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23 de fevereiro de 2016

Quero conhecer o mundo, mas dizem que não posso por ser mulher

Equipe feminina enfrenta preconceito ao disputar concurso de viagem. Mas você pode ajudá-las a vencer o machismo e a competição

O divã hoje é da Natasha Meyer.

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Da esquerda pra direita, as competidoras Maryani Fuzzeti, Natasha Meyer e Thalita Lopes – Foto: Jasmin Endo Tran/ Divulgação

Com pouco mais de 21 anos, eu nunca saí do Brasil. Não que eu nunca tenha desejado, mas a oportunidade sempre acabou escapando, seja pela falta de dinheiro ou pela insegurança de sair mochilando por aí. Afinal, as pessoas sempre dizem “É melhor não viajar sozinha quando se é mulher”.

Sabendo da minha curiosidade de conhecer lugares diferentes, duas amigas da faculdade, Thalita e Maryani, me convidaram para participar de uma competição bem inusitada. O objetivo? Cruzar diversos países da Europa em sete dias, usando nada mais do que 24 latas de RedBull. Ainda em choque com o convite, fui amadurecendo a ideia. E gostando. Participar de uma aventura em um continente desconhecido, tendo que usar muito jogo de cintura ao lado de duas grandes amigas passou a ficar tentador. Aceitei.

Para participar da competição, tivemos que produzir um vídeo. A produção concorreria então com centenas de vídeos brasileiros e somente sete passariam para a fase final.

Ainda na fase de votação, por sermos um time só de meninas, passamos a ouvir frases machistas de todo tipo pelo caminho. Afinal, as pessoas sempre dizem “Competições de aventura não são para mulher”.

Entre os chocados por não ter nenhum menino na equipe e os descrentes na nossa capacidade de sobreviver sete dias sem maquiagem ou secador de cabelo, o tipo machista que mais incomodou foi o que dizia “Ah, vai ser fácil! Vocês são bonitas e podem conseguir as coisas se aproveitando disso”, ignorando justamente nosso medo de alguém “se aproveitar disso”.

Sem contar na hora de trocar votos com equipes de outros países, já que os caras não se contentam só com os votos e sempre aproveitam a conversa para dar em cima da gente.

Depois de dar uma desanimada com os comentários, notei também que entre os sete primeiros lugares, não existia nenhuma equipe só de meninas. E, quando o assunto é machismo, tendo a achar que nada é coincidência. Seja por descrédito na nossa capacidade, ou por achar que homens se saem melhor em competições de aventura, descobrir que esse pensamento existia me fez querer ganhar mais ainda.

Por enquanto, estamos no top 15, mas precisamos dobrar nossas curtidas para passar para a próxima fase. A votação vai até amanhã às 13h, mas acredito que com a ajuda de todas, nós podemos chegar lá e mostrar que somos um time de mulheres capazes de vencer qualquer desafio, incluindo o machismo. Afinal, quem liga para o que as pessoas sempre dizem?

Curta a gente aqui e nos ajude!

Que dessa iniciativa, surjam mais equipes de meninas não só neste desafio, mas entre os primeiros lugares de tudo que participarem, desde um pequeno concurso até competições internacionais.

E que, após a Primavera Feminista, as pessoas notem que mesmo com o passar das estações, a união das mulheres não vai passar.

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Quem está na cola do machismo mesmo?

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