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Uma pessoa trans é morta a cada 48 horas no Brasil

Em 2017, foram 185 mortos, maior número já registrado por observatório de violência trans. A transfobia, preconceito baseado na identidade de gênero, permeia a motivação principal destes crimes brutais.
por Ponte Jornalismo
5 de fevereiro de 2018
Arte: Junião/Ponte

por Paloma Vasconcelos

FEm 2016, o Brasil havia assumido o posto de recordista em números absolutos de homicídios da população trans, com 144 mortes, sendo São Paulo o estado com o maior número reportado de homicídios. Com os dados fechados, 2017 superou o ano anterior: 185 assassinatos.

Os dados são do Dossiê: A carne mais barata do mercado, lançado no início deste ano, com dados do Observatório da Violência mantido pelo site Observatório Trans.

O site mantém a seção com dados atualizados em tempo real das mortes em 2018, baseados em informações de sites de notícias e redes sociais. Até 17 de janeiro, foram 4 assassinatos.

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Tanto o dossiê como o Observatório da Violência são elaborados por Sayonara Naider Bonfim Nogueira, professora da Universidade Federal de Uberlândia, especialista em coordenação pedagógica, e Euclides Afonso Cabral, professor da Universidade Federal de Uberlândia, especialista em educação para jovens e adultos, em janeiro de 2018, que são integrantes do Instituto Brasileiro Trans de Educação (IBTE), formado por professores travestis e transexuais.

Arte: Junião/Ponte

No mês em que se comemora o Dia Nacional da Visibilidade Trans, em 29 de janeiro, a Ponte publica uma série de reportagens sobre o tema, incluindo sete perfis de pessoas trans originalmente produzidos para o meu livro TRANSRESISTÊNCIA, escrito no ano passado como trabalho de conclusão do curso de jornalismo do Fiam-Faam Centro Universitário.

Brutalidade

A transfobia, preconceito baseado na identidade de gênero, permeia a motivação principal destes crimes brutais: 95 das mortes foram por tiro, 32 por facadas e 20 por espancamento. O perfil das vítimas é bem parecido: 95% das vítimas fatais eram mulheres trans ou travestis, 42% eram negras e 120 eram profissionais do sexo.

Em 2008, quando as mortes começaram a ser registradas, o número de assassinatos foi contabilizado em 57 homicídios.

 

Campeão de mortes em números absolutos, o Brasil ocupa o terceiro lugar do mundo quando se leva em conta o número de pessoas trans assassinadas a cada 100 mil habitantes, segundo o Dossiê do IBTE. Em números relativos, o campeão mundial é Honduras, seguido por El Salvador e Brasil.

A profissão das transgêneras assassinadas demonstra uma realidade de toda a população T, que precisa recorrer a trabalhos informais para sobreviver. De acordo com a Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), 90% da população trans está na prostituição.

A região Nordeste é a líder nos assassinatos, concentrando 39% dos casos. Depois vem o Sudeste, com 33%. Os estados que mais tiveram assassinatos da população trans no ano passado foram: São Paulo (21), Minas Gerais (20), Bahia (17), Ceará (16), Rio de Janeiro (14), Pernambuco (13) e Paraíba (11). Todos os estados brasileiros contam com ao menos uma morte, como é o caso de Acre, Roraima, Amapá e Rio Grande do Norte.

Este texto foi publicado originalmente na Ponte.

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