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‘Gestar o impossível’: 2ª Marcha das Mulheres Negras aponta novas possibilidades de mundo em movimento histórico em Brasília

Em entrevista para a Alma Preta, ativistas e pesquisadoras acreditam em um novo mundo a partir das mobilizações de mulheres negras por transformação social

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“Quem somos nós para dizer para o mundo que há outros mundos?”

A questão é da jornalista Rosane Borges, que lançou o livro “Imaginários emergentes e mulheres negras: representação, visibilidade e formas de gestar o impossível” na noite desta segunda-feira (24). Ela trouxe para um público de centenas de mulheres que a ouviam no Cine Brasília uma pergunta que não traz dúvidas, mas estimula a ação e as possibilidades de novas formas de viver e agir para além do que se tem vivido.

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E são essas possibilidades que saem das bocas de todas as mulheres que estão em Brasília para participar da segunda Marcha das Mulheres Negras, nesta terça-feira (25). A concentração acontece a partir das 9h em frente ao Museu Nacional e são esperadas milhares de mulheres de todo o Brasil.

Durante o evento, a Alma Preta entrevistou criadoras de alguns dos mundos possíveis. Uma delas é a assistente social Maria Luiza Mendes, 61, que milita pela economia solidária em São Luiz do Maranhão. O conceito, ela explica, é um caminho para criar uma economia alternativa à do sistema capitalista, com novas lógicas de produção e de consumo.

Leia Mais: “Não viemos pedir, queremos reparação”: Marcha das Mulheres Negras apresenta manifesto com 11 reivindicações

“A economia solidária é um contraponto. A economia solidária tem princípios. Ela discute mercado, discute finanças, ela tem seu sistema. As finanças são os bancos, a moeda social, então ela é completa”, afirma.

Mulher negra idosa, de cabelo grisalho bem curto, sentada em um banco de couro preto. Sorri para a câmera, braços cruzados no colo, segurando um casaco bege. Veste vestido sem mangas branco com estampas verde-limão e um círculo azul; usa colar longo com contas grandes em tons de vermelho e rosa. Ambiente interno de saguão, com piso claro marmorizado e barreiras de fila ao fundo.
Maria Luiza Mendes. Foto: Camila Rodrigues da Silva/Alma Preta

Por conta da idade, ela veio antes, de avião para acompanhar a Marcha das Mulheres Negras. Do Maranhão vem um grupo de 12 ônibus, com mulheres que chegaram no dia 24 de novembro à noite, ou 25 de novembro pela manhã. 

Em 2015, aconteceu a primeira edição nacional da Marcha das Mulheres Negras sobre Brasília. Naquele ano, segundo as organizadoras, 100 mil estiveram na capital federal para denunciar o racismo, o machismo e demandar pelo bem viver. Hoje, o movimento se repete na capital federal.

Reconhecendo avanços, Jurema Werneck, diretora da Anistia Internacional, destaca mudanças no debate político brasileiro desde a primeira marcha, em 2015.

“Dez anos atrás, a gente disse, mulher negra é essa potência. Como lembrou a própria Rosane Borges, como lembra sempre, nosso mundo existe, é muito mais potente, é calcado no bem viver, na experiência histórica das mulheres negras, e a gente precisa recolocar isso aqui na arena do Brasil, para o Brasil aprender a ser diferente”, explicou.

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Outra que acredita em um mundo diferente é Ynaê Lopes dos Santos, 43, professora de História da Universidade Federal Fluminense (UFF). Feliz por ver Brasília, a capital federal do país, ocupada por mulheres negras, ela se apresenta como uma pessoa que acredita nas utopias.

“Eu sou uma pessoa que acredita muito no poder transformador das revoluções. E eu acho que ninguém tem mais gabarito para fazer essa revolução do que as mulheres negras”.

Mulher negra de cabelo crespo curto sorri para a câmera, de pé, mãos na cintura. Usa blusa sem mangas vinho e colar longo de miçangas douradas. Ambiente interno com paredes de tijolinhos laranja, bancos pretos e pôsteres ao fundo; portas de vidro com letreiro “Bilheteria”. À direita, uma criança passa correndo, levemente borrada.
Ynaê Lopes dos Santos. Foto: Camila Rodrigues da Silva/Alma Preta

Os sonhos não se restringem ao território brasileiro. Viviana Alvez, educadora sexual e pesquisadora da área de psicologia, é uruguaia. Ser mulher negra, contudo, parece ser mais importante do que qualquer bandeira nacional.

“A gente veio participar da marcha, viemos três dias antes para participar dos debates aqui no Brasil, viemos para empoderar a nossa negritude, para marchar junto das brasileiras e de todas partes do mundo. Eu quero que essa marcha passe por todo o meu corpo, que vá fluindo”, disse ela sobre as expectativas.

Mulher negra com cabelo Black, sorrindo, posa com a mão apoiada sobre um tambor de madeira grande. Ela usa camiseta preta, argolas prateadas e bolsa transversal com faixa/patch de arco-íris. No tambor há fitas nas cores da bandeira trans e uma faixa roxa. Cena noturna em área aberta com piso claro; ao fundo, pessoas conversam e caminham, árvores e prédios iluminados.
Viviana Alves. Foto: Camila Rodrigues da Silva/Alma Preta

Além da marcha, está prevista para a manhã desta terça uma sessão solene com os parlamentares da Bancada Negra da Câmara de Deputados.  

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