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29 de setembro de 2016

“O feminismo me ajudou a sair de um relacionamento abusivo”

Ele não me deixava tirar a calcinha no sexo porque achava a cicatriz da cesárea feia! Depois de um "addedaço" no Facebook, comecei a ler sobre o feminismo e percebi que eu merecia mais.

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relacionamento abusivo 2
Self-Portrait in Rede, Paula Rego

“Fui casada por cinco anos e logo no início do relacionamento engravidei. Tive uma menina linda! Mas uma coisa que eu demorei para perceber é que meu relacionamento sempre foi abusivo, porque por muito tempo eu achei que a culpa de tudo que dava errado era minha. Muitas vezes não entendemos o que é abuso quando vem do parceiro que a gente “ama”. Se já é muito difícil enxergar, é mais ainda sair da relação.

Nosso relacionamento era baseado em muito controle. Ele não me deixava sair de casa nem pra ir à padaria da esquina sem que ele fosse junto, ficava cuidando quanto tempo eu estava online no whatsapp, ria de mim com os amigos, me chamava de vagabunda a cada discussão. E eu achava que isso era cuidado!

Com o tempo, fui conhecendo casais com relacionamentos saudáveis e aquilo pra mim era absurdo! Ver a liberdade que as minhas amigas tinham, eu achava até que era errado, achava que elas não podiam sair sozinhas sem os maridos, porque aquilo não era uma realidade pra mim. Mas conviver com elas aos poucos foi me fazendo perceber que ele não me deixava crescer. Comecei a ver que dentro da nossa relação eu até podia estar bem, mas nunca melhor que ele.

Lembro quando eu quis tirar carteira de motorista e ele não deixou, com a justificativa de que eu não iria mais precisar dele pra nada. Não me deixava aceitar propostas de trabalho, porque imagina uma mulher ganhando melhor que o homem da casa! Isso pra ele é absurdo.

Mesmo assim, minha natureza me empurrava para frente e eu fui me libertando, crescendo no trabalho, ainda tentando levar meu casamento de algum jeito, mesmo sem que ele deixasse eu ir na casa da minha mãe sozinha.

Tudo mudou no começo desse ano, quando aconteceu um “adedaço” no Facebook – explicando, foi quando um monte de mulheres feministas adicionaram um monte de outras mulheres na rede social para compartilhar suas ideias. E minha timeline se encheu de posts feministas!

Comecei então a estudar mais sobre isso e ver o quanto meu ponto de vista em relação a mim mesma era machista e completamente errado! Claro que eu comecei a perceber que eu merecia mais, que eu merecia ser dona da minha vida!

Perceber isso e ler histórias de outras mulheres me deu força. Enfim me livrei do marido que não me deixava tirar a calcinha na relação porque não gostava da marca da minha cesariana e fui ser feliz.

Hoje estou MARAVILHOSAMENTE BEM com a minha filha, dando o melhor pra ela e para mim.  E agora para namorar comigo, só mesmo sendo maravilhoso, que não me pode, que me diga o quanto sou linda do jeito que sou e me aceite cada imperfeição minha. Porque agora eu sou cada vez mais forte e independente e não vou parar, não”.

O Divã de hoje é anônimo. 


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* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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