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20 de novembro de 2020

Sem feminismo, não há democracia

Acreditamos verdadeiramente que a força das lutas feministas é essencial para levarmos adiante qualquer projeto que se pretenda democrático, antirracista, igualitário e justo

Vivemos num país em que religiosos vão para a porta de um hospital tentar impedir a interrupção da gravidez de uma criança estuprada. E em que o governo responde a isso ameaçando os direitos de vítimas de violência sexual. País em que uma mulher foi vítima de feminicídio a cada nove horas na pandemia. Ondel a vítima de estupro é transformada em ré durante o julgamento do seu estuprador. Nós estamos assustadas e sabemos que você também está. Então, vem comigo que eu quero te contar algo valioso.

Não é cortina de fumaça, não é caso isolado, não é uma “parte minoritária extremista”. O avanço que vemos dos ataques sobre direitos das mulheres e o aumento da violência de gênero são parte fundamental do projeto da extrema direita que cresce no Brasil e no mundo.

É por isso que AzMina lança hoje a campanha Sem feminismo, não há democracia. Acreditamos verdadeiramente que a força das lutas feministas é essencial não apenas para sobrevivermos, mas para levarmos adiante qualquer projeto que se pretenda democrático, antirracista, igualitário e justo. 

Movidas por essa convicção, queremos continuar em 2021 colocando tecnologia, dados e jornalismo a serviço do feminismo. Para isso, mais do que nunca, precisamos das nossas leitoras, com aquela mesma força que nos permitiu vir ao mundo em 2015. AzMina surgiu graças a um financiamento coletivo e até 2017, metade da nossa receita vinha da ajuda de leitoras/es. Os anos se passaram, nosso trabalho cresceu muito e continua gratuito, mas o apoio diminuiu. 

Nossa nova campanha tem o objetivo de virar esse jogo, porque percebemos que nosso trabalho se tornou urgente. Traçamos planos mais ambiciosos para 2021 e queremos encarar de frente os desafios que a nova conjuntura nos impõe. Por todas nós.

Quando AzMina foi lançada a mídia tradicional chamava feminicídio de “crime passional” e a palavra “feminista” era um xingamento. Hoje, muita coisa mudou, mas ainda não temos na imprensa tradicional uma cobertura diversa e acessível como desejamos. 

É por isso que a gente vai lá e faz! Em 2020 atendemos mais mulheres pelo PenhaS, aplicativo de enfrentamento da violência contra a mulher. Publicamos o Mapa das delegacias da mulher no Brasil e cosntruímos o Fundo Vivas para garantir que meninas e mulheres consigam tenham acesso ao aborto legal que nos é de direito. Lançamos o projeto Elas no Congresso, que monitora os direitos das mulheres no legislativo. Onde mais você encontra iniciativas como essa?

Nós não queremos cobrir a violência contra a mulher apenas publicando números. Não permitimos que o aborto seja tratado como um tabu. Não aceitamos que nossas histórias e nossos direitos continuem tendo pouco espaço na mídia.

Se você também acredita que o feminismo é uma força que nos ajuda a fortalecer a democracia e quer que nosso trabalho continue e se amplie em 2021, há algo que você pode fazer hoje. Precisamos de todo apoio, de toda parte. Ajude hoje o jornalismo que é independente, luta pelas mulheres e, por isso, luta por todos. 

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Carolina é jornalista formada pela USP. Em São Paulo e em Brasília, cobriu economia, política e judiciário para o jornal Valor Econômico. É diretora executiva da Revista AzMina, além repórter, fazedora de playlists e sofredora por antecipação.

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Ei, você quer que o jornalismo feminista exista?

AzMina coloca tecnologia, dados e jornalismo a serviço do feminismo. Se você acredita nesse trabalho e quer que ele continue, apoie hoje o jornalismo independente que fazemos.

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