Quem senta no divã de hoje é a Ilana Mello. 

Arte: Alessandro Pautasso

“Este não é um relato só meu. É um sentimento recíproco, dividido há quatro anos com minha namorada, descrito pelo meu olhar. Hoje vou contar a vocês e a ela a intenção deste texto. A Débora é uma pessoa que amo e que tem uma singularidade que não cabe em palavras, um dos motivos de eu me apaixonar por ela todos os dias.

É o sorriso, o resmungo, o diálogo, a inteligência, é tudo e é dos pés à cabeça.

Sabe aquela coisa bem clichê que fala que quando amamos encontramos a tampa disso ou daquilo? Então, nós não funcionamos assim. Eu não encontrei uma tampa ou uma metade, eu encontrei alguém completa que soma comigo, que soma na vida, que é minha parceira, minha melhor amiga e minha cúmplice. Somos tão diferentes e iguais ao mesmo tempo, diferentes porque eu de humanas e ela de exatas conseguimos tirar o sumo mais romântico desta razão versus emoção. Comigo é um pé no céu e com a Débora é um pé no chão e isso é bem mais aventureiro do que parece, visto aqui de dentro.

Vou contar para vocês como nos conhecemos e mostrar como o amor é surpreendente. Eu fui pra Lapa no RJ assistir um show, estava tudo muito lotado e eu, no auge do meu desbunde, procurava alguém sem saber quem, um amigo então ficou de me apresentar alguém, uma amiga de apresentar outro alguém e eu aceitando tudo. Quando a Débora chegou, fui com meu amigo encontra-la e fomos beber e conversar com o grupo de amigos que estavam comigo. Noite vai, noite vem, papo vai, papo vem… Eu só queria zoar e ela também. O que não imaginávamos era que essa zoeira duraria tanto. Uma semana depois eu já ligava pra ela as 4h da manhã pra acorda-la para ir trabalhar, 15 dias depois fomos viajar no carnaval e 20 dias depois estávamos oficialmente namorando.

Começamos a fazer dos amigos, nossos amigos; da distância, um caminho traçado com muito carinho todos os finais de semana.

Lembra que eu disse lá e cima que comigo é um pé no céu e com ela é um pé no chão? Então, meu pé no céu queria morar com ela no dia seguinte, as duas fazendo faculdade, eu desempregada e vivendo das artes. Ela colocou meu pé no chão, me ensinou fazer planejamento e eu aprendi. Tudo conosco é muito bem dialogado (coisa de psicólogo), nossas brigas se resumem ao fato de uma querer assistir filme de terror e a outra de comédia e não importa quem ganhe, sempre dormimos no meio do filme.

Agora eu vou falar diretamente pra ela, mais podem continuar a leitura, afinal eu quero dividir este momento com vocês.

Débora, a revista Azmina me deu esse presente, logo a revista que tanto admiramos, pauta de nossos debates sérios sobre feminismo, violência contra mulher e bom jornalismo, não vou dispensar este presente e espero que goste. Então aí vai:

Poder escrever de você e para você é sempre algo muito especial, por isso não podia deixar passar seu aniversário assim, de qualquer forma. Terminei a faculdade, você também terminou. Seguimos nos amando e nos respeitando, traçamos nosso caminho, planejamos nosso futuro, 2017 chegou e trouxe uma certeza a que valeu a pena esperar cada dia, viajar cada final de semana para estarmos juntas. Vale à pena ouvir as bandas de metal sinfônico com você e te ver cantarolando Bethânia do nada, sinal que tem muito de você em mim e de mim em você. E pra concretizar todo esse amor que tal a gente viver ele na íntegra, na real mesmo, dividindo o mesmo teto.

Casa comigo?

Traz sua vida, sua mala, seu cheiro e seu corpo pra habitar no meu espaço, que hoje com muito carinho eu te convido pra ser nosso? E venha sabendo que te amo cada dia mais!


Também tem um desabafo para fazer ou uma história para contar? Então senta que o divã é seu! Envie seu relato para helena.dias@azmina.com.br