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mulher negra com cabelos castanhos crespos e curtos, vestido toto laranja, de oculos e pracos cruzados, sorrindo
7 de abril de 2026

Precisamos de cotas para mulheres também no Poder Executivo

Manifesto Maré de PLs propõe a adoção de ações afirmativas para ampliar a presença de mulheres em cargos comissionados e funções de confiança

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  • Mulheres são maioria na população e no uso dos serviços públicos, mas seguem minoria nos cargos de decisão do Poder Executivo;
  • Manifesto Maré de PLs defende cotas e ações afirmativas para ampliar a presença de mulheres, especialmente negras, na gestão pública;
  • Sem diversidade nos postos de comando, o Estado perde capacidadede resposta, representação democrática e conexão com a vida real da população.
A imagem mostra um manequim de costura, sem cabeça e sem braços, posicionado de frente. Ele é branco, com textura pontilhada, típico de ateliês de moda. Sobre o manequim, está colocada uma faixa presidencial, atravessada do ombro até a lateral do tronco. A faixa tem as cores verde e amarela, com um emblema central que remete ao brasão da República, sugerindo o cargo mais alto do Poder Executivo. Ao fundo, aparece a silhueta do Congresso Nacional, em Brasília, com suas cúpulas características, reforçando o contexto político. A imagem tem um tratamento gráfico estilizado, com tons predominantes de rosa e vermelho no fundo, contrastando com o verde da faixa. A ausência de um corpo humano dentro do manequim sugere vazio ou falta de representação, evocando a ideia de ausência de mulheres ou diversidade nos espaços de poder.

As mulheres são mais da metade da população brasileira e as principais usuárias dos serviços públicos. Ainda assim, são minoria nos espaços onde as decisões administrativas são tomadas. No Poder Executivo — onde se definem orçamentos, prioridades e nomeações estratégicas de ministras e secretárias — a maior parte dos cargos de direção continua nas mãos de homens. 

A gente fala muito sobre mulheres na política: candidaturas, eleições, o direito de votar e ser votada. Mas quase nunca fala sobre quem realmente manda no Estado depois que a eleição termina. E isso não é detalhe.

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Feminismo bem informado

No Executivo federal, estadual e municipal, a maior parte dos cargos de direção e assessoramento de alto nível permanece ocupada por homens. 

Quando olhamos para o recorte racial, a distorção fica ainda mais evidente. Mesmo representando 28,5% da população brasileira (PNUD 2024), as mulheres negras não chegavam a 15% dos cargos de direção no Executivo federal em 2023, de acordo com nota técnica do Movimento Pessoas à Frente. 

Isso não é acaso. É desenho institucional.

Leia Mais: Brasil é 5º em feminicídios enquanto antifeminismo cresce no Congresso

Ausência de mulheres limita visão do Estado

Sem mulheres — negras, indígenas, LBTQIAPN+ e com deficiência — nos postos de comando, o Estado funciona com visão limitada. Perde-se a diversidade de perspectivas, a capacidade de resposta, a inteligência institucional. Não se trata de gesto simbólico nem de “pauta identitária”, mas de ampliar o alcance democrático do Estado.

O Brasil já experimentou políticas afirmativas em outras áreas. As cotas no ensino superior e no serviço público, assim como as regras de financiamento eleitoral para mulheres e pessoas negras, ampliaram o acesso e diversificaram espaços historicamente fechados. Ter essas ações na gestão pública segue a mesma lógica: corrigir distorções que não se resolvem sozinhas.

É nesse contexto que o Manifesto Maré de PLs – Cotas na Gestão Pública   propõe a adoção de ações afirmativas para ampliar a presença de mulheres em cargos comissionados e funções de confiança nos Executivos municipal, estadual e federal. A proposta inclui recorte específico para mulheres negras, e parte de um princípio simples: cargos públicos são instrumentos de construção de políticas públicas.

Neste ano de disputa sobre os rumos do país, talvez a principal pergunta a fazer seja simples: quem participa das decisões que definem o orçamento, as prioridades e a implementação das políticas públicas?

Enquanto metade da população permanecer fora das mesas de decisão, não estaremos diante de uma democracia plena, mas de um Estado com capacidade de governar reduzida.

Leia Mais: A batalha perdida da legislação sobre violência de gênero

Exclusão não mudou, só ficou mais sofisticada

O Estado brasileiro foi estruturado historicamente para concentrar poder. Durante décadas, a exclusão foi explícita: mulheres não votavam, não eram eleitas, não ocupavam cargos públicos. Hoje, a exclusão opera de forma mais sofisticada. Está nas nomeações, nas redes de confiança, nos critérios informais que definem quem “tem perfil” para comandar.

O debate sobre representação das mulheres avançou no Legislativo: falamos de cotas eleitorais, financiamento de campanha, violência política de gênero. Mas o Executivo continua sendo a caixa-preta da governabilidade. Pouco se discute quem ocupa os cargos comissionados —  postos de direção e assessoramento preenchidos por nomeação política —,  quem dirige autarquias, quem coordena políticas públicas. 

Nos municípios brasileiros, essa ausência feminina nas instâncias decisórias se revela de forma concreta. São as mulheres que sabem o que significa esperar horas pelo transporte público, buscar vagas em creches, reorganizar a rotina para garantir o contraturno escolar ou enfrentar a falta de medicamentos nos serviços públicos. As mulheres administram o orçamento doméstico diante da escassez e constroem soluções coletivas para a vida nos territórios.

São elas também que mais conhecem os efeitos das decisões públicas, porque convivem diariamente com suas consequências. E que acumulam formação, experiência profissional e capacidade técnica para discutir orçamento e definição de prioridades. Mesmo assim, as mulheres permanecem pouco presentes nos espaços onde investimentos, nomeações estratégicas e os rumos da gestão pública são decididos.

E são nestes espaços que o poder se concretiza.

*Publicação em parceria com A Ponte

**Texto revisado com uso de IA

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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