Por motivos de segurança, os textos da coluna Vozes das Ocupações serão anônimos.

Sou mulher, negra,feminista, na luta!

A ocupação em que estive teve duração de duas semanas. Durante esse tempo, ficamos confinad@s no mesmo ambiente sem contato com atividades exteriores, a não ser as que eram propostas e apresentadas para toda a comunidade.

Outro fator que nos deixava com medo de sair eram as ameaças psicológicas e físicas. Afinal, a mídia diariamente propagava conteúdo deturpando as ocupações no modo geral.

Havia ainda o impasse do sono.

O estado de alerta, por temermos por nossa segurança, refletia nas poucas horas de descanso. Uma média de 4 ou 5 horas por dia.

Bom, apesar dos problemas advindos da resistência pela derrubada da PEC 241/55, o que mais afetou a nós, mulheres, foi o machismo velado que se fazia presente em todas as situações.

As funções distribuídas em assembleias, prezando pela horizontalidade, eram a forma que utilizávamos para divulgar a causa e manter a higiene, e essas funções  passaram a ser pontos de discussões sobre gênero. Os silenciamentos eram constantes. Por parte dos alunos, por aqueles que faziam parte do corpo de ensino da escola e até por apoiadores ouvíamos falas do tipo:

“Cadê as meninas? O dormitório tá uma bagunça”

A verdade é que aquele local estava repleto de mulheres empoderadas e unidas.

Mesmo diante de  todo o machismo, não iriam nos calar. Afinal o lugar de mulher é onde ela quiser!

Portanto, especialmente os homens, devem ter em mente que antes de tentarmos lutar por uma educação igualitária ou um mundo melhor, a desconstrução interior deve ser revista.

 

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