(Foto: Mídia Ninja)

“Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”, perguntou Marielle um dia antes de ser assassinada.

Há apenas uma semana, no dia internacional da Mulher, a Revista AzMina lançou a campanha #SejaALíderQueTeRepresenta, incentivando mulheres a se candidatar a cargos públicos. Ontem a vereadora do PSOL no Rio, Marielle Franco, 38 anos, foi assassinada. Os indícios apontam para uma execução e para a atuação de milícias formadas por policiais militares.

Marielle representava muita gente.

Ela foi a 5a vereadora mais votada do Rio. Vinha consistentemente denunciando a violência da Polícia Militar carioca. Se referia à intervenção federal, que colocou o exército no comando da segurança pública no estado do Rio, como “farsa”. “É farsa mesmo. Tem a ver com a imagem da cúpula da segurança pública, com a salvação do PMDB, tem relação com a indústria do armamentismo”, afirmou.

Recentemente, Marielle denunciou em suas redes sociais uma ação de policiais militares do 41º BPM (Irajá) na Favela de Acari. Segundo ela, moradores reclamaram da truculência dos policiais durante a abordagem na favela. De acordo a denúncia da vereadora, os PMs invadiram casas, fotografaram suas identidades e aterrorizaram os moradores.

Como incentivar a participação de mulheres na vida política de um país que não garante nem mesmo seu direito à vida?

Como “comemorar” o mês da mulher quando nossa voz é silenciada a gritos, tapas e tiros?

Em mais de 1,2 mil cidades brasileiras, não há sequer uma vereadora. Na Câmara, 10,7% dos assentos são ocupados por elas; no Senado, o índice é de 14,8%. Em nível municipal, dos quase 58 mil vereadores eleitos em 2016, apenas 14% eram mulheres.

Marielle era também uma voz que se erguia contra a sub-representação da população negra na política. No Congresso Nacional, dos 513 deputados federais, somente 43 se reconhecem como negros, menos de 10% do total. Dos 81 senadores, apenas dois são negros ou pardos.

Marielle era mulher, negra, nascida e criada na favela da Maré. Ela vinha de uma luta histórica por direitos humanos, especialmente em defesa dos direitos das mulheres negras e moradores de favelas e periferias e na denúncia da violência policial.

Marielle nos representa.