A violência de gênero tomou novas formas através das tecnologias. As câmeras dos smartphones, a alteração de imagens com Inteligência Artificial, a circulação de vídeos e fotos nas redes sociais e aplicativos de mensagens: as telas, que ampliam vozes e conexões, também podem virar ferramentas de controle, perseguição, exposição e silenciamento de meninas, mulheres e pessoas LGBTQI+. A violência pode até ser digital, mas seu impacto é concreto e, muitas vezes, as vítimas nem sabem a quem recorrer. Identificar e nomear as violências é o primeiro passo para saber como preveni-las, acolher as vítimas e minimizar seus efeitos. Aqui, você encontra materiais para levar esse debate para sala de aula e ajudar alunos e professores a se informar e se proteger.
Você já presenciou uma brincadeira que virou humilhação? Leu comentários ofensivos, manipulação e uso indevido de imagens em grupos de mensagens? Conheceu adolescentes que sofreram em silêncio por algo que aconteceu online?
Episódios de agressão, discriminação ou intimidação contra meninas, mulheres e pessoas LGBTQIA+ praticadas ou intensificadas através da tecnologia impactam profundamente a vida das vítimas. Através de meios digitais, agressores se aproveitam do anonimato e da presunção de impunidade no ambiente online para ferir, controlar ou silenciar. Entre adolescentes, ainda que a violência aconteça fora da escola, os prejuízos podem alcançar o aprendizado e a presença nas aulas, refletindo os danos físicos e emocionais que essa violência causa.
Por isso, reconhecer a violência de gênero facilitada pela tecnologia de forma rápida é essencial, especialmente entre adolescentes, que podem guardar segredo por vergonha, medo e desconhecimento. Neste contexto, a escola é um ambiente privilegiado para abordar o assunto e ajudar a enfrentá-lo. Professores e educadores podem ser atores fundamentais na identificação precoce e na prevenção dessas violências.
A cartilha educativa é dividida em duas partes e contém informações sobre como identificar as violências digitais de gênero, como acolher e apoiar vítimas e indica boas práticas para o ambiente digital. Além disso, apresenta orientações para trabalhar o tema em sala de aula de forma interdisciplinar e em projetos pedagógicos de longo prazo.
Nesta cartilha você encontrará explicações sobre as diferentes formas de violência digital de gênero, sinais de alerta, caminhos de acolhimento e escuta, orientações sobre segurança e autocuidado on-line, além de diversas propostas de atividades pedagógicas interdisciplinares voltadas a adolescentes e jovens.
Veja o que você encontra em cada um dos capítulos:
Se você ou alguém que conhece é vítima de violência digital, saiba que há ajuda disponível.
A Violência de Gênero Facilitada por Tecnologias (VGFT) é uma das expressões contemporâneas mais preocupantes das desigualdades sociais baseadas em gênero. Compreender suas dinâmicas é o primeiro passo para agir, prevenir, acolher e transformar.
Acreditamos que o ambiente escolar é fundamental para esse debate, tanto pelo desafio de enfrentar situações cada vez mais complexas diariamente, quanto pela capacidade de contribuir para a prevenção e a conscientização sobre as violências. Em muitos casos, a escola é o único espaço de acesso a ferramentas de proteção para adolescentes e jovens.
Foi pensando nesse desafio que o Instituto AzMina, com apoio da Cummins Brasil, criou o projeto “Não Curto. Não Compartilho”, com o objetivo de apoiar educadoras e educadores na tarefa de reconhecer e enfrentar essas violências em espaços de aprendizagem. Transformar o ambiente digital em um espaço de liberdade, igualdade e segurança depende do compromisso de todos nós.
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