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Funk e feminismo: As MCs que provam que funk também é lugar de mulher

A cada dia despontam no cenário musical novas MCs. Com letras escrachadas e conteúdo político elas falam sobre machismo, sexo, racismo, autocuidado e vida na periferia. Nesse webdoc, a Revista AzMina mostra o cotidiano e o que pensam as MCs que produzem funk no Brasil

“Eu comecei a cantar funk tem 2 anos, mas sempre ouvi funk e eu amo funk. Mas a partir do momento que eu vejo que essas letras não me representam eu vou falar a minha verdade, o que eu quero que as pessoas escutem, especialmente as mulheres e os LGBTs”, conta MC Deyzerre. 

Ela vive na periferia de São Paulo com seus cinco filhos homens. Encontrou no funk mulheres com voz e autonomia e descobriu nelas possibilidades de uma realidade mais livre enquanto mulher e mãe. Desde então vem desconstruindo padrões através de letras de funk e feminismo, exaltando seu corpo, suas vestimentas e seu lugar de fala.

A cada dia despontam no cenário musical novas MCs. Com letras escrachadas e conteúdo político elas falam sobre machismo, sexo, racismo, autocuidado e vida na periferia. Nesse webdoc, a Revista AzMina e o Coletivo Doroteia mostram o cotidiano e o que pensam as MCs que produzem funk no Brasil.

Mulheres que cantam funk putaria, ostentação, proibidão e consciente por uma perspectiva totalmente feminina.

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“Eu me casei com 17 anos com um pastor, uma ótima pessoa, ótimo pai, porém eu não gostava dessas ideias de submissão ao marido. Aí as pessoas perguntam: Por que o funk? Pela liberdade de expressão”, resume Mc Baronnesa, que começou sua carreira como cantora gospel.

Sem medo de levantar a bandeira da igualdade de gênero, as MCs se reconhecem nas letras e músicas feitas por mulheres. “A gente vê muito funk falando mal da mulher: que ela tá fedendo,  que a mulher tava cabeluda, que ela não sabe fazer, mas a gente não ouve falando que o cara brochou, é fraco, propaganda enganosa. E aí eu venho e falo isso”, diz MC Carol, cantora de funk carioca que encontrou nesse cenário o espaço necessário para falar das dificuldades de ser mulher, negra e gorda.

Suas músicas costumam inverter papéis comuns do funk (e da grande maioria dos gêneros musicais), trazendo a mulher como protagonista dessas histórias.

Ao falar sobre temas como empoderamento feminino, putaria lésbica, funk e feminismo, periferia, poder sobre seus corpos, liberdade na dança e no sexo essas MCs se encontram e criam também no funk um espaço para fala e reconhecimento.

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