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Na velhice e na doença: mulheres são abandonadas quando não podem mais cuidar  

70% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama são rejeitadas por companheiros. Amparo ainda é um privilégio masculino.

É comum que depois do diagnóstico de câncer, pacientes digam que a vida mudou drasticamente. Os estigmas relacionados à doença, os impactos do tratamento e o resultado – muitas vezes – incerto, são assustadores para quem recebe a notícia. Se isso já não fosse o bastante, nós, mulheres, lidamos com um peso adicional: o abandono. 

A situação é tão comum que virou estatística: de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia, 70% das pacientes lidam com a rejeição de seus parceiros nesse momento. Isso quer dizer que, além de enfrentarem um momento extremamente frágil, elas ainda precisam passar por isso sozinhas.

A ativista Daniela Louzada, que trata de um tumor no cérebro desde 2019, conta que já viu essa cena acontecendo muitas vezes dentro do hospital. Durante uma sessão de radioterapia, ela ouviu uma outra paciente se desesperar diante da ideia de perder os cabelos “Ela dizia: o meu marido vai me largar”. 

Para muitas de nós, basta que o nosso corpo se fragilize para que o abandono aconteça. Somos vistas como um corpo que cuida e não que precisa de cuidado. E por isso, infelizmente, não é só na doença que esse desamparo acontece. Na velhice, ele também pesa mais sobre nós. A gente fala sobre tudo isso no novo episódio do Gênero em Tudo. Assista! Com entrevista de Dani Louzada, do Canal Terminal. 

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