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Eu também posso usar turbante?

Luna diz que sim, mas com algumas condições - e depois de explicar quais, ela te ensina a fazer!
Juliana Luna é a nova editora de beleza e estilo da Revista AzMina
Juliana Luna é a nova editora de beleza e estilo da Revista AzMina

Turbante é mais do que um acessório de moda. Ele é um símbolo de resistência para as mulheres negras na diáspora. E uma forma de nós, mulheres negras, nos conectarmos a algo que foi apagado da nossa história: nossa ligação com nossos ancestrais. O que mais tem acontecido atualmente, porém, é o turbante ser usado como somente um acessório, desprovido de valor cultural. Produzido em massa e vendido sem cuidado algum. Como se fosse apenas um item de consumo. Isso não é legal.

Através do meu trabalho, eu procuro educar mulheres no mundo todo sobre o valor que esse elemento tem e, principalmente, a forma como ele deve ser usado. Com o devido respeito. Com a devida educação.

A partir do momento que essas premissas são cumpridas, abrimos diálogo e construímos uma ponte entre dois mundos que foram segregados por um sistema cruel. Essa é minha visão.
Cada mulher que aprende sobre a história desse símbolo, entende as suas ligações ancestrais a partir de uma ótica muito pessoal. Cada vez que eu falo sobre o turbante em meus workshops, usa-se uma linguagem quase que “ritual” para ilustrar todo o conceito de poder que esse símbolo carrega e como isso pode nos libertar para vivermos uma vida mais sincera, com respeito por nós mesmas.

Meu desejo é que nós, mulheres, possamos olhar umas para as outras com admiração e empatia. Cada uma carrega consigo uma força muito poderosa, vinda de lugares onde talvez nunca estivemos, mas que estão dentro de nós.

Assim é a minha vivência. Sou proveniente do grupo étnico Yorubá na Nigeria, que tive o prazer de visitar. Antes mesmo de saber que essa era minha “tribo”, eu já estava exercendo um papel muito importante em minha comunidade: o de educar pessoas de toda cor sobre a beleza e o poder dos meus antepassados. Por isso exijo, sim, muito respeito com minha arte. Ela corre nas raízes do meu DNA.

Podemos todas aprender umas com as outras, desde que esse aprendizado gere respeito e educação. Assim somos conscientes da luta do outro, e nos unimos para que essa luta não seja exclusiva. No vídeo a seguir, a gente conversa mais sobre isso 🙂

Quem está na cola do machismo mesmo?

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