logo AzMina

Por que a escritora Hilda Hilst não fez sucesso em vida?

Hoje aclamada e homenageada da Flip 2018, Hilst teve pouco reconhecimento até então. Entenda na história em quadrinhos o porquê a escritora foi tão incompreendida em seu tempo
por Helô D’Angelo
10 de julho de 2018

Dona de uma escrita incômoda e característica, Hilda Hilst (1930-2004) figura hoje no rol das maiores escritoras brasileiras – mas teve quase nenhum reconhecimento em vida. Hilst foi autora de uma extensa obra de prosa, poesia e peças de teatro, além de ser desenhista.

O seu maior pesadelo era não ser lida. Desprezada pelas grandes editoras e pouco conhecida do público, Hilst reclamava que era uma pessoa da qual as pessoas falavam, mas cujos livros não eram lidos.

A imagem de uma mulher “meio louca, eremita, arredia, indomesticável” tentou reduzi-la a rótulos e acabou por dificultar o acesso à sua obra, segundo o escritor Victor Heringer no posfácio da coletânea da obra de Hilda Hilst reeditada pela Companhia das Letras em 2017.

“Eu perguntava pro Anatol Rosenfeld, de quem eu gostava muito: ‘Por que as pessoas acham que eu escrevo para os eruditos? Eu falo tão claro. Eu falo até sobre a bunda’. E ele me respondia: ‘Mas tua bunda é terrivelmente intelectual, Hilda’. Eu ficava desesperada”, disse em uma entrevista de 1977.

Mas por que o mercado editorial e os leitores deixaram de lado uma autora com tanto para oferecer? A Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) elegeu Hilda Hilst como homenageada da edição de 2018, o que junto à reedição de sua obra deve trazer nova luz à obra da poeta.

Na coletiva de imprensa que revelou Hilst como homenageada, a curadora da Flip 2018 Josélia Aguiar tentou explicar o porquê a escritora foi tão incompreendida em seu tempo. Em quadrinhos, contamos a explicação da curadora:

Apoie AzMina

AzMina alcança cada vez mais gente e já ganhou mais prêmios do que poderíamos sonhar em tão pouco tempo. A gente acredita que o acesso a  informação de qualidade muda o mundo. Por isso, nunca cobraremos pelo conteúdo da Revista AzMina. Mas o jornalismo investigativo que fazemos demanda tempo, dinheiro e trabalho duro – então você deve imaginar por que estamos pedindo sua ajuda.

Quando você apoia iniciativas como a nossa, você faz com que gente que não pode pagar pela informação continue tendo acesso a ela. Porque jornalismo independente não existe: ele depende das pessoas que acreditam na importância de uma imprensa plural e independente para um país mais justo e democrático.

Apoie AzMina

AzMina é uma resposta feminista à desigualdade e ao preconceito