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Auxílio Brasil (o novo Bolsa Família), fome e mulheres

Como um programa que altera as regras de transferência de renda para o combate à pobreza e à fome afeta as mulheres?

Ir ao mercado tem sido uma verdadeira experiência de terror: em julho, o valor da cesta básica mais cara do país, em Porto Alegre, foi de 656 – mais da metade do salário mínimo. Na semana em que o governo federal anunciou o Auxílio Brasil, um programa de transferência de renda que vai substituir o Bolsa Família, o quadro “Mas Vocês Veem Gênero em Tudo?”, do canal do YouTube da Revista AzMina, explica como um programa que altera as regras de transferência de renda pro combate à pobreza e à fome afeta diretamente as mulheres.

Antes da pandemia, 57% das famílias chefiadas por mulheres com crianças de até 14 anos viviam abaixo da linha da pobreza, segundo o IBGE. Foram nessas famílias (mas não só nelas) que a insegurança alimentar e a fome chegaram com tudo no último ano. 

Com a a alta da inflação, puxada principalmente pelo preço dos alimentos e da energia, o Auxílio Brasil quer mudar os valores que definem a linha da extrema pobreza e de pobreza no país, mas não diz quais serão os novos parâmetros. O texto da Medida Provisória ainda tem outras lacunas: não estabelece qual o valor do benefício, nem diz se ele seguirá sendo pago preferencialmente às mulheres, como é o caso do Bolsa Família, em que cerca de 90% dos cadastros são no nome delas.

Com tantos interesses em jogo, principalmente motivações eleitorais, se o Novo Bolsa Família não for pactuado com quem entende do assunto ou é beneficiário direto dessas políticas – ou seja, as mulheres – o país não vai avançar, mesmo que isso esteja na ordem do dia do discurso do governo.

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