O Divã de hoje é da Mylena Maeda 

futsal

E studei na Escola de Comunicações e Artes da USP e todo ano participávamos dos famigerados jogos universitários, onde diversas faculdades competiam nas principais modalidades esportivas. Só que tinha um pequeno detalhe: durante os jogos a torcida masculina direcionava gritos como “porpeta”, “gorda”, “gostosa”, entre outros, a cada jogadora que chamasse a atenção de forma pejorativa ou positiva por seus atributos físicos (segundo a visão dos homens, é claro).

Na época treinava vôlei e futsal pelo time da USP, e diga-se de passagem sonhava em competir nos jogos universitários (pra quem não sabe eles simbolizam o auge da carreira esportiva na faculdade rs).

Apesar dos 8 anos dedicados ao vôlei e muito afinco nos treinos, acabei fazendo de tudo para não ser escolhida como titular com medo de sofrer assédio relacionado à minha aparência física.

E deu certo: outra atleta assumiu minha posição de líbero durante o campeonato. Ao mesmo tempo em que senti alívio, veio uma tremenda frustração como vocês podem imaginar: afinal, tinha me preparado bastante para competir!

Resolvi buscar refúgio no futsal feminino, modalidade com menos torcida ávida em assistir “mulheres bonitas” (e em zoar as que “não são’) como ocorre no vôlei. Coloquei minha chuteira e resolvi entrar em quadra.

Não deu cinco minutos de aquecimento, alguns meninos da Belas Artes (torcida adversária) começaram a gritar “a 10 é muito feia”, “ô 10, olha pra cá, você é muito feia!” para mim, referindo-se ao número da minha camisa. Sim, o que eu mais temia aconteceu. Mesmo sabendo que eles mereciam um belo de um dedo do meio, me senti paralisada, com vergonha e vontade de chorar, que disfarcei a todo custo. Só queria que aquele momento acabasse, que ninguém percebesse ou fizesse alarde tentando me defender. Só queria deixar a história morrer.

Depois disso, fui perdendo o interesse pelos esportes da faculdade, pois já não queria mais participar dessas grandes competições. NHoje, 7 anos depois e pela primeira vez, ressuscitei o ocorrido. Espero que os jogos (universitários ou não) se tornem ambientes mais sadios e democráticos, dessa vez pra valer.

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