N o Brasil, uma mulher é estuprada a cada 11 minutos e, de acordo com uma pesquisa divulgada hoje pelo Datafolha, esse cenário não está perto de mudar. Segundo o levantamento, 30% dos brasileiros concordam com a frase “A Mulher que usa roupas provocativas não pode reclamar se for estuprada”. E o pior: 30% dos homens e 30% das mulheres pensam assim. Já a frase “Mulheres que se dão ao respeito não são estupradas” teve a concordância de 42% dos homens e 32% das mulheres. O que ambas as frases indicam é que se coloca a culpa do estupro na mulher, por suas roupas ou comportamento e que isso está tão naturalizado na sociedade, que até as mulheres pensam desta maneira.

Em 2014, uma pesquisa do IPEA mostrou que 26% da população concordava que mulheres que mostram o corpo merecem ser atacadas. Dado que deu origem à campanha #EuNãoMereçoSerEstuprada. O que a nova pesquisa revela é que, dois anos depois, o cenário continua preocupante. São números que deixam claro o que significa o conceito de cultura do estupro, uma cultura em que se culpa a vítima pelo abuso sexual sofrido, ao mesmo tempo que naturaliza o comportamento do agressor.

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Já quando o assunto é o medo de sofrer uma agressão sexual, 85% das mulheres disseram ter medo . No Nordeste, essa porcentagem sobe para 90%.  Entre os homens brasileiro, o medo de sofrer um estupro atinge 46%.  Vale ressaltar que, segundo registros oficiais, quase 50 mil mulheres são estupradas por ano e especialistas acreditam que apenas 10% dos casos sejam registrados, o que indicaria que os números podem chegar a 500 mil estupros por ano no país.

A pesquisa traz um pouco do esperança, porém: ao mesmo tempo que 37% dos entrevistados acham que “se dar ao respeito” evita o estupro, 46% dessas pessoas tês mais de 60 anos. O que indica que é menor a porcentagem de jovens que culpa a mulher pela violência sexual, um indício de uma mudança de mentalidade nas novas gerações.

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A pesquisa entrevistou 3.625 brasileiros no início de agosto e foi encomendada para o Fórum de Segurança Pública que acontece até o dia 23 em Brasília.