Helena Krausz e Veri Fozzato tinham apenas 13 anos quando, em 2003,  conheceram algumas bandas de rock de minas e decidiram embarcar nesta trajetória. Helena ficou na bateria, Veri assumiu o baixo e, à convite, Maíra Moya pegou para si os vocais e Bel Schmid, a guitarra. Nascia a banda Anti-Corpos.

“Basicamente aprendemos a tocar fazendo covers de bandas que gostávamos, como Bulimia, Dominatrix e Menstruação Anárquica”, conta Helena. A estreia da banda nos palcos de São Paulo, foi em 2004, quando a Hard Grrrls as convidou para tocar no #1 Festival.

“Como éramos super novas e morávamos na Praia Grande eu decidi alugar um ônibus (sim, um dos grandes!) e chamamos um monte de amigas da cidade pra ir ao festival”, relembra Helena. “Depois desse show fomos convidadas pra tocar em vários outros festivais feministas.”

Já a atual baixista da banda, Marina Pandeló, também estava presente no primeiro show – mas como espectadora. “Foi um momento muito importante que fortificou as bandas e a cena da música feminista”, afirma Marina. “Foi o começo de uma fase em que rolaram muitos shows em várias cidades, as minas simplesmente se conectavam (algumas por carta, outras online) e faziam tudo por conta própria.”

De 2003 para cá, a banda Anti-Corpos, passou por diversas formações. Em 2005 a Adriessa Oliveira assumiu a guitarra dando uma cara nova ao som da banda: “Começamos a tocar mais pesado e rápido”, diz Helena.

Em 2007 por conta de outros projetos e a falta de uma vocalista, a banda decidiu fazer uma pausa. Quatro anos depois, em 2011, Rebeca Domiciano, que organizava em São Paulo o festival Emancipar, foi convidada a se juntar e a Anti-Corpos voltou à ativa.

“Eu acho que o hardcore de São Paulo continua sendo muito machista, por mais que agora os caras tenham um discurso mais politizado, mais pró feminismo.”

“Precisávamos tocar hardcore feminista nessa cena total machista. E já no primeiro ensaio sentimos que era isso mesmo que queríamos”, explica Helena.

Em 2012, o disco “Meninas Para Frente” é lançado e a banda entrou em uma pequena turnê no Brasil fazendo alguns shows.

Na Europa

Por acidente do destino, cada uma com sua razão pessoal, em 2013, as meninas do Anti-Corpos foram passar uma temporada em Berlim (Alemanha). Essa mudança de país, trouxe uma nova parceria com o Emancypunx Records, um selo independente que lança bandas punks feministas e se interessou pelo trabalho do Anti-Corpos.

Foi então que foram lançados o EP “Contra Ataque” em Alemanha, Polônia, Rússia, Holanda e Brasil. Consequentemente, a primeira turnê da banda na Europa foi marcada.

“O maior desafio sobre ser mulher e estar no palco é fazer com que quem esteja nos ouvindo entenda que estamos tocando pras minas e pessoas não ‘cismacho’, e que não se trata apenas de um som punk, mas, sim, de política, expressão da raiva, da nossa vontade de mudança, do nosso amor às próximas e gratidão à todas as lutadoras que revolucionaram diariamente em suas vidas”, desabafa Rebeca

Quando Helena é questionada sobre a diferença de publico entre Brasil e Europa, ressalta que no Brasil as pessoas são mais emocionadas e energéticas. “Na Alemanha, por exemplo, a galera não dança muito, mas isso não significa que não estejam curtindo o show. Já na França, na Itália e na Espanha, a galera se joga e bate cabelo, o que é ótimo porque rola uma troca de energia incrível entre a banda e o público”, complementa a baterista.

Sobre alguns dos shows mais marcantes da banda, a baixista Marina relembra que foi foda tocar com Los Crudos no festival Puntala na Finlândia e outro dia marcante também foi o primeiro show da banda na Europa no LaDIYfest Berlin 2014.

Em 2015, lançaram seu último EP “Forma Prática de Luta”, gravado em São Paulo, que também foi distribuído na Europa e no Brasil. Outra grande turnê europeia foi realizada.

No último EP, Rebeca buscou falar também sobre coisas boas que motivam a luta por nossos direitos. “É foda usar isso (sua voz no palco) pra passar mensagens importantes, garantir que o show corra tranquilo sem ninguém se machucar ou se sentir excluída ou excluído de alguma forma”, declara Marina.

Com anos de estrada no punk rock, as meninas afirmaram a melhor coisa que fizeram foi começar bem cedo. “Fazer parte disso mudou totalmente minha vida. Desde bem jovem, já estava em contato com feminismo e conhecendo muita gente interessante”, conta Helena.

Marina complementa dizendo que “o feminismo iniciou uma revolução cultural, junto com outras lutas, como o movimento antirracista, por exemplo”.

Entre os planos futuros da banda Anti-Corpos estão músicas novas, shows na Europa e o sonho de fazer uma tour grande no Brasil.

SOBRE

A formação atual da banda é Rebeca Domiciano no vocal, Adriessa Oliveira na guitarra, Helena Krausz na bateria e a Marina Pandeló no baixo.

Discografia:

– Caminhos e Escolhas (2004)
– Meninas para Frente! (2012)
– This is Santos, Not SP (2012)
– Contra Ataque (2014)
– Forma Prática de Luta (2015)
– Brincando de Igualdade (single/2006)

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