Foto: Flickr/Núcleo Editorial

O Divã de hoje é anônimo.

“No dia dos namorados, minha amiga me mandou uma mensagem dizendo que deu o cu, e não é a primeira vez que eu sou notificada sobre o assunto. Não sei quando foi que eu me tornei uma pessoa referência nos mistérios anais, já que minha infância e adolescência nunca foram muito promissoras nesse sentido. Eu sonhava com o dia em que eu ia poder ir pra escola abraçada num fichário e meus peitos enormes ficassem esmagados nesse sistema, ter um corpo voluptuoso que chamasse a atenção dos meninos. Esse dia nunca chegou (pelo menos o fichário eu tive).

Me peguei no ônibus contando nos dedos a quantidade de homens com quem já transei. Não sei por que comecei com isso, sempre foi fácil trabalhar com essa margem que fica dentro do ordinário — talvez seja porque nas últimas duas semanas transei com dois caras diferentes e agora acredito que isso possa vir a perder o controle (já mirando no terceiro cara diferente para o próximo fim de semana).

Meu primeiro namorado, estranhamente foi a primeira pessoa que eu beijei e olha que eu já estava bem crescida, digamos. Ele foi provavelmente a pessoa mais gentil com quem já me relacionei, mas sempre aconteciam atritos, porque eu sempre queria transar e ele não se importava muito.

O pau dele era torto prum lado, isso foi importante pra eu já entender que devia respeitar a diversidade de piroca no mundo.

Depois teve o segundo namorado, aquele que a gente conhece na faculdade e acha que vai ser pra sempre. Ele pode parecer um cara super sexual a princípio, mas quase sempre é egoísta na cama, e a gente simplesmente aceita porque acredita que é normal.

Teve também o lutador de MMA niilista e o que parece um certo galã feio (que eu acho gato). Depois disso, dei uma desandada no critério – que pra mim, na verdade, nem é algo que levo tão a sério. Tesão circunstancial foi um termo cunhado por uma amiga que descreve bem no que acredito: juntar a fome com a vontade de comer — literalmente. Pouco importa se aquele cara tem fama de ter um pau grande ou é muito gostoso nas fotos do Instagram.

O que é necessário pra satisfazer uma mulher são as circunstâncias em que ela está inscrita e se, naquele momento em que deu vontade, existe alguém que está interessado, de acordo e empenhado a te dar prazer.

Quanto mais eu observo o que é necessário pro tesão, mais difícil fica eu encontrar esse denominador comum que vai acender a luzinha do ‘it’s a match!’ na minha cabeça. Talvez isso tenha a ver com minha própria consciência de que eu posso (e devo) me posicionar em relação ao sexo e minhas vontades.

Conhecer uma variedade de homens e modelos de pênis é legal, mas isso não significa que eu deva me sujeitar a eles a qualquer custo.

O preço dessa ‘maturidade’ é ora a abstinência, ora admitir o arrependimento e o erro. Quando minhas amigas vêm me notificar que fizeram sexo anal (ou tentaram), as únicas coisas que penso são: tomara que a iniciativa tenha partido delas, tomara que elas consigam admitir se foi horrível, e tomara que elas não repitam só porque ‘onde entra uma vez, entra sempre’.

Se olham para mim como alguém que tem um pouco de ‘know-how’ na área, acredito ser por duas razões simples: um pau torto e honestidade. Desde o meu primeiro namoro, quando conheci um pênis arqueado, sempre me importei mais com a dedicação do que com as questões anatômicas — afinal, pra mim estava claro que eu ia encontrar uma variedade imensa por aí. Em segundo lugar, minha capacidade de admitir que eu não gostei, que o cara não é aquilo tudo que promete ou que, ao contrário do que possa parecer, tem uma boa surpresa dentro da calça. Às vezes, é só por admitir que levei uma chupada no dedão sem a menor cerimônia mesmo. Vai saber.”

 

* As opiniões aqui expressas são da autora ou do autor e não necessariamente refletem as da Revista AzMina. Nosso objetivo é estimular o debate sobre as diversas tendências do pensamento contemporâneo.


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