Sim, estamos falando de gravidez não intencional e infecções sexualmente transmissíveis. O negócio para lidar com isso é ser consciente. Sabendo dos riscos, você pode preveni-los. 

4. Responsabilidade consigo mesma

A pessoa com quem você mais deve se preocupar no sexo não é o outro e sim você mesma. E ser responsável com você passa por um monte de coisas: desde se informar para tomar os cuidados necessários para ter uma vida sexual saudável, até respeitar seus limites. 

Além disso, a responsabilidade na cama passa pela vida fora dela. Um bom exemplo é com relação ao uso da pílula anticoncepcional. Muitas meninas começam a tomar, mas não têm a responsabilidade devida para tomar diariamente e da forma correta, e acabam esquecendo, o que deixa a pílula bem menos eficaz e aumenta os riscos. 

5. Use camisinha!

Não tem essa de não querer usar preservativo! É algo extremamente necessário. Seja namoro, ficante ou amigo, a camisinha é peça fundamental em uma relação sexual. Se o garoto não quiser usar, você pode usar a camisinha feminina que é tão eficaz quanto a camisinha tradicional. Ela ainda é pouco conhecida, por isso há pouca demanda, então não é difícil de encontrar, até em pontos de distribuição gratuita. 

Lembrando que tomar pílula não acaba com a necessidade da camisinha, porque a pílula não previne doenças! 

E sem esquecer quando rola aquele apelo emocional. Um papo do garoto de “Ah, se você quer mesmo ficar comigo…” ou “Se você me ama…”. Não caia nessa! Ame o seu corpo primeiro. Esse papo não tá com nada! 

Se me ama, a prova de amor é o uso do preservativo. Se recusar a transar com preservativo é sinal de que esse cara não é a pessoa pra você, hein?! Provavelmente ele já fez isso ou faz isso com outras garotas. Não entre nessa furada e não coloque seu corpo em risco. 

Leia mais: Saúde sexual da mulher lésbica

6. Não é para doer

Você já deve ter ouvido que “é normal” doer na primeira vez. Mas não. O sexo não pode ser algo doloroso, mesmo que na primeira vez. É um grande mito. Pode ser que se sinta um certo desconforto, mas não dor.  Daí a importância de você estar bem preparada, conhecendo o seu corpo e sabendo que existe um hímen, que pode ser rompido, ou não, necessariamente. 

A dor, muitas vezes, acontece quando não há uma lubrificação adequada – e às vezes é preciso tempo mesmo para que a vagina fique lubrificada. O importante é estar tranquila, sem pressa e respeitando o tempo do seu próprio corpo. 

Claro que um pouco de nervosismo e ansiedade vão estar presentes. Daí uma  saída é usar um lubrificante à base de água para ajudar. Mas tem que tirar esse mito de que a primeira vez dói. O ato não é para ter dor, mas sim ser prazeroso! Inclusive, pode sangrar sim, mas isso também não é obrigatório, tá?

7. Todo mundo tem que gostar

Pode parecer óbvio, mas vale lembrar que o sexo deve ser prazeroso para todo mundo envolvido. Se está ruim, doendo ou desconfortável, não é obrigação sua continuar só para agradar a outra pessoa. Nesse momento, a parte de conhecer seu corpo é muito importante: assim você saberá dizer do que gosta e ajudar seu parceiro ou parceira a te proporcionar prazer também. 

8. Sexo oral é sexo!

Pode ser que algum cara tente te convencer a fazer sexo oral “para não perder a virgindade”. Nessas horas é importante saber que sexo oral é sexo também. Tudo bem querer fazer, mas isso deve ser uma escolha sua.

9. Para quem contar? 

A confidencialidade é uma escolha sua! Pode ser bom compartilhar um momento importante da sua vida, com uma amiga íntima, melhor amiga, sua mãe ou alguém em quem confia. É um sinal de que você tem pessoas que fazem parte da sua vida e que são importantes para você e é recíproco. 

O importante é dividir isso com pessoas que sejam do seu círculo de confiança, com quem você tenha um vínculo positivo e saudável. E o melhor é que essa conversa, muitas vezes, pode até ser antes da relação sexual em si, e acaba servindo para você tirar dúvidas e compartilhar preocupações.

10. E se na hora eu não quiser mais? 

Agora, atenção! Disse que queria e mudou de ideia? Perdeu a vontade? Ficou desconfortável? Sentiu dor? Pode parar, sim! A qualquer momento. É melhor parar e tentar outra hora e está tudo bem. Isso acontece e muito! Afinal, é a primeira vez. É normal estar um pouco nervosa e ansiosa. Para isso é importante que você tenha intimidade e confie na pessoa que estará com você, para que saiba entender e respeitar sua decisão. 

11. Tudo bem transar, tudo bem esperar

Não entre na onda da pressão ou piada das outras pessoas. Você é a única pessoa capaz de dizer se está pronta, ou não. Vai ter gente dizendo que você devia transar logo ou que você devia se guardar. Mas a única opinião que conta nessa hora é a sua. Não faça ou deixe de fazer pelos outros. 

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