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Anticoncepcionais no SUS: quais estão disponíveis e como funcionam

Saiba quais são os métodos contraceptivos que estão disponíveis gratuitamente pelo SUS
por Laura Reif
23 de setembro de 2019

Prevenir-se de uma gravidez vai muito além da pílula. Existem vários outros métodos anticoncepcionais aos quais as pessoas que podem engravidar têm direito ao acesso gratuito pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Veja na lista abaixo quais são e como funcionam.

  • Pílula
  • Mini Pílula
  • Injetável Mensal
  • Injetável Trimestral
  • Pílula do Dia Seguinte
  • Diafragma
  • DIU de cobre
  • Laqueadura
  • Preservativo
  • Vasectomia

É importante saber que nenhum método contraceptivo tem 100% de eficiência, existindo sempre uma possibilidade de falha. Além disso, todos eles, com exceção da camisinha, não ajudam a prevenir as infecções sexualmente transmissíveis. 

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Para ajudar na escolha, reunimos aqui informações sobre como cada um dos métodos funciona, suas taxas de falha e efeitos colaterais, com informações da ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana, Caroline Alexandra Pereira de Souza, do ginecologista e obstetra especializado em gravidez de risco, Antonio Pera e do Manual Para Planejamento Familiar da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Pílula combinada 

O que é: comprimidos que contêm uma combinação de hormônios, geralmente estrogênio e progesterona sintéticos, que inibem a ovulação. 

Como tomar: cada pílula deve ser tomada diariamente no mesmo horário. Há opções com uma pausa de uma semana a cada 21 dias e também de uso ininterrupto. 

Taxa de falha: 8%. Sua eficácia depende muito de fatores como o respeito aos horários de tomar e uso combinado com remédios que cortam seu efeito. 

Leia mais: Como é feito um aborto seguro?

Efeitos colaterais: um dos efeitos colaterais possíveis da pílula combinada é a trombose. Ela acontece porque os hormônios podem aumentar a formação de coágulos no sangue, que obstruem veias ou artérias. Mulheres com problemas cardiovasculares, diabetes, casos de trombose na família e fumantes têm maior risco de ter a trombose com a pílula.  Pode causar ainda ganho de peso, acne, náuseas, dores de cabeça e tontura. 

Mini pílula 

O que é: também comprimidos de uso diário, no entanto sua composição é diferente da pílula tradicional. A mini pílula é composta apenas pelo análogo do hormônio progesterona.  Sua principal vantagem é que não contém o hormônio estrogênio, responsável pelo aumento dos riscos de trombose. “Muitas vezes, quando as outras pílulas são contraindicadas, a opção de progesterona ainda é indicada”, explica Dra. Caroline. É usada também para mulheres que estejam amamentando

Como tomar:  um comprimido por dia, sem interrupção entre as cartelas. 

Taxa de falha: 3 a 10% para mulheres que não estejam amamentando e 1% para lactantes. O risco de falha aumenta se a mulher não tomar as pílulas regularmente no horário ou esquecer.

Efeitos colaterais: alteração no padrão de menstruação, dores de cabeça, náusea, dores abdominais e tontura

Injetável mensal

O que é: injeções com a combinação de progesterona e estrogênios, com doses de longa duração.

Como é usado: A injeção é aplicada na região dos glúteos todo mês. 

Taxa de falha: 3%. O risco de falha está associado com a mulher atrasar ou esquecer da aplicação. 

Efeitos colaterais: alteração do padrão de menstruação, dor de cabeça, tontura, náusea, ganho de peso e sensibilidade dos seios. Pode causar uma demora no retorno da fertilidade. 

Leia mais: Lésbicas e DSTs: manual da saúde sexual para mulheres que transam com mulheres

Injetável trimestral

O que é: injeção apenas com hormônio progesterona, com dose de longa duração.

Como é usado: A injeção é aplicada na região dos glúteos ou braço a cada três meses. 

Taxa de falha: 3%. O risco de falhas está ligado ao esquecimento da aplicação das doses. 

Efeitos colaterais: alteração dos padrões de menstruação, ganho de peso, dores de cabeça, tontura, desconforto no estômago, alteração no humor, diminuição de desejo sexual, perda de densidade óssea. Pode causar um atraso no retorno da fertilidade. 

Pílula do dia seguinte

O que é: pílula com uma dose alta de análogo da progesterona, ou combinação de progesterona e estrógeno, que impede ou atrasa a ovulação. Não é um método abortivo, pois impede que fecundação aconteça. É usada para contracepção de emergência. 

Como tomar: deve ser tomada em até 72 horas após a relação sexual desprotegida. Quanto antes, melhor. 

Taxa de falha: 1 a 2 %

Efeitos colaterais: alteração nos padrões de menstruação, náusea, dor abdominal, cansaço, dor de cabeça, sensibilidade nos seios, tontura e vômitos. 

Alerta: Só deve ser usada em casos de emergência. “Não há estudos suficientes que garantam a segurança da pílula do dia seguinte como método contraceptivo regular, já que é uma grande quantidade de hormônio tomada de uma só vez. Corresponde a 10 pílulas anticoncepcionais”, alerta a ginecologista Caroline Alexandra Pereira de Souza.

Leia mais: Mapeamos as principais ameaças aos direitos reprodutivos no Congresso

DIU de Cobre

O que é:  um dispositivo de cobre em formato de T implantado no útero da paciente que causa uma inflamação no endométrio (tecido que reveste o útero), impedindo que o espermatozóide suba e fecunde o óvulo. 

Como é usado: é inserido em um procedimento médico feito por um ginecologista, sem necessidade de anestesia geral. Deve ser trocado depois de 10 anos. 

Taxa de falha: menos de 1%

Efeitos colaterais: alterações dos padrões menstruais, aumento das cólicas menstruais e do volume do sangramento. Pode causar doença inflamatória pélvica caso a mulher tenha clamídia ou gonorréia. 

Diafragma

O que é: um anel flexível envolvido por uma borracha fina, que deve ser colocado no fundo do canal vaginal para  impedir a entrada dos espermatozoides no útero. 

Como é usado:  a mulher deve colocar cerca de 15 a 30 minutos antes do ato sexual e retirar em até 12 horas. Pode ser levado e usado novamente. A recomendação é que seja usado combinado com espermicida. 

Taxa de falha: sem espermicida, de 16%. Com espermicida, 6%. 

Efeitos colaterais: não tem

Laqueadura

O que é: cirurgia para a esterilização voluntária definitiva, na qual as trompas da mulher são amarradas ou cortadas, evitando que o óvulo e os espermatozóides se encontrem. 

Como é feita: cirurgia com duração de cerca de 40 minutos, via laparoscopia ou abertura do abdome. 

Quem pode fazer pelo SUS: mulheres com mais de 25 anos ou com ao menos dois filhos. Mulheres casadas precisam de autorização do marido. 

Taxa de falha: menos de 1%.

Leia mais: Mulher deveria pedir autorização do marido para fazer laqueadura?

Efeitos colaterais: riscos ligados ao procedimento cirúrgico, como dor ou infecção. 

Preservativos 

O que é: camisinhas masculinas e femininas são barreiras de látex ou poliuretano que impedem a entrada do espermatozóide no útero.

Como é usado:  a camisinha masculina deve ser colocada no pênis na hora da relação sexual e retirada logo em seguida. A camisinha feminina deve ser inserida na vagina até 8 horas antes da relação e deve ser descartada em seguida. 

Taxa de falha: para o masculino, de 2 a 15%. Para o feminino, de 5 a 21%. 

Efeitos colaterais: não têm

Bônus: são os únicos métodos que, além de prevenir a gravidez, previnem infecções sexualmente transmissíveis. 

Vasectomia

O que é: cirurgia de esterilização realizada no homem, de efeito reversível. 

Como é feita: uma cirurgia no escroto corta ou bloqueia a circulação de espermatozoides dos testículos para a uretra. 

Quem pode fazer: pessoas com mais de 25 anos ou ao menos dos filhos. 

Taxa de falha: de 1% a 3% 

Efeitos colaterais: não há 

Leia mais: Como sair da pílula: Alternativas e riscos de cada contraceptivo

Como escolher?

O método anticoncepcional deve ser escolhido junto com o médico e também em conversa com a parceira ou parceiro. Somente um profissional pode indicar um contraceptivo com menos efeitos colaterais, com menor taxa de hormônios e que seja mais adequado para cada paciente. “Para quem tem a pele oleosa, por exemplo, o médico vai escolher uma pílula que ajude a melhorar a pele. Para quem tem fluxo menstrual muito aumentado, vai indicar uma que diminua o fluxo e assim por diante”, explica a ginecologista. 

Leia mais: “Estou há três meses limpa: parei de tomar anticoncepcional

Disponibilidade x Desinformação

Essa é a lista oficial do SUS, mas nem sempre ela é seguida à risca. Como foi denunciado pela AzMina, o Ministério da Saúde não compra DIU para o SUS desde 2015 e existem médicos se recusam a implantá-lo em mulheres que não tiveram filhos. Pessoas que nunca tiveram filhos podem fazer uso do DIU sem problemas e é um direito, nenhum médico pode se recusar a realizar o procedimento, salvo em casos de anormalidades no útero, suspeita de gravidez ou de alguma infecção. 

“Os mais fáceis de ser encontrados são os preservativos, em especial, o preservativo masculino. É preciso ficar atenta e cobrar os postos de saúde sobre todos os métodos”, reforça o ginecologista Pera. A compra pelo diafragma também parou nos últimos anos e o dinheiro para compra de anticoncepcionais para o SUS é investido majoritariamente em métodos hormonais. 

Fonte complementar: https://cartaodosus.info/diu-pelo-sus/ 

Errata (23/9, 15:10): ao contrário do que foi informado anteriormente, o SUS não oferece o DIU hormonal, somente o de cobre.

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