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‘Viver sem culpa, essa é minha resolução para o Ano Novo. E a sua?’

por Equipe AzMina
14 de dezembro de 2017
'Passamos a vida elogiando pessoas queridas, mas não conseguimos perceber o mesmo em nós'
Crédito: Pexels.com

Quem senta no Divã de hoje é a Paula Salas.

“Quantas páginas com lista de ideias, planos começados e abandonados, conversas jogadas fora sobre o futuro. Resoluções do Ano Novo com coisas para conquistar no curto tempo-espaço de um ano. 365 luas para emagrecer; fazer aquela viagem dos sonhos; economizar, melhorar a relação com o dinheiro; ser uma pessoa melhor, mais tolerante; ler 100 calhamaços com mais de 700 páginas e ao mesmo tempo ter uma vida profissional e acadêmica de sucesso. Difícil, né?

Sonhos, vontades, planos. O sentimento de querer, mas nunca ser bom o suficiente. Tentar de novo. Começar do zero. Frustação seguida do abandono. Esperar até a próxima ideia vir e tomar conta dos pensamentos. E assim recomeça o ciclo.

Os dias próximos ao fim do ano são sempre de retomada do ano anterior. Por coincidência na mesma época do meu aniversário. Uma dupla reflexão. Mais uma volta em torno do Sol. E o que fiz? 21 anos e parece que não conquistei nada. Sigo na mesma. Insatisfeita, com altos e baixos — ultimamente mais baixos do que altos — parece que nada dá certo, todos parecem conseguir menos eu.

Somos nossos críticos mais duros. Passamos a vida elogiando as pessoas queridas, mostrando o especiais e talentosas que são, mas não conseguimos perceber o mesmo em nós. Não nos tratamos com a mesma gentileza.

“Não tem problema errar” dizemos a um amigo triste e frustrado. Realmente acreditamos naquele consolo, mas quando é conosco, não sentimos o mesmo. Eles podem errar, eu não.

Seria eu, então, a supermulher? Um ser de outra galáxia? Não, sou apenas mais uma pessoa normal. Por que as regras não se aplicam a mim? Por que não me sinto no direito de errar, cair — ficar um pouco no chão  —  para depois levantar e seguir a vida? Por que (me) nos cobramos tanto?

Para 2018, vamos fazer um combinado? Vamos nos permitir errar, aprender com cada queda, decepção e frustração sem nos condenar. Viver de nossa própria maneira sem nos comparar com o outro. Cada um tem sua trajetória, história, destino. Só quem sabe de nós somos nós mesmos.

O mundo não vai acabar amanhã, há tempo. Quem sabe sai amanhã o projeto, quem sabe não sai nunca. Quem sabe não era para sair, apenas para viver aquele planejamento, aquela descoberta interior que surge a cada novo projeto. Viver sem culpa, essa é minha resolução para o Ano Novo. E a sua?”

* As opiniões aqui expressas são da autora e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.


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* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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