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5 de dezembro de 2019

“Por que as sogras são um problema para nós?”

Luisa senta no Divã e propõe uma abordagem mais feminista na relação com as nossas sogras
Placa à venda no Mercado Livre (Reprodução)

“‘Você vai ser sogra’. Ouvi da mãe do meu amigo com um tom humorado na primeira vez que saí de casa sem minha filha.

‘Vocês só compartilham coisa boa: diabetes gestacional, ex e sogra.’ Li essa ironia no grupo de grávidas quando uma integrante me reconheceu como “ex do ex dela”.

Estou em alguns grupos de mães no Whatsapp onde falar mal da sogra é rotina (tem a ver com aquela chuva de palpites que cai quando colocamos pessoas no mundo, mas os comentários das sogras são sempre mal recebidos). 

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Isso me faz pensar: Por que as sogras são um problema para nós? Não costumo ver, ouvir ou ler reclamações sobre sogros ou pais das mães que, acreditem, na maioria das vezes colaboram bem menos. 

Argumentam para mim que a rivalidade existe porque ‘o amor de mãe transforma a mulher numa leoa que protege sua cria, daí a companhia escolhida nunca será boa o suficiente…’ e por isso são elas quem têm que se transformar e serem mais acolhedoras, mas alguém já ouviu piada de nora ou genro?

Pode ser que eu tenha dado sorte até agora com as minhas sogras, as boas relações que tive não se comparam às histórias que ouço por aí (algumas bem perto de mim). Mas a mãe do meu amigo tem razão, um dia eu serei a sogra de alguém, afinal, quero mais é que minha filha ame muito.

Por isso trago aqui essa luneta, para começarmos a enxergar essa relação de um modo mais feminista, principalmente quando cai no eixo nora-sogra com um macho no meio. Será que conseguimos pôr uma sororidade nesse sanduíche? 

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(Pausa para comentar sobre relacionamentos lésbicos em que, quando há desafeto, geralmente passa por homofobia, tipo um ‘você está levando minha filha para o mau caminho’, aí é caso que não posso defendê-las, ok?) 

Dizem que com nossos filhos deveríamos evitar rótulos como ‘bagunceiro’, ‘difícil de dormir’, ‘só chora’, porque as palavras têm força e as crianças podem vestir os personagens que criamos.

Pensando pelo caminho inverso, quando descolorimos o papel de vilã das sogras, podemos ajudar a tirar essa faixa de espinhos que colocaram sobre elas. Por isso, quando for distribuir abraços neste Natal, comece por sua sogra, ou se a palavra já vem cheia de pré-conceitos, comece pela mãe do seu amor.”

Quem senta no Divã hoje é a Luisa Toller, colunista d’AzMina.


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Luisa Toller é musicista, educadora, colunista da Revista Azmina e mãe militante. Tem formação pela Unicamp e um mestrado sobre música e gênero concluído em 2018 na Eca-USP. É tricampeã do concurso de marchinhas Nois Trupica Mais Não Cai com composições feministas que viralizaram com webhits. Já desenvolveu atividades pedagógicas sobre desconstrução de estereótipos de gênero na Graded School, participou de mesas e palestras na Caixa Cultural, semana Delas na faculdade arquitetura da Mackenzie SP, comunicação da Puc-SP, jornalismo na UNB, Instituto Ruth Cardoso e na editora SM Educação. Além disso integra os grupos Meia Dúzia de 3 ou 4, Vozeiral e Bolerinho.

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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