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Fizemos a gestão de crise da campanha da Bayer

Convidamos os responsáveis pra um debate sobre cultura do estupro na propaganda. Será que eles aceitam?
por Equipe AzMina
24 de junho de 2016
Uma das peças da campanha da AlmapBBDO para a Bayer. Imagem: AlmapBBDO

Prezadas AlmapBBDO e Bayer,

Nós sabemos que vocês se importam com a violência contra a mulher. A cada ano, mais de 500 mil estupros acontecem no Brasil, e essa questão tem comovido cada vez mais o brasileiro. Sabemos que vocês não têm intenção de reforçar a naturalização da violência contra a mulher, que não acreditam ser este problema uma dor de cabeça que se trata com Aspirina.

Há de ter sido infeliz coincidência que a campanha da Aspirina que brinca com vazamentos de áudios e vídeos gravados sem autorização tenha levado um Leão de bronze em Cannes, o maior festival de publicidade do mundo, justamente quando o Brasil tenta se recuperar do choque de um estupro filmado, performado por nada menos do que 33 homens. O machismo é um elemento cultural tão enraizado que às vezes nós mesmas temos dificuldade em detectar seus braços ocultos. 

Bacana vocês terem pedido a retirada das peças à direção do Festival, abrindo mão do prêmio. Mas as mulheres se sentiram lesadas e continuam sendo estupradas. É preciso responder a isso com firmeza, porque notas de desculpas já não dão mais conta de uma questão que vem deixando tantas vítimas pelo caminho.

Para remediar a situação e explicitar a preocupação da AlmapBBDO (agência responsável pela campanha) e da Bayer para com a situação epidêmica do estupro no Brasil – estimativas apontam que, anualmente, há mais casos de estupro do que de zika no país – a Revista AzMina disponibiliza sua equipe para organizar um debate sobre a cultura do estupro na propaganda. O evento será um passo fundamental na recuperação das marcas afetadas, que assim se posicionarão em favor do amplo debate sobre o tema e com o público que se sentiu ferido pelas peças.

A Revista AzMina oferece-se para reunir um time de especialistas aptas a trazer ao público informação atualizada sobre a cultura do estupro e seus efeitos práticos no Brasil.

À AlmapBBDO e à Bayer caberiam duas tarefas. A primeira seria convocar os pesos pesados das maiores agências brasileiras para aprender sobre essa questão que, como é natural em um universo tão marcadamente masculino, passa longe do dia a dia dos profissionais. A segunda – que não deverá ser problema para duas marcas tão bem sucedidas – seria arcar com os custos do evento, tais como aluguel do espaço, assessoria de imprensa, coffee break, material de divulgação e outros.

Aguardamos vosso retorno, ansiosas para dar início à construção desse evento que, sem dúvida, será um marco positivo na propaganda brasileira e na trajetória da AlmapBBDO e da Bayer.

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