logo AzMina

“Precisamos Falar com os Homens?” – um filme do qual não dá pra fugir

A turma do Papo de Homem foi atrás dessa resposta e o resultado foi um documentário cuja pré estreia a gente acompanhou e te conta como foi
por Letícia Bahia
31 de outubro de 2016
precisamos-falar-com-os-homens
Cena do documentário produzido pelo Papo de Homem – Foto: Reprodução

Não há muito como escapar. Ele é o cobrador do ônibus, é o caixa da padaria. Pode ser seu chefe, seu estagiário, seu marido. Eles são metade da população mundial e estão por toda parte, de modo, amigas, que não tem muito jeito: nós precisamos falar com os homens. A pergunta mais difícil é:como vamos falar com eles? A turma do Papo de Homem foi atrás dessa resposta, e o resultado é o documentário “Precisamos Falar Com os Homens?”, cuja pré estreia a gente acompanhou e te conta como foi.

Com narração dos globais Leandra Leal e Caco Ciocler, o documentário percorre diversas cidades do Brasil buscando comprovar o óbvio:

homens e mulheres são a matéria prima da sociedade, e é impossível viver em harmonia sem que o feminismo ajude, também, a construir novas formas de masculinidade.

A apresentação dos dados estatísticos – fruto de uma pesquisa da ONU Mulheres, parceria do projeto – é primorosa, com gráficos que devem desconcertar aqueles que insistem em dizer que a dominação masculina é coisa do passado.

“Quando são pequenos, ganham armas e carros – e quando são adultos, não queremos que se matem”, diz uma das entrevistadas pela produção. De Pernambuco a São Paulo, o longa vai nos mostrando diversos projetos e conceitos que, de diferentes formas, trabalham para a construção de masculinidade que não sejam atravessadas pela violência, pela homofobia e pela dominação da mulher.

De fato, embora seja importante entender que optar por um feminismo voltado para os homens é apenas uma opção entre tantas outras válidas, é preciso aceitar que enquanto nossa cultura não parar de forjar agressores, assediadores e estupradores, pouca coisa vai mudar pra nós.

Mas será que o documentário, de fato, inclui os homens nessa conversa? Pouco provável. Na plateia do cinema Kinoplex Itaim, os homens eram gatos pingados entre as cerca de 150 pessoas. Sim, ao nosso tempo e de acordo com a nossa vontade, a gente precisa falar com os homens. Mas será que eles estão preparados pra nos ouvir?

* o documentário estará disponível nesse link a partir de amanhã!

* Você sabia que pode reproduzir tudo que AzMina faz gratuitamente no seu site, desde que dê os créditos? Saiba mais aqui.

Apoie AzMina

A Revista AzMina alcança cada vez mais gente e já ganhou mais prêmios do que poderíamos sonhar em tão pouco tempo. A gente acredita que o acesso a  informação de qualidade muda o mundo. Por isso, nunca cobraremos pelo conteúdo. Mas o jornalismo investigativo que fazemos demanda tempo, dinheiro e trabalho duro – então você deve imaginar por que estamos pedindo sua ajuda.

Quando você apoia iniciativas como a nossa, você faz com que gente que não pode pagar pela informação continue tendo acesso a ela. Porque jornalismo independente não existe: ele depende das pessoas que acreditam na importância de uma imprensa plural e independente para um país mais justo e democrático.

Apoie AzMina

AzMina é uma resposta feminista à desigualdade e ao preconceito