logo AzMina
16 de maio de 2016

“A prisão do ex-BBB foi um alívio para as espectadoras do programa – e todas as brasileiras”

Lau acompanhou o programa de voz embargada e aqui faz um desabafo sobre o desfecho do caso: "foi um grande papelão da emissora e um enorme desserviço público"

Hoje o Divã é da Lau Pacheco

maxresdefault

“Louca”, “Descontrolada”, “Histérica”.

Foram esses os adjetivos que ouvi usarem para referir-se a Ana Paula, ex-BBB, que criticou a atitude do seu colega de confinamento, Laércio, devido ao comportamento que, aos olhos de Ana, era abusivo em relação às mulheres mais novas da casa e, também, por ele ter declarado possuir uma “queda” por meninas “novinhas”. Inclusive, ele ainda admitiu ter um relacionamento com uma garota de 17 e outra de 19 anos. Do outro lado da telinha, eu acompanhava tudo cheia de angústias.

Rotulada como “doida”, Ana Paula foi alvo de críticas severas e as suas falas proferidas a Laércio caíram como “mais um dos exageros dela”, pois, afinal, ela “gostava de dar escândalo”. Veja bem, não estou aqui defendendo a personalidade da Ana Paula, a intenção não é essa, mas, sim, o que esse tipo de programação significa para a mulher brasileira. Não é a primeira vez que o Big Brother Brasil, da Rede Globo, coloca pessoas de índole duvidosa para participar do programa – tudo em nome da audiência. Basta lembrar de Yuri Fernandes, preso em flagrante por ter agredido a namorada. Isso precisa acabar! Não podemos deixar que os homens brasileiros fiquem ouvindo, na televisão, que ir atrás de “novinhas” é tudo bem. Nós e nossas filhas que pagamos o pato depois!

Indo um pouco mais adiante no tempo, quando Laércio saiu da casa, aconteceu o que, na minha opinião, foi um show de horrores. Convidado, como de praxe, para ir ao programa Mais Você – nesse momento apresentado pela Cissa Guimarães e pelo André Marques – eu presenciei algo que nunca imaginei: um programa, com tal repercussão, jogar panos quentes sobre um assunto tão sério como a pedofilia. Teve espaço, até, para uma Doutora em Direito Público abordar o tema sobre a ótica jurídica.

Pois é. E teve mais, a apresentadora Cissa Guimarães alegou ter muitos amigos de 17 anos e que eles “cuidavam” dela. André Marques, também, comentou que tais jovens eram mais maduros que a própria Cissa. E todos riram.

Mas eu não ri e tenho certeza de que diversas mulheres sentiram o mesmo nojo e repúdio que eu. Vivemos em um país machista que sexualiza, a todo o momento e cada vez mais cedo, as nossas meninas. Foi um grande papelão da emissora e um enorme desserviço público.

Estão curiosos para o final – nada espantoso – dessa história? Hoje acordei com a seguinte notícia: “Ex-BBB Laércio é preso por estupro de vulnerável em Curitiba”. A detenção do ex-BBB aconteceu por conta de uma ação do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria). Ele foi preso em seu apartamento, no bairro do Batel e não tem prazo para sair em liberdade. Pior: queria até lançar vaquinha virtual para ser liberto!

Screen Shot 2016-05-16 at 5.24.03 PM

Pois é, migas, seguiremos na luta, ainda que com a voz embargada.

Lau Pacheco é formada em Letras pela Universidade Federal de Alfenas. Sua mãe a considerou uma escritora desde os 6 anos, quando deu de presente um caderno brochura destinado às histórias que Laura criava. Hoje, aos 24 anos, ela é dona do blog e canal literário Ânsia na Fala, professora de Redação, Literatura e Revisora de textos. Já trabalhou, também, dando aulas de Inglês e Gramática. Além de ter ministrado diversas palestras, minicursos e oficinas.

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Quem está na cola do machismo mesmo?

Desde 2015, AzMina está do lado das mulheres e da luta pelos nossos direitos. E, ao nosso lado, nós tivemos muitas leitoras e leitores, que financiam o nosso trabalho e acreditam que jornalismo feminista deve chegar a todos. Graças aos nossos apoiadores, impactamos a vida de milhares de mulheres e produzimos cada vez mais conteúdos e projetos. Nossas reportagens, vídeos, podcasts, campanhas de conscientização e projetos como o PenhaS e o Elas no Congresso são totalmente gratuitos.

Se você valoriza tudo isso, considere fazer uma doação. Junte-se às mais de 500 pessoas que tornam o nosso trabalho possível. A maior parte dos nossos apoiadores contribui com R$ 20 mensais e cada real é importante.

O jornalismo feminista independente é muito essencial à Democracia sempre. Mas no Brasil de 2021, não podemos descuidar nem um dia. Para isso, AzMina depende de você.

APOIE A CONTINUIDADE DESSE TRABALHO HOJE!