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Minas, não podemos ter medo de falar sobre grana

por Thais Folego
25 de outubro de 2019
Queremos fazer mais reportagens que ajudem de forma prática as mulheres a cuidar do seu dinheiro - e para isso precisamos ouvir a sua opinião

Esta semana a reforma da previdência foi aprovada no Senado, uma decisão que vai afetar a aposentadoria de 72 milhões de pessoas. A reforma vai reduzir benefícios e aumentar a idade mínima que as mulheres precisam ter para poderem se aposentar. E achamos que essa era uma ótima oportunidade para falar de um assunto que a gente cobre muito pouco aqui n’AzMina: dinheiro.

A gente faz reportagens sobre direitos reprodutivos, violência doméstica, mulheres na política, saúde, mas fala muito pouco sobre algo que define bastante a nossa vida, que é a nossa relação com o dinheiro. Como a reforma da previdência está há meses na pauta, decidimos começar por aí.

E tivemos bastante críticas nas redes sociais sobre a abordagem do assunto. Então queremos propor duas coisas: contar sobre os bastidores dessa reportagem (e fazer uma autocrítica) e também pedir a ajuda de vocês sobre como podemos cobrir esse assunto de uma maneira que seja útil e contemple mulheres em suas diferentes realidades.

Nós não acreditamos que a aposentadoria é um assunto que possa ser resolvido apenas na esfera individual e que é necessário, sim, defender nossos direitos trabalhistas e previdenciários na esfera política. É por isso que defendemos maior representatividade de mulheres (negras, principalmente) na política e estamos sempre escrevendo sobre isso.

Mas AzMina também acredita que uma importante função do jornalismo é produzir conteúdo que ajude as mulheres a ter uma vida melhor, ser propositivo, ajudar de maneira prática sempre que possível. E foi com isso em mente que fizemos essa reportagem.

A primeira coisa a fazer foi escolher com quem falar. E nossa prioridade era ouvir uma especialista acostumada a lidar com finanças pessoais para mulheres, por conta das particularidades e estereótipos de gênero que o assunto carrega, e também com alguém que falasse da realidade de quem ganha pouco.

Por isso também procuramos fontes que trabalham com educação financeira para combater a desigualdade. E foi assim que conhecemos a NoFront, que busca, por meio da educação financeira, “superar as dificuldades que grande parte da população brasileira enfrenta para equilibrar o seu orçamento e amortizar os efeitos da desigualdade econômica”, como explicam no site.

A primeira pergunta que fiz para as três especialistas foi: dá para se planejar para aposentadoria ganhando um salário mínimo? As três pontuaram as dificuldades de se fazer isso ganhando pouco, mas destacaram algo importante: alguns países com a mesma faixa de renda brasileira têm níveis de poupança maiores do que a nossa. Não há dúvidas de que existe uma questão de desigualdade social, mas há também uma questão cultural do porquê poupamos tão pouco, que pode ser explicada pela nossa falta de educação financeira.

Uma autocrítica

Bom, contada essa história, agora é a parte da autocrítica: realmente, para muitas mulheres, nem sempre é possível poupar um pouquinho por mês, como resumimos na arte das redes sociais. Entendemos que há diversas e inúmeras dificuldades que impedem as mulheres de poupar: desemprego, subemprego, violência, desigualdade salarial…

Mas nossa proposta ao pautar finanças para mulheres é que todas nós comecemos a pensar em dinheiro. Sem medo, sem tabu e sem culpa. É claro que a questão da desigualdade vai muito além das nossas decisões individuais e nem sempre teremos controle sobre nossas remunerações. Mas ao incentivar as mulheres a pensar sobre nossos gastos, a perder o medo de fazer contas ou planejamento mais longos, vamos perceber que a maioria sempre fez milagre com o orçamento de casa e sabe sim cuidar de dinheiro. Isso pra gente também é empoderamento.

E sem mais delongas, vamos ao que interessa: queremos saber o que você quer saber sobre dinheiro – e como! Para isso, você pode responder as perguntas abaixo? Aqui está o link para você mandar para as amigas também responderem. Nossa ideia é discutir finanças a partir de diferentes vivências, para mulheres de diferentes classes sociais e entendendo que essas realidades são diferentes.

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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