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‘Charlotte Matou um Cara’ quer destruir o machismo no grito – e na música

por Hard Grrrls
14 de outubro de 2016
Com um som punk cru, gritado, rápido e mensagens claras, as meninas contam para a Hard Grrrls um pouco de sua trajetória

*As Hard Grrrls escrevem pr’AzMina toda última segunda-feira do mês.

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Foi um mix de inspiração, coração partido e álcool que fez com que Déa e Julia fizessem, em 2015, um post no facebook chamando garotas para montar uma banda punk. O chamado foi respondido por Nina, que assumiu a guitarra, e Dori, que tomou conta da bateria. Dea pegou pra si o microfone e Julia, o baixo. Nascia a “Charlotte Matou um Cara”, uma referência à Charlotte Corday, que matou Jean-Paul Marat durante a Revolução Francesa. Meses depois, Kath assumiu o baixo após Julia ir morar na Califórnia.

Elas apostam em mensagens claras e empoderadoras e um som agressivo e cru. “O feminismo vive um momento do grito e é assim que queremos passar nossa mensagem”, afirma Dea. A banda se inspira na luta feminista e traz à tona  discussões como a descriminalização do aborto, violência policial, homofobia, relacionamentos abusivos, o machismo no punk, entre outras discriminações vividas no dia a dia.

As Charlottes acreditam que na cena punk rock ainda não há espaço suficiente para bandas de minas. “Até hoje, a gente fez pouquíssimos shows com bandas de caras e quando fizemos, sentimos um enorme desconforto por parte do público e até de alguns músicos. Mas as minas se agilizam, sempre se agilizaram”, confessa Nina. “Recentemente a gente tem visto cada vez mais festivais só com bandas femininas, que trazem também palestras, filmes, discussões, como Hard Grrrls e o Maria Bonita Fest”.

É um desafio estar nos palcos e ser mulher, a todo momento rola aquela desconfiança, contam elas. A banda ressalta que, com frequência, ouve comentários masculinos após o show como: “Nossa! vocês sabem mesmo tocar” ou “Vocês gritam mesmo, tocam forte, com essas carinhas…”.

Já o público feminino se identifica e desabafos são compartilhados. “Parte do feminismo e do empoderamento é justamente entender que a luta de uma é a luta de todas e que somos fortes quando estamos juntas!”, afirma Dori. E completa: “Assim como o punk rock feminista, toda a cena de minas poderosas que desafiam a misoginia através da música, como o RAP e o funk feminista, tem um papel importante para o empoderamento feminino. À medida em que conquistamos espaços dominados por homens, falamos sobre coisas que todas nós passamos e transformamos nossa opressão em luta.

Com um EP previsto para sair até o fim desse ano, as meninas contam que, no processo de composição, as letras são feitas geralmente pela Dea. “O que fazemos é entender a letra e colocar uma melodia que combine. Então temos músicas mais pesadas, outras mais rápidas, outras mais felizes, depende da letra. Até pra criar as músicas rola um #JuntasSomosMaisFortes”, brinca Kath.

Por fim, as Charlottes dão seu último recado:

“Meninas, por favor, montem bandas, vamos tocar juntas e derrubar o patriarcado no grito, tornar a vida desses machistas um inferno. Fora Temer e abaixo o patriarcado!”

Acompanhe as novidades e agenda da banda através da fanpage: facebook.com/CharlotteMatouUmCara

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

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