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Já pensou em contratar uma assistência técnica só de mulheres negras?

Durante esta semana, AzMina contará histórias de mulheres que se aventuram no mundo do empreendedorismo, com objetivo de divulgar os seus serviços e encorajar mais mulheres a criar o seu próprio negócio

 

Desde pequena, Buh D’Angelo, de 22 anos, gostava de desmontar eletrônicos da sua casa para descobrir mais sobre seu funcionamento interno; aos 17, começou a trabalhar na área industrial consertando todo tipo de coisa, como rádios, geladeiras e televisores, e também começou a estudar programação. Em 2013 ela montou a InfoPreta, uma empresa de assistência técnica, na qual trabalham apenas mulheres negras. No momento, o empreendimento tem três funcionárias que podem te ajudar com questões de hardware, software, programação, limpeza de computadores, entre outros serviços. 

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Ao manusear os computadores, ela mostra aos clientes – majoritariamente mulheres – todo o processo de diagnóstico e até o próprio conserto, caso ele seja simples. A InfoPreta colabora para a independência feminina, assim, as clientes podem consertar os seus computadores sozinhas, e também estimula mais mulheres a atuarem nesta área que é ainda é considerada masculina.

Para isso, elas possuem um canal no youtube com tutoriais e também ministram cursos gratuitos. Buh diz que uma assistência só de mulheres ainda pode causar um certo estranhamento, que deve ser quebrado continuamente com o empoderamento e incentivo de mulheres na área, principalmente as mulheres negras e periféricas, em situação de vulnerabilidade. Além disso, Buh afirma que hoje só trabalha com fornecedores mulheres na compra das peças para os computadores.

Buh coloca que, por não reproduzir o “padrão de feminilidade” – “Nem homem, nem mulher, eu sou eu” -, ela chegava a ser tratada “como homem”. Porém, nem por isso ela deixou de ser atingida por preconceitos – um combo de racismo, machismo e homofobia -, em vários momentos da sua vida profissional e pessoal. Há certos desaforos que ela afirma já ter sofrido nos antigos ambientes de trabalho que a tornaram, segundo ela, perfeccionista com os seus serviços. 

“Acham que, só porque eu sou mina, eles podem me zoar”

Fora o conserto de computadores, a InfoPreta possui o projeto “Notes Solidários da Preta”, no qual recebem notebooks usados, fazem o reparo, formatação e limpeza, e depois disponibilizam a doação para mulheres periféricas, cis e transgênero, matriculadas no ensino público e com boas notas, com intuito de auxiliar nos seus estudos e potencializar a sua formação.

Durante a entrevista, Buh não parou um minuto sequer, revezando-se entre nossa conversa, os vários computadores à espera de consertos e o atendimento às clientes que chegavam. Durante todo o tempo em que estivemos no espaço da empresa, no centro de São Paulo, ela estampava um sorriso no rosto.

Foto: Amanda Negri

 

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