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Se tem uma coisa que os eventos políticos deste ano ensinaram é que é preciso votar com mais responsabilidade nos cargos do legislativo. Então agora que as eleições municipais estão chegando, é preciso cuidado para decidir em quem votar, não só para a prefeitura, mas também para a câmara municipal. Uma decisão que envolve muitos fatores: qual o plano de governo de cada candidt@, as pautas que prioriza, seu histórico político/social e suas alianças. Mas tem outro fator que é muito importante que raramente levamos em conta: ser mulher. Afinal, somos 52,5% do eleitorado brasileiro segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mas apenas 13,5% dos vereadores e 12% dos prefeitos  (dados da Secretaria de Políticas para Mulheres).

Ter mulheres na política é importante por vários motivos. A começar pela necessidade de corrigir uma desigualdade histórica na representatividade das mulheres nos espaços de poder. Isso significa mudar a maneira como o imaginário comum coloca a mulher como pertencente aos espaços domésticos e os homens na política. Com explica a consultora do Instituto Brasileiro de Administração Municipal, Adriana Mota, “tem uma contribuição importantíssima das mulheres na história, cultura e economia, mas não conseguimos corresponder a isso dentro do legislativo e executivo”.

Para ela, o simples fato de eleger mulheres já coloca um olhar com recorte de gênero sobre as decisões. Até hoje, as leis foram feitas majoritariamente por homens e as decisões foram tomadas por eles, o que significa que dificilmente há um olhar para as necessidades das mulheres.

Falar de políticas para mulheres, no entanto, é ir além das questões de violência doméstica ou aborto. “É preciso pensar o recorte de gênero em todas as politicas públicas, não só aquelas mais conhecidas da pauta feminista. Eu quero ver o recorte de gênero na moradia, na acessibilidade, na segurança e na educação, em todas as pautas. O recorte de gênero faz diferença”, afirma Adriana. Para explicar, ela dá o exemplo de um projeto urbano de iluminação de ruas. Mulheres entenderiam a necessidade de uma iluminação mais intensa para criar um ambiente que iniba estupros, uma necessidade que homens podem ignorar.

De olho nas propostas

Mas é claro que não basta que a candidata seja mulher, é preciso que ela esteja alinhada com as pautas que você considera importantes. “Temos que votar em mulheres que tenham representatividade e expressão nas pautas das mulheres”, diz Adriana.

Independente de quais forem suas convicções políticas, existe uma candidata mulher que se alinhará a elas. Basta pesquisar até mesmo dentro do partido e ler as propostas  da candidata para entender se ela está alinhada com você. Para quem estiver em busca de candidatas focadas nas questões de direitos humanos, minorias, de gênero e lgbtt, uma dica é usar o site #MeRepresenta. O aplicativo fez um questionário com os candidatos de diversas cidades e, através dele, os eleitores podem dar um “match” com aqueles mais alinhados com as suas prioridades. Dentro dos indicados, basta escolher uma mulher.

Além das propostas, vale também conferir quem são os aliados da sua candidata e seu passado, para conhecer seu histórico (não só político, já que muitas ainda estão começando na política). Assim você garante votar em alguém que de fato representa aquilo em que acredita – e não em alguém que apenas usou os temas que importam durante a campanha.