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23 de março de 2020

5 dicas para uma quarentena feminista

Em tempos de crise, precisamos nos unir para seguir as orientações de quarentena e continuar lutando contra o patriarcado

O feminismo está o tempo todo debatendo e lutando contra a divisão sexual do trabalho e a precarização do trabalho das mulheres. Mas é em tempos de crise, como a atual da pandemia do coronavírus, que fica mais evidente como essas opressões funcionam e ainda mais necessário nos unir para atravessar esses tempos difíceis.

Então aí vão cinco dicas para você seguir as orientações de quarentena e continuar lutando contra o patriarcado:

1. Dê condições para que todas façam quarentena

Se você está trabalhando em casa, permita que as pessoas que te prestam serviço também façam quarentena. Terapeutas, professores de exercícios físicos e principalmente faxineiras e diaristas.

Para isso é importante que você continue remunerando essas pessoas, em sua maioria mulheres, que vão continuar precisando de dinheiro para se sustentar.

Leia mais: Como evitar que domésticas sejam uma incoerência feminista?

2.  Divida as tarefas domésticas

Hoje, mais do que nunca, divida as tarefas domésticas. Filhos sem escola? Adultos trabalhando em casa? Ajudante dispensada (sem descontar pagamento)? Não pode sobrar tudo para uma mulher!

Que sejam divididas as funções de faxina, compras, cozinha, louça, arrumação, roupas, lixo e entretenimento.

Ah, e uma dica específica para os homens: proatividade. Nada de ter que ser lembrado pela mulher sobre o que precisa ser feito para a casa ou para as crianças. Carga mental agradece. 

3. Rede de apoio para mães

Faça parte da rede de apoio de mães. Se ofereça para trazer compras de mercado e farmácia, ou para cuidar das crianças caso esta mulher precise de algumas horas para trabalhar em paz – ou quem sabe dormir?

Conteúdo para entreter os filhos? Ótimo! Mas proatividade aí também cabe. Porque uma mãe sobrecarregada não precisa de mais funções como ter que proporcionar várias brincadeiras por dia com uma variedade de materiais que ela provavelmente não vai ter em casa. 

Leia mais: Mães solo têm lugar central na inédita renda emergencial

4. Fique atenta a sinais de violência doméstica

Fique de olhos e ouvidos abertos na vizinhança e ofereça apoio – incluindo estadia – caso tenha alguma amiga, familiar ou vizinha esteja em situação de violência doméstica. Na China o isolamento por quarentena provocou um aumento de casos de violência doméstica.

Lembrando que a violência não é só física, ela pode ser também sexual, psicológica, moral e patrimonial.

Se você está sofrendo violência, baixe o aplicativo PenhaS, onde pode ter acesso a informações sobre delegacias da mulher, conversar de maneira anônima, produzir provas contra o agressor ou até traçar sua rota até pontos de acolhimento.

Leia mais: Violência doméstica: o que é e quais são os tipos

5. Fortaleça o trampo de mulheres

Procure fortalecer o trabalho de outras mulheres que vendam comida, cursos, produtos ou conteúdos artísticos. Pode ser apoiando financeiramente, se você tiver condições, ou mesmo divulgando o trabalho. Vamos garantir a autonomia financeira de todas.

Luisa Toller é musicista, educadora, colunista da Revista Azmina e mãe militante. Tem formação pela Unicamp e um mestrado sobre música e gênero concluído em 2018 na Eca-USP. É tricampeã do concurso de marchinhas Nois Trupica Mais Não Cai com composições feministas que viralizaram com webhits. Já desenvolveu atividades pedagógicas sobre desconstrução de estereótipos de gênero na Graded School, participou de mesas e palestras na Caixa Cultural, semana Delas na faculdade arquitetura da Mackenzie SP, comunicação da Puc-SP, jornalismo na UNB, Instituto Ruth Cardoso e na editora SM Educação. Além disso integra os grupos Meia Dúzia de 3 ou 4, Vozeiral e Bolerinho.

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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