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Sochua, a ativista que elegeu 900 mulheres no Camboja

Aguerrida, ela saiu em uma peregrinação pelo país estimulando mulheres a tomarem o poder.

[fusion_text]De Nova York, EUA

[dropcap color=”” boxed=”no” boxed_radius=”0″ class=”” id=””]N[/dropcap]ão tinha nada que irritasse mais a ativista Sochua Mu do que um ditado popular de seu país, o Camboja: “Os homens são ouro, as mulheres, um pedaço de pano branco”. Por trás da metáfora, ela sabia bem o que estava – a ideia de que os homens podiam ser cobertos de barro e sempre lavados de volta ao estado de pedra preciosa. Já as mulheres sujas de lama (por um estupro, uma gravidez não planejada, um divórcio) estariam manchadas para sempre.

Quando assumiu como a primeira mulher a ser Ministra das Mulheres em seu país, em 1998, nada importava mais do que destroçar essa mensagem e reconstruí-la para “Homens são ouro e mulheres, pedras preciosas”. E esse, “Mulheres são pedras preciosas” foi o nome escolhido para o que é, talvez, o mais bem sucedido programa de governo do mundo a envolver mulheres na vida política. No vídeo a seguir, Sochua conta como, nos últimos 13 anos, convenceu 25 mil mulheres a se candidatarem e colaborou para que 900 delas fossem eleitas.

Esse serviço às suas pares, no entanto, lhe custou caro. Hoje, Sochua não pode voltar ao Camboja ou será presa. As hordas de mulheres empoderadas nas ruas, exigindo salários dignos, leis de combate à violência doméstica e a retomada de suas terras confiscadas, incomodaram em demasiado a democracia de fachada do país.

Sem remorsos, ela segue sua luta à distância – e à distância nós também nos inspiramos nessa mina que honra o rolê pra [email protected] nós.

FOTO: Reprodução
FOTO: Reprodução

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