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Frentes parlamentares articulam lobby antiaborto no Congresso

Unidos pela afinidade de causas ou pelo jogo de interesses, deputados e senadores fortalecem coalizão contra os direitos reprodutivos

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Combater a interrupção de uma gravidez e evitar a legalização desse procedimento são as principais finalidades da Frente Parlamentar Mista contra o Aborto e em Defesa da Vida. A ata de fundação não menciona as situações nas quais a legislação prevê o aborto legal – gravidez decorrente de estupro, risco à vida da gestante e anencefalia -, sugerindo que o grupo se opõe também a esses casos. 

A criação da Frente contra o Aborto foi assinada por 198 parlamentares, exatamente o número necessário para sua instalação na legislatura em andamento (2023 – 2026), mas atualmente é formada por 171 deputados e 10 senadores. 

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As frentes parlamentares são definidas pela Câmara dos Deputados como “associações de parlamentares de vários partidos para debater sobre determinado tema de interesse da sociedade”. Mas o conceito é insuficiente para entender como elas se articulam e a quem realmente atendem. “Não necessariamente quem assina (uma frente) está alinhado com a causa, pode estar fazendo um jogo”, comenta Magali Cunha, pesquisadora do Instituto de Estudos da Religião (ISER) e doutora em Ciências da Comunicação. 

No jogo mencionado por Magali está a troca de favores, uma prática recorrente na atividade parlamentar, não só para a criação de frentes. A ‘moeda’ da negociação é variável, pode ser a assinatura para viabilizar a instalação da frente proposta por outro deputado ou a votação favorável de um projeto, entre outras motivações. 

A deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) coordena a Frente contra o Aborto pela segunda legislatura consecutiva e é autora do Projeto de Lei 2.893/19, para retirar as possibilidades de aborto legal do Código Penal. Ela argumenta que permitir o aborto quando a mulher engravida após um estupro seria punir o feto pelo crime praticado por outra pessoa, sem se importar com o que significaria uma vítima de estupro seguir com o resultado daquela violência. 

Chris Tonietto tenta invalidar o argumento de risco à vida da gestante e afirma que “o objetivo de se manter a impunidade em tal caso é única e exclusivamente ocultar os verdadeiros e inconfessáveis motivos do aborto”. Mas as evidências científicas mostram o quanto ela está equivocada. O Portal de Boas Práticas da FioCruz aponta que em casos de hipertensão pulmonar, por exemplo, o risco de morte materna na gestação chega a 70%. 

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Vários participantes da Frente são publicamente contrários aos direitos reprodutivos, como o seu vice-coordenador, Nikolas Ferreira (PL-MG), mas nem todos se posicionam dessa maneira. As bancadas suprapartidárias – entre as mais conhecidas estão as bancadas ruralista, a da bala e da Bíblia – são formadas por parlamentares ligados à temática que os reúne, e não têm registro formal na Câmara, enquanto as frentes podem ter uma composição mais diversa. 

Prestígio político entre os ganhos

O perfil heterogêneo das frentes é resultado das regras de criação. Pelo menos um terço dos integrantes do Congresso Nacional, somando deputados e senadores, precisam assinar o requerimento. Um exemplo é a Frente Parlamentar Evangélica – também contrária ao aborto -, que tem dezenas de católicos e até pessoas sem religião, segundo a plataforma Religião e Poder do ISER, que mapeia a identidade religiosa de parlamentares. 

“Claro que é interesse dos parlamentares de uma frente contra o aborto, por exemplo, convocarem parlamentares mais de direita e de centro-direita para ampliar as suas alianças políticas dentro do Congresso”, diz Clara Wardi, pesquisadora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA)

A Frente Parlamentar contra o Aborto, na atual legislatura (57ª), tem apenas um integrante de partido de centro-esquerda: Max Lemos (PDT-RJ). Entre 2019 e 2022 (56ª legislatura), havia representantes do PT, PV e do PDT. Vale observar que filiação partidária não define posicionamento sobre a interrupção da gestação. Por exemplo, a primeira frente contra o aborto foi criada por Luiz Bassuma, então do PT-BA, em 2005.

Infográfico sobre o aborto na história das frentes com as seguintes informações Formalização Inicialmente informais, as frentes parlamentares ganharam registro e regras na Câmara de Deputados em 2005. A principal exigência é a assinatura de um terço dos representantes do Poder Legislativo (deputados e senadores). Frente Parlamentar Mista contra o Aborto e em Defesa da Vida A primeira foi criada em 2005, na 52ª legislatura, pelo deputado federal Luiz Bassuma (PT-BA). Na legislatura seguinte (2007 a 2010) a frente foi reinstalada por ele; Ainda na 53ª legislatura, o deputado federal Leandro Sampaio (PPS-RJ) criou outra frente contra o aborto, especificamente para evitar a legalização; Apenas a 55ª legislatura (2015 a 2018) não teve uma frente contra o aborto; A deputada federal Chris Tonietto (PL-RJ) é a atual presidente da Frente Parlamentar Mista contra o Aborto e em Defesa da Vida, repetindo a função da legislatura anterior; O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) é o atual vice-presidente da frente, função já ocupada por Filipe Barros (PSL-PR). Atualmente, a frente reúne 171 deputados e 10 senadores. 73 deputados da frente são do PL. Os outros são do PP, Republicanos, MDB, União, Solidariedade, Avante, PSD e PDT. Fonte: Câmara dos Deputados e Politize

As frentes usam a estrutura física da Câmara dos Deputados, mas não têm sede, nem podem usar recursos do parlamento de forma extensiva, explica a cientista política Marina Brito. O ganho se traduz na soma dos recursos de cada parlamentar, “sejam técnicos de assessorias, sejam de prestígio político, redes de relacionamento ou mesmo econômicos”, completa. A divulgação de suas ações nas mídias da instituição é outra vantagem. 

“É inegável que a ação articulada e o reconhecimento formal dão visibilidade a certos temas e podem contribuir para alavancar o debate em torno deles no Congresso”, analisa Marina, acrescentando que participar de uma Frente também pode ser uma forma de responder a demandas que alguns parlamentares recebem de seu eleitorado.

Estratégia de fortalecimento

Clara Wardi, do CFEMEA, percebe um papel de fortalecimento de alianças nas frentes religiosas e contra o aborto, com alcance além da votação de projetos de lei (PL). Os parlamentares atuam conjuntamente na articulação e votação de requerimentos de audiências públicas para debater o aborto, na coautoria de PLs e também em moções de repúdio, por exemplo.  

Uma audiência deste tipo ocorreu quando o Supremo Tribunal Federal (STF) retomou a votação da ADPF442, Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental para descriminalizar o aborto até 12 semanas de gestação. E quando o Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu os médicos de realizarem assistolia fetal (procedimento para o aborto) em gestações a partir de 22 semanas. O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu a resolução do órgão

O PL 1904/2024, também conhecido como PL do Estupro, que propõe equiparar o aborto a partir de 22 semanas ao homicídio, é um caso exemplar de reunião para assinatura massiva de um projeto. Retirado da pauta após forte mobilização social, a proposição foi apresentada originalmente pelo deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL/RJ) e 31 coautores. Sóstenes participa atualmente das frentes Mista Contra o Aborto, Evangélica e Em Defesa da Vida e da Família.

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Entre os demais parlamentares que assinam o PL 1904 – com 53 coautores, em 21 de agosto de 2024 -, apenas 5 não fazem parte da Frente Parlamentar Mista contra o Aborto e em Defesa da Vida. Quatro estão nas frentes Católica ou Evangélica, e somente a deputada federal Ely Santos (Republicanos-SP), que assumiu o mandato como suplente em julho de 2023, não estava em nenhuma frente antiaborto quando assinou o projeto. 

Outras Frentes antidireitos

O combate aos direitos reprodutivos é também reforçado pela Frente Evangélica, Frente Católica Apostólica Romana e Frente em Defesa da Vida e da Família. Embora não citem o aborto nos seus estatutos, as três frentes foram articuladas por deputados que demostram a posição contrária à interrupção da gestação em seus discursos e propostas legislativas.  

Eli Borges (Solidariedade – TO), atualmente em licença do mandato, assumiu a presidência da Frente Evangélica no dia da instalação. Ele foi o segundo parlamentar que mais falou contra o aborto na tribuna da Câmara entre 2019 e 2023, conforme levantamento d’AzMina. Desde junho, o grupo é coordenado por Silas Câmara (Republicanos-AM), que assina a PEC 29/2024, proposta de alteração da Constituição para transformar a concepção (fecundação) em marco temporal da vida. Hoje, não há consenso, nem definição em lei, sobre o momento em que se inicia a vida. Essa proposta inviabilizaria qualquer aborto, mesmo em caso de estupro.

Eros Biondini (PL-MG) é o coordenador da Frente Católica e está entre os coautores da PEC 29/2024 e do PL 1904/2024. Em discurso realizado na Câmara, representando a Frente, em abril de 2020, o deputado convocou os ouvintes a: “lutar contra o aborto, contra a pedofilia, contra a liberação das drogas

A Frente em Defesa da Vida e da Família é coordenada por Diego Garcia (PODEMOS-PR), que está em seu terceiro mandato. Ele apresentou uma série de propostas legislativas relacionadas à interrupção da gestação, como as moções de repúdio à “decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), que autorizou o aborto de um bebê diagnosticado com a síndrome de Edwards”. O parlamentar desconsidera que fetos nessa condição não sobreviveriam fora do útero.  

Infográfico sobre as frentes temáticas antidireitos reprodutivos Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional Presidente: deputado Silas Câmara (Republicanos-AM) Vice-presidente: deputada Franciane Bayer (Republicanos-RS) Participantes 213 deputados 26 senadores Partidos PL, MDB, PP, Republicanos, PSB, Novo, União, Solidariedade, Avante, PSD, PDT, PT, PRD e Podemos FOCO Promover a defesa e articulação política das bandeiras evangélicas junto ao Congresso; promover eventos sobre temas de relevância junto ao segmento evangélico; atuar nos processos legislativos segundo os objetivos do Congresso, combinados com os propósitos de Deus. Frente Parlamentar Mista Católica Apostólica Romana Presidente: deputado Eros Biondini (PL-MG) Vice-presidente: deputada Simone Marquetto (MDB-SP) Participantes: 183 deputados 0 senador Partidos PL, MDB, PP, Republicanos, PCdoB, Novo, União, PV, PSDB, PDT, Cidadania, Avante, PSD, PT, PRD, PSOL, Podemos, PSB e Solidariedade Foco: Defender os princípios éticos, morais, doutrinários defendidos pela Igreja Católica Apostólica Romana; acompanhar os projetos que venham de encontro aos princípios defendidos pela Igreja; assessorar os parlamentares na elaboração e votação de projetos que atendam às finalidades da frente. Frente Parlamentar em Defesa da Vida e da Família Presidente: deputado Diego Garcia (Podemos-PR) Vice-presidente: senadora Damares Alves (Republicanos-DF) Participantes 173 deputados 13 senadores Partidos PL, MDB, PP, Republicanos, Novo, União, PSDB, PDT, Cidadania, Avante, PSD, PT, PRD, Podemos, PSB e Solidariedade FOCO Dar apoio às famílias; colaborar com a sociedade na solução de problemas relacionados à vida, à família, à criança e ao adolescente; fomentar o desenvolvimento de programas e políticas públicas destinadas a protegê-los. Fonte: Câmara dos Deputados

Os coordenadores das três frentes citadas também participam da Frente Parlamentar Mista contra o Aborto e em Defesa da Vida, comandada por Chris Tonietto, líder em discursos contra a interrupção da gestação na tribuna da Câmara. Ela apresentou 16 projetos de lei no atual mandato, iniciado ano passado. 

Um deles, o PL 349/2023 propõe tipificar como crime “a venda, a exposição à venda, o oferecimento, o transporte, o armazenamento e a entrega de produto que possua efeito abortivo, sem permissão competente destinada a fins terapêuticos ou medicinais”. O projeto está parado na Comissão de Comunicação da Câmara desde março de 2023

A proposta é inócua, já que o misoprostol, principal medicamento usado para interrupção da gestação, é um dos remédios mais regulados do Brasil, apesar de seu uso ser considerado seguro pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Ele é classificado pela Anvisa como substância de compra e uso restrito a hospitais. Desta forma, sua comercialização já caracteriza crime contra a saúde pública, conforme o artigo 273 do Código Penal

A realização de sessões solenes é outra estratégia da presidente da Frente contra o Aborto para manter o tema no radar. Após conseguir 95 assinaturas no REQ 1390/2024, Chris Tonietto comandou uma homenagem ao movimento pró-vida em junho deste ano. Ela já apresentou o requerimento para homenagear o dia do nascituro (8 de outubro), repetindo a sessão que tem feito nos últimos anos.  

Infográfico sobre a liderança dos membros da frente contra o aborto na apresentação de projetos antidireitos 39 dos 61 Projetos de Lei desfavoráveis aos direitos reprodutivos apresentados entre 2019 e 2023 são de participantes da frente contra o aborto Líderes em produção Deputada Chris Tonietto (PL-RJ) - 11 projetos Deputado Capitão Augusto (PL-SP) - 5 projetos Senador Eduardo Girão (Novo-CE) - 5 projetos Deputado Hélio Lopes (PL-RJ) - 3 projetos Deputada Carla Zambelli (PL-SP) - 2 projetos Senadora Damares Alves (Republicanos-DF) - 2 projetos Um projeto cada: Os deputados Delegado Palumbo (MDB-SP), Rodolfo Nogueira (PL-MS), Diego Garcia (Podemos-PR), Messias Donato (Republicanos-ES), Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), Maurício Marcon (Podemos-RS), Jeferson Rodrigues (Republicanos-GO), Filipe Barros (PL-PR); e o senador Magno Malta (PL-ES) Fonte: Elas no Congresso

Organização do lobby

Nos estudos de Ciência Política, as frentes parlamentares são divididas em dois grupos quanto à estratégia de atuação: advocacy e lobby. Para a cientista política Marina Brito, apesar das frentes religiosas “evocarem a defesa do direito dos fetos como argumento contrário à descriminalização do aborto, é possível interpretar essa atuação como lobby.

Enquanto o lobby é uma forma de pressão de um grupo organizado sobre políticos e poderes públicos, a defesa de direitos de grupos colocados à margem da sociedade é uma característica do advocacy. Essa última é uma atividade geralmente conduzida por movimentos sociais e outras organizações da sociedade civil. 

A classificação das frentes como lobby é baseada na observação de Marina quanto aos principais favorecidos pelos seus resultados: as próprias lideranças religiosas. 

Um dos ganhos está na cristalização de uma abordagem religiosa para os arranjos sociais que vivemos. E isso leva ao “fortalecimento dessas instituições na sociedade e do poder que exercem tanto no âmbito político como social e econômico”, explica Marina. 

Leia mais: Debate sobre aborto na Câmara é dominado por fundamentalismo religioso

Representantes da sociedade civil podem entrar nas frentes parlamentares como colaboradores, mas esse formato ainda é incomum na Câmara dos Deputados. Apenas duas das 277 frentes da legislatura atual são de participação popular; nenhuma delas tem o aborto como tema. 

Marina Brito considera que a participação popular nos debates legislativos é importante, mas ressalta a necessidade de regras para garantir transparência e igualdade nessas colaborações. “Isso ainda é um obstáculo dado que a própria atuação das frentes ainda carece de um arcabouço normativo e regimental mais robusto”, comenta. 

Evangélicos avançam, mas catolicismo predomina

A pesquisadora Magali Cunha vê a influência católica, desde a colonização portuguesa, como pilar da cultura e moral conservadoras, ainda predominantes no Brasil. Apesar do crescimento das igrejas evangélicas na sociedade – e também no Congresso, a partir do surgimento da primeira bancada evangélica na década de 1980 -, a maioria dos parlamentares se declaram católicos.

O mapeamento do ISER, realizado no início da atual legislatura (2023), localizou a confissão religiosa de 75,5% dos 513 deputados diplomados. Neste grupo, 45,8% eram católicos, 16,7% cristãos – o termo é amplo, mas geralmente usado por neopentecostais e pentecostais -, 14,8% evangélicos e 2,3% não seguem uma religião. O espiritismo e as religiões de matriz africana representam 0,39% e 0,58%, respectivamente.

A existência de frentes parlamentares com temática religiosa é avaliada por Magali como parte da dinâmica do Estado democrático de direito, desde que não represente o domínio de um grupo. O que não pode ocorrer, diz ela, é que essa temática religiosa se imponha como legislação. “Discutir valores é uma coisa, fazer com que esse valor se torne uma lei sobre as demais é diferente”.  

Já a deputada Chris Tonietto (PL-RJ) lamenta que o Brasil busque ser um Estado laico. Em discurso na tribuna da Câmara, em março de 2019, ela disse: “somos a maioria do Brasil e, no entanto, católicos não são os princípios e os órgãos da nossa vida política. Não é católica a lei que nos rege”. O Estado laico é um princípio fundamental, que deve ser defendido.

Acesse a nossa plataforma com mais dados e informações sobre o tema: AbortoNoBrasil.Info

*Esta reportagem tem apoio do International Women’s Media Foundation (IWMF) e do Women’s Equality Center (WEC) através do programa Saúde reprodutiva, direitos e justiça nas Américas.

**Esta reportagem tem apoio do International Women’s Media Foundation (IWMF) e do Women’s Equality Center (WEC) através do programa Saúde reprodutiva, direitos e justiça nas Américas.
**Os Direitos Sexuais e Reprodutivos na Revista AzMina são uma pauta transversal. Essa matéria faz parte de uma série de reportagens especiais sobre o Lobby Antiaborto no Brasil.

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