Esqueça a ideia de que o feminismo é um produto importado da Europa ou dos Estados Unidos. No Brasil, uma mulher revolucionou a forma como entendemos gênero, raça e classe ao colocar o pé na porta da academia e a voz nas ruas. Neste episódio do quadro AzMina da História, mergulhamos na trajetória de Lélia Gonzalez, a intelectual que desmascarou o mito da democracia racial.
Lélia subverteu o movimento ao questionar o feminismo branco e eurocêntrico dos anos 80, que ignorava como o racismo e o colonialismo moldavam a vida das brasileiras. Ao valorizar o “pretuguês”, ela tirou a teoria do pedestal e a transformou em ferramenta de denúncia. Para Lélia, a base da nossa sociedade foi erguida pelo trabalho e pela luta das mulheres negras e indígenas, e qualquer feminismo que não olhasse para isso estaria apenas repetindo privilégios.
Foi a partir dessa crítica que ela cunhou o conceito de Amefricanidade, uma categoria política que une a experiência de resistência de negros e indígenas em toda a “Amefrica Latina”. Lélia nos ensinou que a nossa identidade é forjada em táticas de sobrevivência contra o sistema colonial e que, em solo brasileiro, é impossível combater o sexismo sem enfrentar, no mesmo passo, o racismo e o elitismo. Conhecer Lélia é entender que o feminismo negro que defendemos hoje tem raízes profundas na nossa própria história.
