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Amber Heard e Johnny Deep: quais os impactos que esse caso tem na luta das mulheres?

Tratamento que atriz recebeu do público durante o julgamento revela como enxergamos vítimas de violência doméstica

Ameaças de morte, memes, xingamentos, distorções de falas; Amber Heard encarou a fúria da internet desde o primeiro dia em que pisou no tribunal da Virgínia, nos Estados Unidos, em abril deste ano. Na disputa em um processo por difamação contra o ex-marido Johnny Depp, a atriz entrou no julgamento como vítima de violência doméstica, mas rapidamente se tornou vilã. 

Antes mesmo de receber o veredito judicial, que impôs o pagamento de US$ 10,3 milhões ao ex-marido, Amber já tinha recebido a sentença de culpada pelo grande público. Mas por quê? Por que reconhecer Amber como vítima de violência doméstica parece tão difícil para boa parte da sociedade? E o que isso revela sobre o tratamento que outras mulheres recebem ao denunciar seus abusadores? Estamos diante de um caso que vai trazer retrocessos para o movimento feminista?

A briga começou em 2017, depois que Amber, ex-esposa de Deep, escreveu um artigo em um jornal revelando ter sido vítima de violência doméstica. Ainda que ela não citasse o nome do ex-marido, a mídia fez esse papel e chamou Johnny Deep de “espancador de esposas”.  

Em resposta, ele processou tanto o jornal, quanto Amber, dizendo que teve a carreira e a reputação abaladas. Ela revidou, processando ele também. Nessa disputa os dois acabaram condenados por difamação, em maio deste ano. Mas a diferença nos valores que um deve ao outro deixa claro que o ator saiu vitorioso. O júri composto por cinco homens e duas mulheres decidiu que ele terá que pagar US$ 2 milhões para ela. 

Os possíveis impactos que esse caso pode ter nos movimentos feministas e nas denúncias de violência contra as mulheres você encontra no vídeo do programa semanal “Mas vocês veem gênero em tudo” no Youtube. Assista!

AzMina entrevistou a doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo Beatriz Accioly para analisar esse tema. Veja! E aproveite para se inscrever no canal porque tem vídeo novo toda terça-feira, e às quintas quando conseguimos. Apoie e ajude a ampliar o jornalismo feminista!

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