logo AzMina

Seis medidas para aumentar número de mulheres na política

A professora de Ciência Política da Unb Flávia Biroli lista seis medidas que poderiam aumentar o número de mulheres eleitas. "É preciso que 30% de cotas tenham validade também para a distribuição do fundo partidário".
“Seria importante que todos os partidos tivessem cotas nos cargos de direção. Os partidos hoje funcionam como um gargalo e repõem o domínio histórico masculino na política”, diz Flávia Biroli. (Foto: Acervo Pessoal)

A professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (Unb) Flávia Biroli lista seis ações que podem aumentar a participação das mulheres na política.

Cobrar o TSE

Inicialmente, nossa legislação de cotas não obrigava os partidos a preencherem os 30%. Depois, passou a obrigar que fossem preenchidos, mas não havia punição. Mais recentemente, passamos a ter, por pressão das mulheres, fiscalização e punição. Com isso, o número de candidaturas “laranjas” aumentou. É preciso cobrar do TSE mecanismos para fiscalizar e punir os partidos também nesses casos. 

Cotas para financiamento de campanhas

Para aumentar o número de mulheres eleitas, é preciso no mínimo que os 30% de cotas tenham validade também para a distribuição do fundo partidário.

Política também é lugar de mulher

É preciso deixar claro para meninas e meninos que a política deveria ser um espaço de que ambos possam tomar parte. Para isso é preciso repensar o modo como as expectativas em relação a elas e eles vão sendo definidas ao longo da vida, mas é também preciso ter mais mulheres envolvidas na política e visíveis (a mídia tem um papel aqui), assim damos um recado de que esse espaço é também das mulheres;

Reagir contra misoginia do Congresso

Educar e repensar os papeis no cotidiano e na política depende de uma forte reação à misoginia e ao sexismo no tratamento das mulheres políticas. Hoje, as mulheres políticas sofrem vários tipos de violência, entre as quais está a recusa em lidar com elas como pares, como iguais, nos legislativos pelo país, por exemplo. Mas há também a reação conservadora aos direitos das mulheres e à agenda de gênero, que pressiona pelo retorno a entendimentos convencionais do papel das mulheres e procura deslegitimar os movimentos sociais que são base importante de sua atuação política, assim como a agenda da igualdade e da diversidade;

Cotas na direção dos partidos

Além das cotas eleitorais – que seriam mais efetivas se correspondessem a reserva de assentos nos legislativos – seria importante que todos os partidos tivessem cotas nos cargos de direção. Os partidos hoje funcionam como um “gargalo” e repõem o domínio histórico masculino na política.

Incluir mulheres negras e índigenas

 Não basta pensar em mulheres abstratamente. Se o acesso à política for aberto apenas a mulheres mais próximas do perfil de classe e racial majoritário nos espaços decisórios, continuaremos a ter injustiças e exclusões fundamentais. As demandas das mulheres negras e indígenas no Brasil hoje são as que enfrentam mais barreiras para ganhar espaço no debate público, quando se definem normas e prioridades na alocação de recursos.  Enquanto suas necessidades e demandas continuarem excluídas do debate público, a política permanecerá como um espaço de poucos, que atende aos interesses de poucos de modo que reproduz suas vantagens em uma sociedade na qual as hierarquias de gênero e as raciais se combinam em desvantagem da ampla maioria das mulheres. Como fazer política de segurança, por exemplo, sem sua participação se são seus corpos e os de seus filhos aqueles sobre os quais a violência mais incide?

Leia mais:

Qual o lugar das mulheres na democracia brasileira?

Em ano de eleição, campanha convida mulheres: #SejaALíderQueTeRepresenta

Mulher-laranja: candidatas fantasmas são hit das eleições

Quem está na cola do machismo mesmo?

Desde 2015, AzMina está do lado das mulheres e da luta pelos nossos direitos. E, ao nosso lado, nós tivemos muitas leitoras e leitores, que financiam o nosso trabalho e acreditam que jornalismo feminista deve chegar a todos. Graças aos nossos apoiadores, impactamos a vida de milhares de mulheres e produzimos cada vez mais conteúdos e projetos. Nossas reportagens, vídeos, podcasts, campanhas de conscientização e projetos como o PenhaS e o Elas no Congresso são totalmente gratuitos.

Se você valoriza tudo isso, considere fazer uma doação. Junte-se às mais de 500 pessoas que tornam o nosso trabalho possível. A maior parte dos nossos apoiadores contribui com R$ 20 mensais e cada real é importante.

O jornalismo feminista independente é muito essencial à Democracia sempre. Mas no Brasil de 2021, não podemos descuidar nem um dia. Para isso, AzMina depende de você.

APOIE A CONTINUIDADE DESSE TRABALHO HOJE!