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Feministas negras brasileiras que você precisa conhecer

Em comemoração ao Dia da Consciência Negra, listamos algumas intelectuais e ativistas que muito contribuem ao debate de raça e gênero no país. 

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“Por que aqui no Brasil vocês precisam buscar essa referência nos Estados Unidos?”, questionou Angela Davis quando veio ao Brasil em 2020. A filósofa e militante disse que não precisava ser referência do feminismo negro para nós, já que ela própria havia aprendido muito com as feministas negras brasileiras. 

No Brasil, filósofas, escritoras, sociólogas, políticas e professoras negras, lutaram por mudanças sociais e dedicaram a vida aos estudos sobre o lugar das mulheres negras na sociedade brasileira. E elas trouxeram grandes avanços para a luta feminista no país. 

No Dia da Consciência Negra, #20deNovembro, reunimos algumas dessas intelectuais e ativistas negras que deram grandes contribuições, e ainda dão, aos debates sobre raça e gênero por aqui. Algumas já faleceram e deixaram seus legados, outras permanecem na resistência.

Sueli Carneiro 

Filósofa, escritora, doutora em Educação e diretora do Geledés — Instituto da Mulher Negra. Sueli pesquisa e publica trabalhos sobre o racismo e a violência de gênero e foi uma das defensoras das cotas em universidades brasileiras. 

Conceição Evaristo 

Professora, educadora e um dos principais nomes da literatura contemporânea no Brasil. Conceição Evaristo é doutora em literatura, luta pela valorização da cultura negra e tem livros publicados de contos, romances e poesias.

Matilde Ribeiro 

Professora, assistente social e ativista política brasileira filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT), atuou nos movimentos negro e feminista. Foi ministra-chefe da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial no governo Lula.

Edna Roland 

Psicóloga, ativista e fundadora de quatro organizações negras: Bloco Afro Alafiá; Coletivo de Mulheres Negras de São Paulo; Geledés – Instituto da Mulher Negra; e FALA PRETA! Organização de Mulheres Negras. 

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Cida Bento 

Doutora em psicologia, ativista brasileira e diretora do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT), organização responsável pela primeira ação contra o assassinato de uma pessoa negra pela polícia como um crime de racismo. 

Lélia Gonzalez 

Filósofa, antropóloga e socióloga, Lélia é considerada a mulher que revolucionou o movimento negro no Brasil. Teve grande participação política nos movimentos negro e de mulheres, produzindo diversos trabalhos intelectuais sobre a posição da mulher, principalmente negra e indígena, na sociedade brasileira. Morreu em 1994. 

Beatriz Nascimento 

Historiadora, roteirista, professora e militante do movimento negro e de mulheres. Beatriz estudou as formações dos quilombos no Brasil, sendo conhecida também pelo documentário Orí, que recupera a história dos movimentos negros brasileiros a partir dos textos e trajetória da historiadora. Faleceu em 1995. 

Fátima Oliveira  

Médica, escritora e intelectual. Fátima foi uma grande ativista das questões étnico-raciais e feministas. Atuou defendendo o SUS e pautas como a legalização do aborto, integrando também a Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Sexuais Reprodutivos. Faleceu em 2017. 

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Neusa Santos

Psiquiatra, psicanalista e escritora. Neusa estudou os aspectos sociológicos e psicanalíticos da negritude e do racismo no Brasil. É autora do livro “Torna-se negro”, fruto de sua dissertação de mestrado. 

Luiza Bairros 

Administradora brasileira, política e militante do movimento negro. Luisa estudou temas como racismo, sexismo e o negro no mercado de trabalho. Foi ministra-chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Brasil entre 2011 e 2014. Faleceu em 2016. 

Jurema Werneck

Médica, comunicóloga, escritora e ativista do movimento brasileiro de mulheres negras e dos direitos humanos. É Diretora-Executiva da Anistia Internacional no Brasil e co-fundadora da organização Crioula. 

Lúcia Xavier

Assistente social, ativista pelos direitos humanos no Brasil e fundadora da ONG Criola, dedicada a combater o racismo, o sexismo e a homofobia. Ajudou a criar em 1999 o Disque Defesa Homossexual (DDH), serviço pioneiro de atendimento público a pessoas LGBT. 

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Vilma Reis

Socióloga e ativista do Mov. de Mulheres Negras. Defensora dos direitos humanos, das mulheres, negros e LGBTs, ocupa desde 2015 o cargo de Ouvidora-geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia.

Vilma Piedade

Socióloga, professora, escritora e defensora dos direitos das mulheres negras. É autora do Livro “Dororidade”, conceito que trata da empatia entre mulheres negras ligada à dor comum. 

Márcia Lima 

Socióloga, professora e coordenadora do Afro, núcleo de pesquisa e formação sobre a questão racial do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Investiga temas como desigualdades sociais, gênero e raça. É uma das organizadoras da primeira coletânea de textos de Lélia Gonzalez. 

Erica Malunguinho 

Educadora, artista plástica e política brasileira. É a primeira mulher trans eleita como deputada em São Paulo e também ativista do movimento negro e trans. Fundou o quilombo urbano Aparelha Luzia, em São Paulo, um espaço cultural e área de resistência e acolhimento para pessoas negras na capital paulista.  

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